Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu098692
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itatiba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Historiador
Ao descrever as comunidades tupinambá e tupiniquim, Hans Staden comentou: “Cada um obedece ao principal da sua cabana. O que o principal ordena é feito, não a força ou por medo, porém de boa vontade”. Os primeiros jesuítas, por sua vez, lamentavam com frequência a ausência de um “rei” entre os Tupi, reconhecendo que a fragmentação política servia de obstáculo ao seu trabalho. Escrevendo de São Vicente, Pedro Correia relatou que a conversão dos índios havia de ser uma tarefa muito difícil “porque não tem Rei; antes, em cada aldeia e casa, há seu Principal”.(John Manuel Monteiro. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo, 1994. Adaptado)O excerto apresenta
Auma análise da estrutura política existente entre os povos indígenas, em que cada aldeia se constituía como uma unidade administrativa submetida a um conselho central.
Bo reconhecimento da organização política dessas comunidades, o que facilitou o contato dos colonizadores com os povos indígenas mencionados.
Cformas de autoridade das lideranças indígenas e a dificuldade dos europeus em compreenderem as fontes de autoridade política nas sociedades indígenas.
Duma reflexão que valoriza a organização política dos povos indígenas mencionados, reconhecendo a superioridade civilizatória desses nativos.
Ea existência de uma sociedade que, apesar de não possuir classes sociais, estava organizada em grupos semelhantes aos das sociedades medievais da Europa ocidental.
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GabaritoC — formas de autoridade das lideranças indígenas e a dificuldade dos europeus em compreenderem as fontes de autoridade política nas sociedades indígenas.
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Organização política Tupi e a visão europeia
Gabarito: letra C. O excerto contrapõe a descrição de Hans Staden sobre a obediência voluntária aos principais (chefes locais) com a queixa dos jesuítas sobre a ausência de um “rei”, evidenciando as formas de autoridade indígenas e a incompreensão europeia diante da fragmentação política, sem hierarquia centralizada.
A questão exige compreensão da leitura: o texto mostra duas perspectivas – a do viajante alemão, que observa a autoridade dos chefes de cabana, e a dos missionários, que veem a falta de um poder unificado como obstáculo à conversão.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as aldeias estavam submetidas a um conselho central. O texto, ao contrário, enfatiza a ausência de uma autoridade central (“não tem Rei”), com cada aldeia tendo seu próprio principal. Portanto, não há conselho central.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O excerto não indica que a organização política facilitou o contato; os jesuítas lamentam justamente que a fragmentação dificulta o trabalho missionário. Logo, a interpretação é oposta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Staden descreve como as lideranças locais são obedecidas voluntariamente, e os jesuítas mostram dificuldade em compreender um poder sem rei. A alternativa capta exatamente esse binômio: formas de autoridade indígena e a incompreensão europeia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A passagem não valoriza nem reconhece superioridade civilizatória; limita-se a relatar observações e queixas. Não há juízo de valor positivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O texto não estabelece comparação com a sociedade medieval europeia. A menção a “grupos sem classes sociais” e à analogia medieval é completamente alheia ao excerto.
PEGA ESSA DICA!
Nessas questões de interpretação histórica, foque no que o texto efetivamente afirma e no que os personagens (colonizadores, missionários, viajantes) expressam. O erro comum é projetar ideias externas ou inverter o sentido das dificuldades relatadas.