Geografia – Urbanização e crise ambiental
Gabarito: letra D. O texto descreve um paradoxo entre práticas urbanas que se pretendem sustentáveis (parques, coleta seletiva, educação ambiental) e ações que degradam o ambiente (canalização de rios, impermeabilização do solo, descumprimento de normas ambientais). A dimensão central desse paradoxo, segundo o excerto, é a necessidade de repensar a produção do espaço urbano e as desigualdades socioespaciais, pois as consequências da crise ambiental atingem com mais intensidade a população vulnerável. A resposta D capta exatamente essa exigência.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o paradoxo reflete a ação segmentada e fragmentada do Estado na execução do planejamento urbano e ambiental. Embora o texto mencione contradições nas políticas, o foco do parágrafo não é apenas a fragmentação estatal, mas sim o contraste entre discurso sustentável e práticas predatórias, cujo ônus recai desigualmente sobre os mais pobres. A alternativa é insuficiente para captar a dimensão paradoxal apresentada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Alega que não há conflitos socioambientais imediatos nas cidades brasileiras, pois o Estatuto da Cidade teria instituído o conceito de cidade sustentável. O texto, ao contrário, evidencia conflitos: rios são canalizados, o solo é impermeabilizado, normas ambientais são descumpridas. Além disso, o Estatuto da Cidade não é mencionado no excerto, e a afirmação de ausência de conflitos é falsa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o esgotamento e a poluição são realidade em toda a rede urbana, decorrendo da falta de instrumentos de gestão como a Agenda 21. O texto não faz generalização para toda a rede urbana, nem menciona a Agenda 21. Além disso, a passagem mostra que instrumentos existem (parques, coleta seletiva, educação ambiental), mas são contraditoriamente aplicados. A alternativa exagera e distorce o conteúdo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O trecho evidencia o paradoxo entre ações de apelo sustentável e práticas degradantes. A conclusão implícita é que é preciso "pensar e repensar a produção do espaço urbano e as desigualdades socioespaciais", pois a crise ambiental atinge mais fortemente a população vulnerável – exatamente o que a alternativa D afirma. Ela capta a dimensão crítica e social do paradoxo, alinhada ao texto de Arlete Rodrigues.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sustenta que o paradoxo reflete a aplicação da função social da cidade e da propriedade, voltada à melhoria do padrão de vida. O texto, porém, critica justamente o descumprimento das normas ambientais e a atuação dos promotores imobiliários, indicando que a função social não está sendo aplicada. A alternativa inverte o sentido da crítica.
Gabarito: letra D.