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Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2025

MedicinaGeriatria
Código
vu098643
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itatiba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Gerontólogo
Assinale a alternativa correta quanto à necessidade de coleta rotineira de cultura de urina em idosos moradores de instituição de longa permanência.
  1. ANão há indicação, somente se coleta quando há sintomas urinários.
  2. BDeve-se coletar a cada 2 meses para diminuir o risco de delirium em todos os pacientes.
  3. CColeta-se mensalmente, para diagnóstico precoce de infecção urinária nos idosos acamados.
  4. DNão há indicação, deve-se prescrever nitrofurantoína de forma profilática a todos os idosos.
  5. EEla deve ser coletada, mensalmente, somente para as mulheres acamadas.
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GabaritoA — Não há indicação, somente se coleta quando há sintomas urinários.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecção do trato urinário em idosos institucionalizados

Gabarito: letra A. Em idosos moradores de instituição de longa permanência (ILP), a coleta rotineira de cultura de urina não é indicada — o rastreamento de bacteriúria assintomática é desaconselhado, e a coleta só se justifica diante de sintomas urinários ou sinais clínicos que sugiram infecção ativa. Essa conduta segue as diretrizes de geriatria e infectologia, que recomendam tratar apenas a infecção urinária sintomática, evitando o uso desnecessário de antibióticos.

A bacteriúria assintomática é uma condição extremamente comum em idosos institucionalizados, com prevalência que pode ultrapassar 50% em mulheres e 30% em homens. O grande problema é que a presença de bactérias na urina, sem sintomas, não representa infecção ativa e, na grande maioria dos casos, não causa danos ao paciente. O tratamento dessa condição não reduz a mortalidade, não previne episódios de infecção sintomática e ainda expõe o idoso aos riscos de efeitos adversos de antibióticos, como reações alérgicas, toxicidade renal e o desenvolvimento de bactérias multirresistentes.

A confusão entre bacteriúria assintomática e infecção urinária sintomática é o cerne da questão. A infecção urinária sintomática exige a presença de sintomas como disúria, polaciúria, urgência miccional, dor suprapúbica ou, em idosos, alterações do estado mental (delirium) e queda do estado geral. Nesses casos, a cultura de urina é útil para confirmar o diagnóstico e guiar a antibioticoterapia. Já na bacteriúria assintomática, a cultura positiva é um achado laboratorial sem significado clínico — e é exatamente por isso que a coleta rotineira é contraindicada.

A banca explora a falsa premissa de que a coleta periódica de urina previne complicações como o delirium ou a sepse. Na prática, o rastreamento e o tratamento da bacteriúria assintomática não previnem o delirium, não reduzem a mortalidade e não diminuem a incidência de infecções sintomáticas. Pelo contrário, o uso desnecessário de antibióticos aumenta o risco de eventos adversos e de resistência bacteriana. A conduta correta é: coletar cultura de urina apenas quando houver sintomas ou forte suspeita clínica de infecção, e tratar somente os casos sintomáticos.

Guarde o critério decisivo: sintomas urinários presentes → coleta e tratamento; ausência de sintomas → não coletar, não tratar. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.

Bacteriúria assintomática em idosos institucionalizados
  • 1Conduta correta
    • Não rastrear (coleta rotineira)
    • Não tratar
    • Coletar só com sintomas urinários
  • 2Por que não tratar
    • Não reduz mortalidade
    • Não previne infecção sintomática
    • Risco de efeitos adversos
    • Risco de resistência bacteriana
  • 3Infecção sintomática (tratar)
    • Disúria, polaciúria, urgência
    • Delirium / queda do estado geral
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que não há indicação de coleta rotineira e que a coleta só deve ser feita quando há sintomas urinários. Isso está perfeitamente alinhado com as diretrizes de manejo da bacteriúria assintomática em idosos institucionalizados. O rastreamento universal é desaconselhado, e a cultura de urina deve ser reservada para pacientes sintomáticos, nos quais o resultado orienta a escolha do antibiótico. A conduta correta é exatamente essa: não rastrear, não tratar bacteriúria assintomática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A coleta de cultura de urina a cada 2 meses em todos os pacientes é uma conduta de rastreamento que não encontra respaldo nas diretrizes. Além de não haver evidência de que essa prática reduza o risco de delirium, ela levaria ao diagnóstico de bacteriúria assintomática em grande parte dos idosos, com consequente tratamento desnecessário e aumento da resistência bacteriana. O delirium em idosos institucionalizados tem múltiplas causas (medicamentos, desidratação, infecções de qualquer sítio, distúrbios metabólicos), e a prevenção não se faz com rastreamento de urina.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A coleta mensal para diagnóstico precoce de infecção urinária em idosos acamados é outra forma de rastreamento sem indicação. O diagnóstico precoce de infecção urinária só é relevante quando há sintomas; na ausência deles, a cultura positiva representa bacteriúria assintomática, que não deve ser tratada. A coleta mensal geraria um grande número de culturas positivas sem significado clínico, levando a tratamentos desnecessários e a um ciclo vicioso de uso de antibióticos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A prescrição profilática de nitrofurantoína a todos os idosos é uma conduta totalmente equivocada. A profilaxia antibiótica não é recomendada para prevenção de infecção urinária em idosos institucionalizados, pois não há evidência de benefício e o risco de efeitos adversos e de resistência bacteriana é alto. Além disso, a nitrofurantoína é contraindicada em pacientes com insuficiência renal, condição comum nessa população. A alternativa mistura dois erros: a coleta rotineira (que não deve ser feita) e a profilaxia antibiótica (que não é indicada).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A coleta mensal somente para mulheres acamadas é uma variação do rastreamento, igualmente sem indicação. Embora a bacteriúria assintomática seja mais prevalente em mulheres, isso não justifica a coleta rotineira. A conduta correta permanece a mesma: coletar apenas na presença de sintomas, independentemente do sexo ou da mobilidade do paciente. A alternativa tenta criar uma falsa especificidade para confundir o candidato.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre bacteriúria assintomática e infecção urinária sintomática. O candidato que sabe que a bacteriúria é comum em idosos institucionalizados pode ser tentado a aceitar a ideia de que a coleta periódica é útil para "vigiar" o paciente. Mas a diretriz é clara: rastrear não previne complicações — só gera tratamento desnecessário. Lembre-se: sintoma presente → coleta; sintoma ausente → não coleta.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, desconfie de alternativas que propõem coletas periódicas (mensais, bimestrais) ou profilaxia antibiótica para idosos institucionalizados. A regra de ouro é: não rastrear bacteriúria assintomática. Se a alternativa menciona "coleta rotineira" ou "profilaxia", ela está errada. A única exceção seria em situações específicas, como pré-operatório de cirurgia urológica ou gestação — que não se aplicam a este caso.

Gabarito: letra A

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