Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu099161
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itatiba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Básico II - História (Substituto)
Leia o texto a seguir:Das figuras políticas é interessante destacar como têm sido representados nos livros didáticos os dois imperadores do Brasil: D. Pedro I, sempre jovem, porque afinal morreu com 34 anos; seu filho D. Pedro II, sempre velho, apesar dos textos escolares darem destaque ao episódio da “Maioridade” que tornou D. Pedro II chefe de Estado com apenas 15 anos. A ilustração do pai jovem e do filho velho tem causado uma certa perplexidade aos jovens leitores e falta a explicação do aparente paradoxo.(Circe Maria Fernandes Bittencourt (org.), O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1998. Adaptado)A imagem de um D. Pedro II velho foi construída
Ano período pós-monárquico e demonstra a intenção dos republicanos de explicar a queda de uma monarquia envelhecida que não teria continuidade.
Bno contexto da década de 1880 e demonstra a intenção dos apoiadores da monarquia de associarem D. Pedro II às ideias de experiência e sabedoria.
Cà época das lutas antiescravistas e demonstra a intenção dos abolicionistas de relacionar o imperador à forma arcaica e ultrapassada da escravidão.
Dpor ocasião da comemoração do cinquentenário da República, em 1939, e demonstra a intenção de Vargas de se apresentar como herdeiro de um grande estadista.
Eno início da Primeira República, e demonstra a intenção da oligarquia paulista de apresentar D. Pedro II com um semblante semelhante ao de Cristo e Tiradentes.
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GabaritoA — no período pós-monárquico e demonstra a intenção dos republicanos de explicar a queda de uma monarquia envelhecida que não teria continuidade.
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A construção da imagem de D. Pedro II "sempre velho"
Gabarito: letra A. A imagem de D. Pedro II representado como idoso nos livros didáticos foi construída no período republicano, com o objetivo de associar a Monarquia a uma instituição envelhecida e sem futuro, legitimando, assim, a Proclamação da República. Essa interpretação é defendida pela historiadora Circe Bittencourt no texto citado.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme o texto, a imagem de D. Pedro II sempre velho é paradoxal, pois ele se tornou imperador aos 15 anos. A explicação reside na intenção dos republicanos, após 1889, de construir a narrativa de que a Monarquia estava decadente e anacrônica. Ao retratar o imperador como um homem idoso, reforçava-se a ideia de que o regime monárquico não tinha mais condições de governar, justificando sua substituição pela República.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A construção dessa imagem não ocorreu na década de 1880, durante o Segundo Reinado, nem foi obra de apoiadores da monarquia. Pelo contrário, os monarquistas tinham interesse em exaltar a figura de D. Pedro II como um líder sábio e experiente, e não como um velho decrépito. A imagem de "sempre velho" é uma construção posterior, feita pelos republicanos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora as lutas antiescravistas estivessem em curso nas décadas finais do Império, não há evidência de que os abolicionistas tenham deliberadamente construído uma imagem envelhecida do imperador para associá-lo à escravidão. Na verdade, D. Pedro II era visto como um monarca que, apesar de pessoalmente contrário à escravidão, agiu com cautela; a imagem de "velho" não foi criada nesse contexto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A comemoração do cinquentenário da República em 1939, no governo Vargas, poderia ter utilizado a figura de D. Pedro II, mas a imagem do imperador idoso já estava consolidada desde o início da República. Vargas não foi o responsável por essa construção; ela data do período imediatamente posterior a 1889.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não há fundamento histórico para afirmar que a oligarquia paulista do início da República tenha criado a imagem de D. Pedro II velho com semelhança a Cristo ou Tiradentes. O texto de Bittencourt não sustenta essa associação; o objetivo republicano era desqualificar a monarquia, não sacralizar o imperador.
PEGA ESSA DICA!
Questões sobre a construção de imagens históricas em livros didáticos exigem atenção ao contexto de produção. A representação de D. Pedro II como "sempre velho" é um exemplo de como a memória histórica é moldada para atender a interesses políticos do presente. Na prova, lembre-se de que a narrativa republicana buscou enfatizar a decadência do Império.