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Questão de Medicina — Medicina Preventiva — VUNESP 2025

MedicinaMedicina Preventiva
Código
vu097484
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itapevi - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral - UBS
Assinale a alternativa que apresenta a estratégia eficaz na prevenção primária de doenças cardiovasculares em populações de alto risco.
  1. AIniciar o uso de estatinas apenas após diagnóstico de doença cardiovascular estabelecida.
  2. BRealizar avaliação anual de risco cardiovascular, incluindo perfil lipídico, em pacientes a partir de 40 anos.
  3. CPromover mudanças no estilo de vida, como dieta hipogordurosa e exercícios de resistência, independentemente do risco cardiovascular individual.
  4. DPrescrever ácido acetilsalicílico para todos os pacientes acima de 50 anos.
  5. EFocar exclusivamente na redução de pressão arterial em pacientes hipertensos.
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GabaritoB — Realizar avaliação anual de risco cardiovascular, incluindo perfil lipídico, em pacientes a partir de 40 anos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prevenção primária de doenças cardiovasculares

Gabarito: letra B. A estratégia eficaz na prevenção primária de doenças cardiovasculares em populações de alto risco é a avaliação anual de risco cardiovascular, incluindo perfil lipídico, em pacientes a partir de 40 anos, pois permite a identificação precoce e o manejo individualizado dos fatores de risco, conforme o conceito de risco cardiovascular global. As demais alternativas ou são medidas de prevenção secundária, ou são generalizações inadequadas, ou não priorizam a estratificação de risco.

A prevenção primária cardiovascular visa evitar o primeiro evento cardiovascular (infarto, AVC, morte) em indivíduos que ainda não têm doença aterosclerótica estabelecida. A abordagem moderna não se baseia em tratar fatores de risco isolados (como colesterol ou pressão alta), mas sim no risco cardiovascular global — o somatório de riscos decorrentes de múltiplos fatores, estimado pelo risco absoluto em 10 anos. Quanto maior o risco, maior o potencial benefício de uma intervenção. É exatamente por isso que a avaliação periódica do risco, com perfil lipídico, é a pedra angular da prevenção primária: ela permite classificar o paciente e direcionar a intensidade das medidas preventivas, sejam elas não farmacológicas (dieta, exercício, cessação do tabagismo) ou farmacológicas (estatinas, anti-hipertensivos).

A diretriz brasileira de dislipidemias e prevenção da aterosclerose de 2025 reforça que a estratégia terapêutica principal requer o uso de estatinas, focando na redução do risco cardiovascular absoluto, e que intervenções não farmacológicas são imprescindíveis, constituindo a primeira linha terapêutica. O uso de estatinas em prevenção primária é eficaz na redução de eventos cardiovasculares maiores, mas deve estar fundamentado na estimativa do risco cardiovascular global do indivíduo — não na simples presença de um fator isolado. Da mesma forma, o ácido acetilsalicílico em prevenção primária só oferece mais benefícios do que malefícios em indivíduos cujo risco de infarto seja alto o suficiente para compensar o risco de hemorragia.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre prevenção primária (antes do evento, em indivíduos de risco) e prevenção secundária (após o evento, em pacientes com doença estabelecida). A alternativa A, por exemplo, descreve uma conduta de prevenção secundária (iniciar estatina após diagnóstico de doença cardiovascular), enquanto a alternativa C promove mudanças de estilo de vida de forma indiscriminada, sem considerar o risco individual — o que contraria o princípio da estratificação de risco. A alternativa D generaliza o uso de AAS para todos acima de 50 anos, ignorando a necessidade de avaliação individual do risco-benefício. A alternativa E foca exclusivamente na pressão arterial, negligenciando os demais fatores de risco que compõem o risco global.

Guarde a fronteira entre prevenção primária e secundária, e o conceito de risco cardiovascular global: é exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.

Prevenção cardiovascular
  • 1Primária (antes do evento)
    • Estratificação do risco global
    • Avaliação anual + perfil lipídico (≥40 anos)
    • Estatinas se risco elevado
    • AAS se risco alto (individualizado)
  • 2Secundária (após o evento)
    • Estatina após doença estabelecida
  • 3Erros comuns
    • Abordagem populacional sem estratificar
    • Foco em fator isolado (ex.: só PA)
    • Generalizar AAS por idade
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar estatinas apenas após o diagnóstico de doença cardiovascular estabelecida é uma conduta de prevenção secundária, não primária. Na prevenção primária, as estatinas são indicadas com base no risco cardiovascular global elevado (por exemplo, risco de eventos coronarianos ≥ 20% em 10 anos), mesmo em indivíduos sem doença estabelecida e com níveis de colesterol normais. A alternativa confunde os dois níveis de prevenção.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A avaliação anual de risco cardiovascular, incluindo perfil lipídico, em pacientes a partir de 40 anos, é a estratégia central da prevenção primária. Ela permite a estratificação do risco cardiovascular global, identificando indivíduos de alto risco que se beneficiarão de intervenções mais intensas, sejam farmacológicas ou não. A diretriz de dislipidemias de 2025 reforça que o manejo terapêutico deve focar na redução do risco cardiovascular absoluto, e a avaliação periódica é o primeiro passo para isso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Promover mudanças no estilo de vida independentemente do risco cardiovascular individual é uma abordagem populacional, não uma estratégia dirigida a grupos de risco. Embora dieta hipogordurosa e exercícios sejam recomendados para todos, a questão pede especificamente uma estratégia para populações de alto risco, que exige intervenção individualizada e mais intensa, baseada na estratificação de risco. A alternativa ignora o conceito de risco cardiovascular global.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Prescrever ácido acetilsalicílico para todos os pacientes acima de 50 anos é uma generalização indevida. Na prevenção primária, o AAS só oferece mais benefícios do que malefícios em indivíduos cujo risco de infarto seja alto o suficiente para compensar o risco de hemorragia, principalmente gastrintestinal. A decisão deve ser individualizada, não baseada apenas na idade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Focar exclusivamente na redução de pressão arterial em pacientes hipertensos é uma abordagem fragmentada, que contraria o conceito de risco cardiovascular global. A prevenção deve considerar o somatório de fatores de risco (colesterol, tabagismo, diabetes, idade, sexo), não apenas um fator isolado. Mesmo em hipertensos, a avaliação do risco global é essencial para direcionar a intensidade das intervenções.

Gabarito: letra B

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