Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu097478
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itapevi - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral - UBS
Paciente de 55 anos, do sexo feminino, com histórico de sobrepeso, menopausa há 8 anos, queixa-se de fraturas frequentes em coluna dorsal após quedas de baixa intensidade. Não apresenta histórico de doenças inflamatórias articulares. Refere hipertensão arterial e dislipidemia em tratamento. Os exames laboratoriais mostram cálcio sérico normal, vitamina D insuficiente (18 ng/mL) e densitometria óssea com T-score de -2,8 na coluna lombar.Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais apropriada?
AOsteoporose primária, com indicação de tratamento antiosteoporótico associado à suplementação de cálcio e vitamina D.
BOsteoporose secundária por hipovitaminose D, com recomendação de reposição de vitamina D, exclusivamente.
CDoença de Paget, com necessidade de uso de bisfosfonatos para evitar complicações ósseas.
DArtrite reumatoide, com necessidade de controle inflamatório e modulação óssea.
EObesidade com osteoporose associada, com foco exclusivo em perda de peso e exercícios físicos.
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GabaritoA — Osteoporose primária, com indicação de tratamento antiosteoporótico associado à suplementação de cálcio e vitamina D.
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Osteoporose pós-menopausa: diagnóstico e conduta inicial
Gabarito: letra A. A paciente apresenta osteoporose primária (pós-menopausa), confirmada pelo T-score de -2,8 na coluna lombar e fraturas por fragilidade, com indicação de tratamento antiosteoporótico (bisfosfonato) associado à suplementação de cálcio e vitamina D. A hipovitaminose D (18 ng/mL) é um fator contribuinte, mas não a causa primária, e a conduta inicial deve incluir a suplementação de cálcio e vitamina D como base para o tratamento medicamentoso específico.
A osteoporose é uma doença metabólica óssea caracterizada pela redução da densidade mineral óssea (DMO) e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, levando ao aumento da fragilidade e do risco de fraturas. O diagnóstico é estabelecido pela densitometria óssea (DEXA), que mede a DMO e expressa o resultado como escore T — o número de desvios-padrão (DP) em relação à média de adultos jovens do mesmo sexo. Segundo a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), para mulheres pós-menopáusicas e homens com mais de 50 anos, o escore T é interpretado da seguinte forma: normal (até -1), osteopenia (entre -1 e -2,5) e osteoporose (≤ -2,5). Além do critério densitométrico, o diagnóstico de osteoporose também pode ser feito pela presença de fratura por fragilidade — fratura que ocorre espontaneamente ou após trauma de baixa energia, como cair da própria altura — em vértebra, quadril, costela, antebraço ou úmero.
No caso apresentado, a paciente de 55 anos, pós-menopausa há 8 anos, apresenta T-score de -2,8 na coluna lombar, o que já configura osteoporose pelo critério densitométrico. Além disso, relata fraturas frequentes em coluna dorsal após quedas de baixa intensidade, o que reforça o diagnóstico de osteoporose estabelecida, com alto risco de novas fraturas. A menopausa é o principal fator de risco para osteoporose primária em mulheres, pois a deficiência estrogênica acelera a reabsorção óssea. A hipovitaminose D (18 ng/mL) é um achado comum e importante, pois a vitamina D é essencial para a absorção intestinal de cálcio e para a mineralização óssea; sua insuficiência contribui para a perda óssea, mas não é a causa primária da osteoporose nesse contexto. A hipertensão arterial e a dislipidemia são comorbidades frequentes, mas não têm relação causal direta com a osteoporose.
A conduta inicial para a osteoporose pós-menopausa estabelecida inclui medidas não farmacológicas (exercícios de sustentação de peso, prevenção de quedas, cessação do tabagismo e moderação do álcool) e farmacológicas. A suplementação de cálcio e vitamina D é a base de todos os esquemas terapêuticos, pois garante o substrato necessário para a mineralização óssea e potencializa a ação dos medicamentos antiosteoporóticos. O tratamento medicamentoso específico é indicado para mulheres pós-menopáusicas com osteoporose (T-score ≤ -2,5) ou com fratura por fragilidade, e os bisfosfonatos (alendronato, risedronato, ácido zoledrônico) são a primeira linha, pois reduzem a reabsorção óssea e diminuem o risco de fraturas vertebrais e não vertebrais. A reposição de cálcio e vitamina D isolada, sem o antiosteoporótico, é insuficiente para reduzir o risco de fraturas em pacientes com osteoporose estabelecida.
A alternativa B erra ao classificar a osteoporose como secundária à hipovitaminose D e ao recomendar apenas a reposição de vitamina D. A hipovitaminose D é um fator contribuinte, mas a causa primária é a deficiência estrogênica da pós-menopausa. Além disso, a conduta exclusiva com vitamina D não é suficiente para tratar a osteoporose estabelecida, que exige tratamento antiosteoporótico. A alternativa C (Doença de Paget) é incorreta, pois a doença de Paget é uma doença óssea metabólica caracterizada por remodelação óssea excessiva e desorganizada, com achados radiológicos típicos (osso espessado, deformidades, aumento da fosfatase alcalina), que não estão presentes no caso. A alternativa D (Artrite reumatoide) é incorreta, pois a paciente não apresenta sintomas articulares inflamatórios, e a artrite reumatoide é uma doença autoimune que causa sinovite e erosões ósseas, não sendo o diagnóstico mais provável. A alternativa E (obesidade com osteoporose, foco exclusivo em perda de peso e exercícios) é incorreta, pois, embora a obesidade seja um fator de risco para várias doenças, o foco exclusivo em perda de peso e exercícios não é a conduta inicial apropriada para uma paciente com osteoporose estabelecida e fraturas por fragilidade, que necessita de tratamento farmacológico.
A pegadinha desta questão está em confundir a hipovitaminose D como causa primária da osteoporose (alternativa B) e em subestimar a necessidade de tratamento farmacológico (alternativa E). A banca explora a tendência de focar em um único fator (vitamina D) ou em medidas gerais (perda de peso) em vez de reconhecer a osteoporose pós-menopausa como a doença principal e a necessidade de tratamento antiosteoporótico.
Osteoporose pós-menopausa
1Diagnóstico
Densitometria (T-score ≤ -2,5)
Fratura por fragilidade
2Fatores
Deficiência estrogênica (causa primária)
Hipovitaminose D (contribuinte)
3Conduta inicial
Antiosteoporótico (bisfosfonato)
Suplementação de cálcio e vitamina D
Medidas não farmacológicas
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque a paciente apresenta critérios diagnósticos de osteoporose primária: T-score de -2,8 (≤ -2,5) na coluna lombar e fraturas por fragilidade em vértebras. A menopausa é o principal fator de risco, caracterizando a osteoporose primária (pós-menopausa). A conduta inicial apropriada é o tratamento antiosteoporótico (bisfosfonato) associado à suplementação de cálcio e vitamina D, que é a base de todos os esquemas terapêuticos. A hipovitaminose D (18 ng/mL) deve ser corrigida, mas não é o único tratamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B erra ao classificar a osteoporose como secundária à hipovitaminose D. A hipovitaminose D é um fator contribuinte, mas a causa primária é a deficiência estrogênica da pós-menopausa. Além disso, a conduta exclusiva com reposição de vitamina D é insuficiente para tratar a osteoporose estabelecida, que exige tratamento antiosteoporótico para reduzir o risco de fraturas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C é incorreta porque a doença de Paget é uma doença óssea metabólica caracterizada por remodelação óssea excessiva e desorganizada, com achados radiológicos típicos (osso espessado, deformidades, aumento da fosfatase alcalina), que não estão presentes no caso. A paciente apresenta T-score de -2,8 e fraturas por fragilidade, compatíveis com osteoporose, não com doença de Paget.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D é incorreta porque a artrite reumatoide é uma doença autoimune que causa sinovite e erosões ósseas, com sintomas articulares inflamatórios (dor, edema, rigidez matinal). A paciente não apresenta histórico de doenças inflamatórias articulares, e o quadro clínico e laboratorial é compatível com osteoporose, não com artrite reumatoide.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E é incorreta porque, embora a obesidade seja um fator de risco para várias doenças, o foco exclusivo em perda de peso e exercícios físicos não é a conduta inicial apropriada para uma paciente com osteoporose estabelecida e fraturas por fragilidade. A paciente necessita de tratamento farmacológico (antiosteoporótico) associado à suplementação de cálcio e vitamina D, além das medidas não farmacológicas.