Pular para o conteúdo principal

Questão de Geografia — Geografia Econômica — VUNESP 2025

GeografiaGeografia Econômica
Código
vu099140
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itatiba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Básico II - Geografia (Titular)
A expansão dos complexos agroindustriais constituiu o principal vetor da reestruturação produtiva da agropecuária brasileira e da organização do agribusiness ou agronegócio brasileiro. Esse processo, que também é resultado de características históricas da estrutura fundiária nacional, representa
  1. Aa implementação do Estatuto da Terra, que consolida o módulo rural como unidade de produção monocultura.
  2. Ba superação da Lei de Terras, que pôs fim a existência de propriedade coletivas e terras devolutas no país.
  3. Co incentivo às políticas agrícolas, que consolida o subsídio estatal para fomentar a produção para o mercado nacional.
  4. Da revolução na organização do campo, que assegura a função social da terra voltada à produção de alimentos.
  5. Ea modernização conservadora do espaço rural, que preserva alguns aspectos do sistema de plantation.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a modernização conservadora do espaço rural, que preserva alguns aspectos do sistema de plantation.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Expansão dos complexos agroindustriais e modernização conservadora

Gabarito: letra E. O processo descrito no enunciado – expansão dos complexos agroindustriais como vetor da reestruturação produtiva do campo brasileiro, combinado com características históricas da estrutura fundiária – é precisamente o conceito de modernização conservadora do espaço rural, que incorpora inovações técnicas e produtivas sem romper com a concentração fundiária e outros traços do sistema de plantation (grande propriedade, monocultura, exportação).

A questão testa o entendimento crítico do modelo de desenvolvimento agropecuário brasileiro, especialmente o conceito de modernização conservadora, cunhado por autores como José Graziano da Silva e outros estudiosos da questão agrária. Esse conceito descreve a transformação técnica da agricultura (mecanização, insumos químicos, integração agroindustrial) que, paradoxalmente, mantém e aprofunda a desigualdade social e a concentração de terras herdadas do período colonial e do plantation.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o processo representaria "a implementação do Estatuto da Terra, que consolida o módulo rural como unidade de produção monocultura". O Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) visava a reforma agrária e a democratização do acesso à terra, e não consolidou a monocultura. Além disso, a modernização conservadora se deu por políticas de crédito rural e subsídios, não pelo Estatuto. O módulo rural é uma unidade de medida fiscal, não de produção monocultura.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma representar "a superação da Lei de Terras, que pôs fim a existência de propriedades coletivas e terras devolutas no país". A Lei de Terras (1850) estabeleceu a compra como única forma de acesso à terra, eliminando o regime de sesmarias e terras devolutas, mas não foi "superada" pelo agronegócio; ao contrário, a concentração fundiária persiste. O processo descrito não supera, mas sim perpetua a lógica da Lei de Terras.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma representar "o incentivo às políticas agrícolas, que consolida o subsídio estatal para fomentar a produção para o mercado nacional". Embora os subsídios estatais tenham sido importantes (crédito rural, Proálcool, etc.), a afirmação é incompleta e reducionista. O processo é mais amplo: envolve a reestruturação produtiva com integração agroindustrial, e não apenas subsídio para o mercado nacional – grande parte da produção é voltada à exportação. Além disso, a alternativa não aborda o caráter conservador (manutenção da estrutura fundiária) que é central no enunciado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma representar "a revolução na organização do campo, que assegura a função social da terra voltada à produção de alimentos". A expressão "função social da terra" remete à Constituição de 1988, mas a modernização conservadora não assegura essa função social de forma ampla; pelo contrário, a concentração fundiária e a expansão de monoculturas para exportação (soja, cana, algodão) muitas vezes conflitam com a função social e com a produção de alimentos básicos. Não houve uma "revolução" no sentido de transformação social.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa capta exatamente a essência do processo: "a modernização conservadora do espaço rural, que preserva alguns aspectos do sistema de plantation". A modernização conservadora é o conceito clássico na geografia agrária brasileira para explicar como a agricultura se modernizou tecnicamente (mecanização, insumos, integração à indústria) sem alterar a estrutura fundiária concentrada e a dependência de mercados externos, herdeira do sistema plantation colonial. O enunciado menciona "características históricas da estrutura fundiária nacional", o que reforça a ideia de continuidade (preservação) dos traços do plantation.

PEGA ESSA DICA!

Ao se deparar com questões sobre o agro brasileiro, lembre-se: a expressão "modernização conservadora" é a chave para explicar a contradição entre avanço técnico e atraso social no campo. A banca adora cobrar esse conceito como síntese do desenvolvimento agropecuário brasileiro. Nas alternativas, desconfie de opções que supervalorizam o papel do Estado (C) ou que sugerem rupturas radicais (B, D).

Link permanente: /questoes/vu099140