Questão de Direito Constitucional — Controle de Constitucionalidade — VUNESP 2025
Direito Constitucional›Controle de Constitucionalidade
Código
vu100305
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Paulínia - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista de Procuradoria
A Câmara Municipal concedeu, por lei de iniciativa parlamentar, gratificação a categoria específica de servidores públicos vinculados ao Poder Executivo. Após a sanção tácita da proposição legislativa, o prefeito avalia não cumprir a lei, por entender que há vício de iniciativa, bem como que os impactos financeiros não foram avaliados pelo Poder Legislativo. Para solucionar o problema, o chefe do Poder Executivo convoca procuradores e analistas jurídicos para reunião.Com base na situação hipotética e na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, os analistas jurídicos presentes no encontro poderão afirmar corretamente que o prefeito
Adeve questionar a lei judicialmente e cumprir o seu conteúdo, enquanto não houver pronunciamento judicial.
Bpode editar decreto para suspender os efeitos financeiros da lei, por não ser obrigado a cumprir ato legislativo inconstitucional.
Cdeve reconhecer a validade da lei, por não haver reserva de iniciativa do Poder Executivo para esse tipo de matéria.
Ddeve reconhecer a validade da lei, pois o vício de iniciativa da lei foi suprido pela sanção, ainda que tácita.
Epode ajuizar Ação Direta de Inconstitucionalidade, perante o Supremo Tribunal Federal, para que seja reconhecida a invalidade da norma.
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GabaritoA — deve questionar a lei judicialmente e cumprir o seu conteúdo, enquanto não houver pronunciamento judicial.
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Vício de iniciativa e sanção do Executivo
Gabarito: letra A. O prefeito deve cumprir a lei enquanto ela não for declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário, mas pode e deve questioná-la judicialmente. A jurisprudência do STF é pacífica no sentido de que a sanção, expressa ou tácita, não convalida o vício de iniciativa (ADI 3.517). Entretanto, enquanto não houver pronunciamento judicial, a lei goza de presunção de constitucionalidade e deve ser observada.
A situação narrada envolve lei de iniciativa parlamentar que concede gratificação a servidores do Executivo – matéria de iniciativa privativa do Chefe do Executivo, por simetria ao art. 61, §1º, II, 'a' e 'c', da Constituição Federal. Logo, há inconstitucionalidade formal, mas a sanção não a convalida.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reflete exatamente o entendimento do STF: a lei é inconstitucional, mas deve ser cumprida até decisão judicial em contrário. O prefeito pode ajuizar ação direta (no âmbito estadual) ou outro meio de controle.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O prefeito não pode, por decreto, suspender os efeitos de uma lei. Isso configuraria ato de desobediência e violação ao princípio da separação dos poderes. A lei só pode ter sua eficácia suspensa por decisão judicial ou, excepcionalmente, pelo próprio Legislativo (art. 52, X, CF, para leis federais, mas aqui é municipal).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Há, sim, reserva de iniciativa do Executivo para leis que criem cargos, funções ou aumentem remuneração de servidores públicos (art. 61, §1º, II, 'a' e 'c', CF). Por simetria, aplica-se aos Estados e Municípios.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A sanção, ainda que tácita, não convalida o vício de iniciativa. Nesse sentido: STF, ADI 3.517: "A aquiescência do Chefe do Poder Executivo mediante sanção, expressa ou tácita, do projeto de lei [...] não tem o condão de sanar o vício de inconstitucionalidade..."
Alternativa E — ❌ Incorreta
A Ação Direta de Inconstitucionalidade perante o STF é cabível apenas para leis ou atos normativos federais ou estaduais (art. 102, I, 'a', CF). Para leis municipais, o controle concentrado é feito perante o Tribunal de Justiça do Estado, por meio de Representação de Inconstitucionalidade (art. 125, §2º, CF).
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre vício de iniciativa, lembre-se: a sanção não convalida, mas a lei deve ser cumprida até decisão judicial. O chefe do Executivo não pode simplesmente descumpri-la, deve buscar o Judiciário.
MNEMÔNICO
Ex TUNC bate na TESTA / Ex NUNC bate na NUCA
TUNCbate na TESTA (retroage, efeitos retroativos, desde a origem)NUNCbate na NUCA (não retroage, efeitos a partir de agora)
Efeitos das decisões no controle de constitucionalidade