Osteoporose: epidemiologia e impacto das fraturas
Gabarito: letra B. Nas mulheres, a incidência de osteoporose aumenta após os 50 anos, período que coincide com a pós-menopausa e a aceleração da perda óssea por deficiência estrogênica — é o que a alternativa B afirma corretamente. As demais alternativas erram ao inverter a epidemiologia (a doença é mais comum em mulheres), ao generalizar o mesmo marco etário para os homens (cujo aumento se dá mais tardiamente, em geral após os 70 anos) ou ao negar o impacto das fraturas sobre morbidade e mortalidade.
A osteoporose é o distúrbio mais comum do metabolismo ósseo e mineral, caracterizado pelo comprometimento da resistência óssea, o que predispõe a fraturas por fragilidade. A resistência óssea tem dois componentes: a densidade mineral óssea (DMO) e a qualidade do osso (arquitetura, renovação, mineralização e acúmulo de microfraturas). A doença afeta cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com mais de 50 anos — ou seja, é marcadamente mais prevalente no sexo feminino.
O padrão de perda óssea difere entre os sexos. Nas mulheres, a deficiência estrogênica da pós-menopausa acelera o remodelamento ósseo, com predomínio da reabsorção sobre a formação, especialmente nos primeiros 10 anos após a menopausa. Isso explica por que a incidência aumenta após os 50 anos. Nos homens, a perda óssea relacionada ao envelhecimento é mais gradual e o aumento expressivo dos casos ocorre mais tardiamente — o rastreamento por densitometria é indicado para todas as mulheres com idade ≥ 65 anos e homens ≥ 70 anos, ou na presença de fatores de risco.
As fraturas osteoporóticas têm enorme impacto clínico. As fraturas do colo do fêmur, por exemplo, associam-se a mortalidade superior a 20% no primeiro ano, e mais de 40% dos pacientes não retornam ao estado ambulatorial anterior. As fraturas vertebrais, embora com menor morbidade imediata, também elevam a mortalidade em 5 anos e pioram a qualidade de vida. Portanto, as fraturas aumentam tanto a morbidade quanto a mortalidade — o que derruba as alternativas D e E.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de fazer o candidato confundir a epidemiologia entre os sexos e o impacto das fraturas. A banca explora a ideia de que "o aumento nos homens ocorre após os 50 anos, assim como nas mulheres" (alternativa C), quando na verdade o marco etário é diferente. Guarde a fronteira: mulheres → aumento após 50 anos (pós-menopausa); homens → aumento mais tardio, geralmente após 70 anos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a osteoporose é mais comum em homens do que em mulheres. É exatamente o oposto: a doença afeta cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com mais de 50 anos. O sexo feminino é um fator de risco clássico, principalmente pela perda óssea acelerada na pós-menopausa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. Nas mulheres, a incidência de osteoporose aumenta após os 50 anos, período que coincide com a pós-menopausa e a deficiência estrogênica, que acelera a reabsorção óssea. É o marco epidemiológico clássico da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que, assim como nas mulheres, nos homens o aumento dos casos ocorre após os 50 anos. Nos homens, a perda óssea relacionada ao envelhecimento é mais gradual e o aumento expressivo da incidência ocorre mais tardiamente — o rastreamento por densitometria é indicado para homens ≥ 70 anos (e mulheres ≥ 65 anos). Portanto, o marco etário não é o mesmo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que as fraturas estão associadas ao aumento da morbidade, mas não da mortalidade. É falso: as fraturas osteoporóticas, especialmente as do colo do fêmur, estão associadas a aumento significativo de mortalidade (superior a 20% no primeiro ano) e de morbidade (perda de independência, institucionalização).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a ocorrência de fraturas não está associada ao aumento da morbidade. É o oposto: as fraturas aumentam a morbidade — mais de 40% dos pacientes com fratura do colo do fêmur não retornam ao estado ambulatorial anterior, e cerca de 20% são institucionalizados. As fraturas vertebrais também pioram a qualidade de vida.
Gabarito: letra B