A American Geriatrics Society elaborou um algoritmo para determinar os múltiplos fatores de risco para quedas. Assinale a alternativa que contém somente os componentes desse algoritmo.
AHistórico de quedas, revisão de medicamentos, avaliação da acuidade visual.
BAvaliação da acuidade auditiva, testes de equilíbrio, testes cognitivos.
CAvaliação dos pés e calcados, força muscular, avaliação da circulação das carótidas.
DAvaliação da circulação das carótidas, avaliação da marcha, avaliação do ritmo cardíaco.
EExame neurológico, avaliação da pressão arterial, avaliação da circulação arterial dos membros inferiores.
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GabaritoA — Histórico de quedas, revisão de medicamentos, avaliação da acuidade visual.
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Algoritmo da American Geriatrics Society para avaliação de risco de quedas
Gabarito: letra A. A American Geriatrics Society (AGS) estruturou um algoritmo de avaliação multifatorial do risco de quedas em idosos, e os componentes centrais desse algoritmo são o histórico de quedas, a revisão de medicamentos e a avaliação da acuidade visual — exatamente o que a alternativa A reúne. As demais alternativas misturam componentes que, embora façam parte da avaliação geriátrica ampla, não são os pilares do algoritmo específico da AGS para quedas.
O algoritmo da AGS para prevenção de quedas em idosos que vivem na comunidade é uma ferramenta prática que orienta o médico a investigar, de forma estruturada, os principais fatores de risco modificáveis. A lógica por trás dele é simples e poderosa: quedas raramente têm uma causa única — são, na maioria das vezes, o resultado da interação de múltiplos fatores, como fragilidade, uso de medicamentos de alto risco, déficits sensoriais e problemas de mobilidade. Por isso, a avaliação precisa ser abrangente, mas ao mesmo tempo focada nos elementos que têm maior impacto e que podem ser abordados com intervenções específicas.
O primeiro passo do algoritmo é perguntar sobre quedas anteriores. O histórico de quedas é o mais forte preditor de novas quedas: um idoso que já caiu uma vez tem risco muito maior de cair novamente. Em seguida, o algoritmo orienta a revisão minuciosa dos medicamentos, com atenção especial aos psicotrópicos (benzodiazepínicos, antidepressivos, neurolépticos), antiarrítmicos da classe IA e à polifarmácia (uso de quatro ou mais medicamentos), pois todos aumentam o risco de queda por diferentes mecanismos — sedação, hipotensão ortostática, tontura. Por fim, a avaliação da acuidade visual é componente obrigatório, já que déficits visuais (catarata, baixa acuidade, diminuição da sensibilidade ao contraste) comprometem a percepção do ambiente e a estabilidade postural.
Na prática, o médico aplica o algoritmo assim: ao atender um idoso, pergunta se ele sofreu alguma queda no último ano. Se sim, ou se ele relata medo de cair ou instabilidade, o médico parte para a avaliação estruturada — que inclui, entre outros pontos, a revisão da lista de medicamentos e o teste de acuidade visual. Esses três elementos formam o núcleo do rastreamento inicial proposto pela AGS. É importante notar que o algoritmo não se limita a isso — ele também contempla avaliação da marcha e equilíbrio, pressão arterial postural, exames neurológicos e musculoesqueléticos —, mas a questão pede especificamente os componentes que estão somente no algoritmo, e a alternativa A é a única que traz três componentes que são, de fato, pilares desse algoritmo.
A pegadinha da questão está em distinguir o algoritmo da AGS (que é um fluxograma de rastreamento e manejo) da avaliação geriátrica ampla (que é um conceito mais abrangente). Muitos dos itens citados nas alternativas erradas — como avaliação dos pés, força muscular, testes cognitivos, exame neurológico — fazem parte da avaliação do idoso com risco de queda, mas não são os componentes que definem o algoritmo específico da AGS. A banca explora exatamente essa confusão entre o que é o algoritmo e o que é a avaliação completa.
Guarde este critério: o algoritmo da AGS para quedas começa com a triagem (histórico de quedas) e os pilares de avaliação (medicamentos e visão). É essa tríade que a alternativa A espelha — e é nela que as alternativas se dividem.
Algoritmo AGS (risco de quedas)
1Triagem inicial
Histórico de quedas
Medo de cair / instabilidade
2Pilares de avaliação
Revisão de medicamentos
Psicotrópicos
Polifarmácia (≥4)
Acuidade visual
3Fora do algoritmo
Carótidas
Ritmo cardíaco
Circulação arterial
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa reúne os três componentes centrais do algoritmo da AGS: histórico de quedas (o ponto de partida da triagem), revisão de medicamentos (foco nos psicotrópicos e na polifarmácia) e avaliação da acuidade visual (identificação de déficits que comprometem a estabilidade). Esses são os elementos que o algoritmo prioriza como fatores de risco modificáveis e de alta prevalência, e é exatamente essa combinação que a AGS preconiza como núcleo da avaliação inicial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa traz avaliação da acuidade auditiva, testes de equilíbrio e testes cognitivos. Embora a perda auditiva e o comprometimento cognitivo sejam fatores de risco para quedas, eles não são componentes do algoritmo específico da AGS. O algoritmo prioriza a tríade histórico de quedas, medicamentos e visão; a audição e a cognição entram na avaliação geriátrica ampla, mas não como pilares do fluxograma da AGS. O erro está em incluir a acuidade auditiva, que não faz parte do algoritmo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa menciona avaliação dos pés e calçados, força muscular e avaliação da circulação das carótidas. Os dois primeiros itens são, de fato, relevantes na avaliação do risco de quedas — a força muscular e a avaliação dos pés aparecem no contexto da avaliação musculoesquelética. No entanto, a avaliação da circulação das carótidas não é um componente do algoritmo da AGS para quedas; trata-se de um exame voltado para investigação de doença vascular, não para risco de queda. A alternativa mistura elementos pertinentes com um que foge completamente ao escopo do algoritmo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa traz avaliação da circulação das carótidas, avaliação da marcha e avaliação do ritmo cardíaco. A avaliação da marcha é um componente importante da avaliação de quedas, mas a circulação das carótidas e o ritmo cardíaco não são pilares do algoritmo da AGS. O ritmo cardíaco pode ser relevante em casos específicos (arritmias que causam síncope), mas não integra o fluxograma de rastreamento da AGS. A alternativa erra ao incluir dois itens que não pertencem ao algoritmo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa menciona exame neurológico, avaliação da pressão arterial e avaliação da circulação arterial dos membros inferiores. O exame neurológico e a pressão arterial postural são, sim, parte da avaliação do idoso com risco de queda — a hipotensão ortostática é um fator de risco clássico. No entanto, a avaliação da circulação arterial dos membros inferiores (como Doppler ou índice tornozelo-braquial) não é um componente do algoritmo da AGS para quedas; é um exame para doença arterial periférica, não para risco de queda. A alternativa mistura itens pertinentes com um que está fora do escopo do algoritmo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato misturando componentes da avaliação geriátrica ampla (força muscular, pés, marcha, pressão arterial, cognição) com os componentes específicos do algoritmo da AGS. O candidato que estudou o tema de forma genérica pode marcar uma alternativa que traz itens verdadeiros, mas que não são os pilares do algoritmo. A chave é lembrar que o algoritmo da AGS começa com a tríade: histórico de quedas + revisão de medicamentos + acuidade visual. Com esse filtro, a alternativa A se destaca imediatamente.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre o algoritmo da AGS, memorize a tríade inicial: quedas prévias, medicamentos e visão. Sempre que a alternativa trouxer itens como carótidas, ritmo cardíaco ou circulação arterial, desconfie — esses não fazem parte do fluxograma. Na dúvida, pergunte-se: "esse item é um fator de risco modificável que o algoritmo prioriza?" Se não for, está fora.