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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu097447
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itapevi - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral - Emergência
Uma mulher de 47 anos, sofreu acidente automobilístico com colisão frontal e é transportada ao setor de emergência pelo SAMU devidamente imobilizada, de acordo com o protocolo do atendimento pré-Hospitalar (suporte intermediário). Está consciente, estável hemodinamicamente e com sinais vitais dentro da normalidade. Apresenta dor cervical intensa, incapacidade de movimentar o pescoço e déficit motor em membros superiores. A radiografia cervical inicial é inconclusiva.Considerando o caso clínico apresentado, assinale a alternativa que indica o próximo procedimento a ser aplicado.
  1. ARemover colar cervical e realizar ressonância nuclear magnética.
  2. BSolicitar tomografia computadorizada cervical.
  3. CMonitorar o paciente na UTI para avaliação posterior.
  4. DIniciar corticoterapia por via IV para proteção neuro lógica.
  5. ERealizar intubação orotraqueal para proteger a via aérea.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Solicitar tomografia computadorizada cervical.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma raquimedular: abordagem diagnóstica na emergência

Gabarito: letra B. Em paciente vítima de trauma de alta energia com suspeita de lesão cervical, dor cervical intensa e déficit motor em membros superiores, com radiografia inicial inconclusiva, o próximo passo é a tomografia computadorizada (TC) da coluna cervical — exame de maior sensibilidade para fraturas e avaliação do canal medular nesse cenário. A conduta segue o protocolo de trauma: imobilização mantida, avaliação por imagem avançada e, só então, decisão terapêutica.

O trauma raquimedular (TRM) é uma emergência neurológica e ortopédica. A coluna cervical é o segmento mais móvel e, por isso, o mais suscetível a lesões em colisões frontais. O mecanismo de hiperflexão ou hiperextensão pode causar fraturas, luxações ou lesão ligamentar, com potencial comprometimento da medula espinhal. O quadro clínico clássico de déficit motor em membros superiores com preservação dos inferiores sugere lesão medular cervical — e a prioridade é definir a estabilidade da coluna antes de qualquer mobilização.

A radiografia simples, embora seja o primeiro exame, tem sensibilidade limitada para fraturas cervicais, especialmente na transição craniocervical e cervicotorácica. Quando ela é inconclusiva — como no caso —, a tomografia computadorizada é o exame de escolha: avalia com precisão a integridade óssea, o alinhamento vertebral e o canal medular. A ressonância magnética, por sua vez, é reservada para avaliação de partes moles, como ligamentos e a própria medula, e não é o primeiro exame na emergência.

A conduta imediata, portanto, é manter a imobilização cervical (colar + prancha), solicitar a TC e, com o resultado, decidir a conduta definitiva — que pode incluir cirurgia, corticoterapia em casos selecionados ou apenas observação. A estabilidade hemodinâmica e a consciência preservada da paciente permitem essa sequência diagnóstica sem intervenções urgentes adicionais.

A banca explora aqui a hierarquia dos exames de imagem no trauma: radiografia → tomografia → ressonância. A pegadinha está em pular etapas ou indicar condutas terapêuticas antes do diagnóstico definitivo. Guarde essa sequência: é ela que separa as alternativas.

  1. 1Radiografia (triagem)
  2. 2Tomografia (definição óssea)
  3. 3Ressonância (partes moles/medula)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Remover o colar cervical e realizar ressonância nuclear magnética é duplamente errado. Primeiro, a remoção da imobilização sem definição da estabilidade da coluna expõe a paciente a risco de lesão medular iatrogênica. Segundo, a ressonância não é o exame inicial na emergência — ela avalia partes moles e medula, mas a TC é o método de escolha para triagem de fraturas. A RM fica para um segundo momento, após a TC ou quando há suspeita de lesão ligamentar ou medular sem fratura.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tomografia computadorizada cervical é o próximo procedimento indicado. Com radiografia inconclusiva e alta suspeita de lesão, a TC é o exame de maior sensibilidade para fraturas e desalinhamentos, permitindo decisão terapêutica segura. A paciente está estável e consciente, o que viabiliza a realização do exame sem necessidade de intervenção imediata. A imobilização deve ser mantida durante todo o processo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Monitorar na UTI para avaliação posterior adia o diagnóstico sem benefício. A paciente está estável, mas o déficit motor e a dor cervical exigem definição diagnóstica imediata. A internação em UTI sem investigação por imagem não resolve o problema e pode retardar uma intervenção necessária. A TC é rápida, disponível e deve ser feita antes de qualquer decisão de internação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Iniciar corticoterapia por via IV para proteção neurológica não é conduta padronizada. O uso de metilprednisolona no trauma raquimedular foi amplamente debatido, mas as evidências atuais não sustentam sua indicação rotineira — os estudos mostraram benefício marginal e aumento de complicações. Além disso, a corticoterapia não substitui o diagnóstico por imagem. A conduta correta é definir a lesão primeiro; a decisão sobre corticoides, se houver, virá depois, em contexto específico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Realizar intubação orotraqueal para proteger a via aérea não é indicado neste momento. A paciente está consciente, estável e sem sinais de insuficiência respiratória. A intubação é procedimento invasivo, com riscos, e só se justifica em caso de rebaixamento do nível de consciência, hipoxemia ou falência ventilatória. A prioridade é o diagnóstico por imagem, não a proteção de via aérea.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece condutas que parecem plausíveis, mas que são prematuras ou desnecessárias. A corticoterapia (D) é a armadilha clássica: muitos candidatos lembram do uso de metilprednisolona no TRM e marcam sem perceber que a evidência atual não a recomenda de rotina. A intubação (E) assusta e parece "protetora", mas a paciente está estável. A chave é sempre perguntar: qual é o próximo passo diagnóstico? A resposta é a TC.

PEGA ESSA DICA!

No trauma, a sequência de imagem é: radiografia (triagem) → tomografia (definição óssea) → ressonância (partes moles/medula). Quando a radiografia é inconclusiva, a TC é o exame de escolha. Memorize essa hierarquia e aplique-a sempre que a questão envolver suspeita de fratura ou lesão medular.

Gabarito: letra B

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