Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — VUNESP 2025
Medicina›Distúrbios Nutricionais
Código
vu097472
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itapevi - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral - UBS
Qual é o principal fator que contribui para a resistência à insulina em pacientes com obesidade visceral, de acordo com os mecanismos fisiopatológicos mais recentes?
AAumento da produção de leptina pelo tecido adiposo visceral.
BDiminuição da secreção de adiponectina pelo tecido adiposo visceral.
CAumento da produção de interleucina-10 (IL-10) pelo fígado.
DExcesso de ácidos graxos livres circulantes.
ERedução da expressão de TNF-alpha nas células musculares.
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GabaritoD — Excesso de ácidos graxos livres circulantes.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Resistência à insulina na obesidade visceral
Gabarito: letra D. O principal fator que contribui para a resistência à insulina na obesidade visceral é o excesso de ácidos graxos livres circulantes, que se acumulam em tecidos como músculo e fígado, interferindo na sinalização da insulina. Esse mecanismo é central na fisiopatologia da resistência insulínica associada à adiposidade central.
A obesidade visceral é um estado de inflamação crônica de baixo grau e de disfunção metabólica. O tecido adiposo visceral, diferentemente do subcutâneo, é metabolicamente mais ativo e libera grandes quantidades de ácidos graxos livres diretamente na circulação portal, expondo o fígado a um fluxo elevado desses lipídios. Esse excesso de ácidos graxos livres circulantes é um dos principais mecanismos que levam à resistência à insulina, pois eles competem com a glicose como substrato energético e, ao se acumularem nos tecidos, ativam vias de sinalização que prejudicam a ação da insulina.
O tecido adiposo visceral também produz adipocinas e citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α e IL-6, que contribuem para o estado inflamatório e para a resistência à insulina. Por outro lado, a adiponectina, uma adipocina com propriedades anti-inflamatórias e sensibilizadoras da insulina, está diminuída na obesidade, especialmente na obesidade visceral. A leptina, embora aumentada na obesidade, está mais relacionada à gordura subcutânea e à resistência à leptina do que diretamente à resistência à insulina.
A compreensão desses mecanismos é fundamental para o manejo da obesidade e de suas comorbidades, como o diabetes tipo 2 e a síndrome metabólica. A resistência à insulina é definida como a ineficiência da insulina plasmática, em concentrações normais, em promover adequada captação periférica de glicose, suprimir a gliconeogênese hepática e inibir a produção de lipoproteína de muito baixa densidade. O excesso de ácidos graxos livres é um dos principais gatilhos desse processo, pois o acúmulo de lipídios nos tecidos-alvo (lipotoxicidade) interfere diretamente na via de sinalização da insulina.
A banca explora a confusão entre os diversos mediadores envolvidos na obesidade e na resistência à insulina. É importante distinguir o papel de cada um: enquanto a leptina está mais associada à regulação do balanço energético e à gordura subcutânea, a adiponectina tem ação protetora e está reduzida na obesidade, e as citocinas pró-inflamatórias como TNF-α e IL-6 contribuem para o estado inflamatório. No entanto, o fator que mais diretamente liga a obesidade visceral à resistência à insulina é o excesso de ácidos graxos livres circulantes, que promovem lipotoxicidade e disfunção metabólica.
Guarde essa distinção: o que define a resistência à insulina na obesidade visceral não é apenas a produção de adipocinas, mas o fluxo aumentado de ácidos graxos livres para o fígado e outros tecidos, que interfere diretamente na ação da insulina. É esse mecanismo que as alternativas tentam confundir.
Resistência à insulina na obesidade visceral
1Principal mecanismo
Excesso de ácidos graxos livres circulantes
Lipotoxicidade
Interferência na sinalização da insulina
2Adipocinas envolvidas
Leptina (aumentada)
Relacionada à gordura subcutânea
Resistência à leptina
Adiponectina (diminuída)
Ação protetora e sensibilizadora
TNF-α e IL-6 (aumentadas)
Pró-inflamatórias
IL-10
Anti-inflamatória (não contribui)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A leptina é um hormônio produzido pelo tecido adiposo que regula o balanço energético, mas seu aumento na obesidade está mais relacionado à resistência à leptina e à gordura subcutânea do que diretamente à resistência à insulina. O texto de apoio afirma que "a leptina está mais estreitamente relacionada com a gordura subcutânea", enquanto a adiponectina tem relação mais forte com a gordura visceral. Portanto, o aumento da produção de leptina não é o principal fator que contribui para a resistência à insulina na obesidade visceral.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A diminuição da secreção de adiponectina é um mecanismo importante na obesidade, pois essa adipocina tem ação sensibilizadora da insulina e anti-inflamatória. No entanto, a questão pede o principal fator que contribui para a resistência à insulina na obesidade visceral. Embora a hipoadiponectinemia seja relevante, o excesso de ácidos graxos livres circulantes é considerado o mecanismo mais diretamente ligado à lipotoxicidade e à disfunção da sinalização insulínica nos tecidos-alvo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A interleucina-10 (IL-10) é uma citocina anti-inflamatória, e seu aumento pelo fígado não é um mecanismo que contribui para a resistência à insulina. Na verdade, o que se observa na obesidade é um aumento de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α e IL-6, que promovem inflamação e resistência à insulina. A IL-10 teria, em tese, um efeito protetor, não contribuindo para o quadro.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O excesso de ácidos graxos livres circulantes é o principal fator que contribui para a resistência à insulina na obesidade visceral. O tecido adiposo visceral libera ácidos graxos livres diretamente na circulação portal, expondo o fígado a um alto fluxo desses lipídios. Esse excesso promove lipotoxicidade, com acúmulo de lipídios nos tecidos muscular e hepático, interferindo na via de sinalização da insulina e levando à resistência insulínica. O texto de apoio menciona que "a oxidação de ácidos graxos pela mitocôndria" e o acúmulo de lipídios estão relacionados à patologia, e que "pacientes obesos possuem maior gordura hepática visceral, e, por consequência, mais ácidos graxos circulantes no fluxo portal".
Alternativa E — ❌ Incorreta
A redução da expressão de TNF-α nas células musculares não é um mecanismo que contribui para a resistência à insulina. Na verdade, o TNF-α é uma citocina pró-inflamatória que está aumentada na obesidade e contribui para a resistência à insulina. O texto de apoio afirma que "o tecido adiposo, sobretudo a gordura visceral e a gordura intermuscular, serve como importante fonte de TNF-α" e que "os níveis dessas duas citocinas pró-inflamatórios se correlacionam com a obesidade e estão fortemente relacionadas com a resistência à insulina". Portanto, a redução da expressão de TNF-α teria um efeito contrário, melhorando a sensibilidade à insulina.