Questão de Odontologia — Periodontia — VUNESP 2025
- Código
- vu098203
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Prefeitura de Itatiba - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Dentista - Periodontista
- Ametaloprotease.
- Btripsina.
- Ccatalase.
- Dcatepsina C.
- Eelastase.
GabaritoD — catepsina C.
Gabarito: letra D. A síndrome de Papillon-Lefèvre (SPL) é causada por mutações no gene CTSC, que codifica a enzima catepsina C (dipeptidil peptidase I), uma protease lisossômica essencial para a ativação de outras proteases em células como neutrófilos e linfócitos citotóxicos. A deficiência dessa enzima compromete a função imunológica e está diretamente ligada à periodontite agressiva que define o fenótipo da síndrome.
A SPL é uma doença autossômica recessiva rara, caracterizada por hiperqueratose palmoplantar (espessamento da pele nas palmas das mãos e plantas dos pés) e periodontite grave de início precoce, afetando tanto a dentição decídua quanto a permanente. A compreensão do mecanismo molecular é fundamental: a catepsina C é uma enzima que ativa outras proteases (como a elastase de neutrófilos e a proteinase 3) dentro de grânulos citotóxicos. Sem essa ativação, há um defeito na função dos neutrófilos e das células NK, o que leva à incapacidade de combater infecções periodontais, resultando na destruição rápida dos tecidos de suporte dos dentes.
Na prática clínica, o diagnóstico da SPL é feito pela tríade clássica: hiperqueratose palmoplantar, periodontite agressiva e, frequentemente, infecções recorrentes. O tratamento periodontal é desafiador e muitas vezes os dentes são perdidos precocemente. O conhecimento da base genética é essencial para o aconselhamento genético e para diferenciar a SPL de outras formas de periodontite agressiva.
A distinção importante aqui é entre as enzimas listadas: metaloproteases, tripsina, catalase e elastase são todas enzimas relevantes em diferentes contextos biológicos, mas nenhuma delas é o produto do gene mutado na SPL. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo enzimas que participam de processos inflamatórios e de degradação tecidual, mas que não são a causa genética da síndrome.
A pegadinha desta questão está em associar a periodontite agressiva a enzimas que degradam a matriz extracelular (metaloproteases, elastase) ou a enzimas antioxidantes (catalase), quando na verdade a causa é uma enzima ativadora de outras proteases. O candidato que conhece o mecanismo molecular da SPL identifica imediatamente a catepsina C como a resposta correta.
As metaloproteases (MMPs) são enzimas que degradam componentes da matriz extracelular e estão envolvidas na destruição tecidual observada na periodontite. No entanto, as mutações causadoras da SPL não estão localizadas no gene que codifica essas enzimas. A confusão surge porque as MMPs são superexpressas na periodontite, mas não são a causa genética da síndrome.
A tripsina é uma protease digestiva produzida pelo pâncreas, envolvida na digestão de proteínas no intestino delgado. Não há relação entre mutações no gene da tripsina e a SPL. A banca inclui essa alternativa como um distrator, pois é uma enzima proteolítica, mas sem qualquer vínculo com a patogênese da síndrome.
A catalase é uma enzima antioxidante que decompõe o peróxido de hidrogênio em água e oxigênio, protegendo as células do estresse oxidativo. Embora o estresse oxidativo esteja aumentado na periodontite, a catalase não é o produto do gene mutado na SPL. A alternativa tenta confundir o candidato com uma enzima relacionada à defesa celular, mas não à causa genética da doença.
A catepsina C, também conhecida como dipeptidil peptidase I, é codificada pelo gene CTSC. Mutações nesse gene são a causa da SPL. A enzima é uma protease lisossômica que ativa outras proteases em células imunológicas, como neutrófilos e linfócitos citotóxicos. A deficiência dessa enzima compromete a função imunológica, levando à periodontite agressiva característica da síndrome. Esta é a alternativa correta, pois identifica precisamente a enzima cujo gene está mutado na SPL.
A elastase é uma protease que degrada a elastina, uma proteína da matriz extracelular. É produzida por neutrófilos e está envolvida na destruição tecidual na periodontite. No entanto, as mutações causadoras da SPL não estão no gene da elastase, mas sim no gene da catepsina C, que é responsável por ativar a elastase. A alternativa confunde a enzima efetora com a enzima reguladora.
Gabarito: letra D — a síndrome de Papillon-Lefèvre é causada por mutações no gene que codifica a catepsina C.
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