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Questão de Medicina — Queimaduras — VUNESP 2025

MedicinaQueimaduras
Código
vu100167
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Regulador e Intervencionista
Em relação a queimaduras elétricas, é correto afirmar:
  1. Aa avaliação neurológica completa, incluindo oftalmológica, é necessária para avaliar a patologia intraocular aguda.
  2. Bo cateter de Foley deve ser inserido em todos os casos para permitir a aferição do débito urinário e titulação da administração de fluidos.
  3. Cexame cardiológico detalhado, incluindo o ecocardiograma transtorácico, é fundamental para avaliar hipocinesia.
  4. Dfasciotomia deve ser indicada precocemente, para evitar a síndrome compartimental.
  5. Etodos os compartimentos das extremidades devem ser avaliados, e um ECG de base deve ser obtido.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — todos os compartimentos das extremidades devem ser avaliados, e um ECG de base deve ser obtido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Queimaduras Elétricas: Avaliação Inicial e Conduta

Gabarito: letra E. Na avaliação inicial de queimaduras elétricas, é fundamental avaliar todos os compartimentos das extremidades (para rastrear síndrome compartimental) e obter um ECG de base, pois arritmias cardíacas são complicações comuns e potencialmente fatais nesses pacientes. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de indicação, como veremos a seguir.

As queimaduras elétricas são lesões complexas, com fisiopatologia distinta das queimaduras térmicas. Enquanto a queimadura térmica causa dano principalmente pela transferência de calor à pele, a elétrica envolve a passagem de corrente elétrica pelo corpo, causando lesão por efeito Joule (geração de calor nos tecidos) e por eletroporação (formação de poros nas membranas celulares). A gravidade depende da voltagem, amperagem e tipo de corrente (alternada ou contínua). Correntes de alta tensão (acima de 1.000 V) são as causas mais comuns de queimaduras extensas e podem causar grande necrose tecidual, percorrendo um trajeto curto pelo corpo e raramente provocando alterações cardíacas, mas podendo causar depressão do centro respiratório. Já as correntes de baixa tensão, comuns em acidentes domésticos, têm maior risco de causar fibrilação ventricular e assistolia.

Uma das complicações mais temidas é a síndrome compartimental, que pode ocorrer nas primeiras 48 horas após o trauma elétrico. Ela se caracteriza por lesão e edema muscular associados à queimadura circunferencial no membro. A expansão do compartimento muscular é limitada pela ferida queimada e, em alguns casos, pela fáscia do músculo, levando a uma elevada compressão sobre o compartimento, prejudicando a irrigação e a drenagem sanguínea, com consequente isquemia muscular. Por isso, a avaliação de todos os compartimentos das extremidades é mandatória. A pressão dentro do compartimento acima de 30 mmHg já é suficiente para causar necrose muscular. É importante estar atento aos sinais precoces: dor desproporcional ao estímulo, dor no alongamento passivo, edema não compressível, parestesias e pulsos distais com redução da amplitude. A alteração de perfusão distal e a perda do pulso periférico são achados tardios e frequentemente refletem lesão irreversível.

Outra complicação grave é a rabdomiólise, com liberação de mioglobina na corrente sanguínea, que pode causar necrose tubular aguda e insuficiência renal aguda. Recomenda-se dosar CPK (valores > 1.000 U/mL sugerem rabdomiólise) e manter diurese > 100 mL/h. Além disso, o coração é um órgão-alvo importante: arritmias podem ocorrer tanto na admissão quanto tardiamente, justificando a obtenção de um ECG de base e monitorização cardíaca.

A conduta cirúrgica, quando indicada, envolve escarotomia descompressiva e, em algumas situações, fasciotomia, promovendo a liberação do compartimento muscular. A fasciotomia, porém, não deve ser indicada precocemente de forma profilática em todos os casos — ela é reservada para quando há sinais clínicos ou pressão compartimental elevada. A decisão é baseada na suspeita clínica e na medição da pressão, não na simples presença da queimadura elétrica.

A avaliação inicial deve ser sistemática, seguindo o ABCDE do trauma, com atenção especial à exposição e ao controle do ambiente. A avaliação neurológica completa é importante, mas a oftalmológica não é rotina em todos os casos de queimadura elétrica — ela é indicada quando há suspeita de lesão ocular direta (como em queimaduras de face ou por arco elétrico). O cateter de Foley não deve ser inserido em todos os casos; sua indicação é para monitorização do débito urinário em pacientes com queimaduras extensas ou com risco de rabdomiólise, não como rotina. O ecocardiograma transtorácico não é exame de rotina na avaliação inicial; ele é reservado para casos com suspeita de disfunção miocárdica ou quando há instabilidade hemodinâmica inexplicada.

Guarde a fronteira entre o que é avaliação de rotina (ECG de base, avaliação de compartimentos, dosagem de CPK, monitorização) e o que é avaliação dirigida (ecocardiograma, avaliação oftalmológica, cateter de Foley): é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Queimaduras elétricas: avaliação inicial
  • 1Rotina (todos os pacientes)
    • ECG de base
    • Avaliação de compartimentos
    • Dosagem de CPK
  • 2Dirigida (casos selecionados)
    • Ecocardiograma (suspeita de disfunção miocárdica)
    • Avaliação oftalmológica (suspeita de lesão ocular)
    • Cateter de Foley (risco de rabdomiólise)
    • Fasciotomia (síndrome compartimental estabelecida)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A avaliação neurológica completa é importante, mas a avaliação oftalmológica não é necessária em todos os casos de queimadura elétrica. Ela é indicada quando há suspeita de lesão ocular direta, como em queimaduras de face ou por arco elétrico. A alternativa erra ao generalizar a indicação da avaliação oftalmológica para todos os casos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O cateter de Foley não deve ser inserido em todos os casos. Sua indicação é para monitorização do débito urinário em pacientes com queimaduras extensas ou com risco de rabdomiólise (para manter diurese > 100 mL/h). Em queimaduras elétricas de pequena extensão, sem risco de rabdomiólise, a monitorização pode ser feita sem cateterização. A alternativa erra ao tornar a cateterização uma rotina universal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O ecocardiograma transtorácico não é exame de rotina na avaliação inicial de queimaduras elétricas. Ele é reservado para casos com suspeita de disfunção miocárdica ou instabilidade hemodinâmica inexplicada. A avaliação cardíaca inicial é feita com ECG de base e monitorização contínua, não com ecocardiograma. A alternativa erra ao indicar um exame de maior complexidade como fundamental na fase aguda.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A fasciotomia não deve ser indicada precocemente de forma profilática em todos os casos. Ela é reservada para quando há síndrome compartimental estabelecida, com sinais clínicos ou pressão compartimental elevada (> 30 mmHg). A conduta inicial é a escarotomia descompressiva, e a fasciotomia é realizada quando há comprometimento muscular. A alternativa erra ao sugerir uma indicação precoce e indiscriminada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque reflete a conduta inicial adequada: avaliar todos os compartimentos das extremidades (para rastrear síndrome compartimental, complicação comum nas primeiras 48 horas) e obter um ECG de base (para detectar arritmias, complicação cardíaca potencialmente fatal). Essas são medidas de rotina na avaliação inicial de queimaduras elétricas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre avaliação de rotina e avaliação dirigida. O candidato pode achar que o ecocardiograma (alternativa C) é necessário para avaliar o coração, mas o exame de rotina é o ECG. Da mesma forma, pode achar que a fasciotomia (alternativa D) deve ser feita precocemente para prevenir a síndrome compartimental, mas ela é reservada para quando a síndrome já está instalada. A chave é saber o que é feito para todos os pacientes (ECG, avaliação de compartimentos) e o que é feito seletivamente (ecocardiograma, cateter de Foley, avaliação oftalmológica).

PEGA ESSA DICA!

Para questões de queimaduras elétricas, memorize a tríade de avaliação inicial: ECG de base, avaliação de compartimentos e dosagem de CPK. Esses três são rotina. Qualquer alternativa que sugira um exame mais complexo (ecocardiograma, avaliação oftalmológica) ou um procedimento invasivo (cateter de Foley, fasciotomia) como rotina universal provavelmente está incorreta.

Gabarito: letra E

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