Novas infecções vêm fazendo parte, de forma endêmica ou epidêmica, do dia a dia das gestantes e puérperas, dentre elas, a covid-19. Com relação às gestantes e puérperas, segundo dados de 2023 do boletim do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19), no Brasil já houve 25 163 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) confirmados por covid-19 e 2000 óbitos. Houve redução de 462 óbitos maternos em 2020 para 75 óbitos em 2022.Sobre a covid-19 na gestação, assinale a alternativa correta.
AA vacina AstraZeneca/ Fiocruz é atualmente recomendada para gestantes.
BAs vacinas contra covid-19 podem ser administradas a qualquer momento da gravidez.
COs principais sintomas da covid-19 na gestação são tosse produtiva e dor abdominal.
DGestantes no primeiro trimestre têm maior risco de desenvolver doença grave, em relação ao terceiro trimestre.
EComorbidades pré-gestação não aumentam o risco para hospitalização.
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GabaritoB — As vacinas contra covid-19 podem ser administradas a qualquer momento da gravidez.
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Covid-19 na gestação: vacinação e fatores de risco
Gabarito: letra B. As vacinas contra a covid-19 podem ser administradas em qualquer momento da gestação, conforme recomendação do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria — não há restrição por trimestre gestacional. As demais alternativas apresentam erros: a vacina AstraZeneca/Fiocruz não é recomendada para gestantes, os sintomas típicos não são tosse produtiva e dor abdominal, o risco de doença grave é maior no terceiro trimestre (não no primeiro) e comorbidades pré-gestação aumentam sim o risco de hospitalização.
A covid-19 na gestação é um tema de alta relevância em saúde pública, pois as gestantes são consideradas grupo de risco pelo Ministério da Saúde. Isso se deve às modificações fisiológicas próprias da gravidez — aumento da necessidade de oxigênio, diminuição da capacidade pulmonar e alterações no sistema imune — que tornam a mulher mais suscetível a infecções respiratórias. Apesar disso, a maioria das gestantes infectadas pelo SARS-CoV-2 não apresenta complicações graves, evoluindo com sintomas de quadro gripal comum, muitas vezes leves ou até assintomáticos.
A vacinação é a principal estratégia de prevenção. O Calendário de Vacinação da Sociedade Brasileira de Pediatria (atualização 2025-2026) é explícito ao recomendar, durante a gestação, a vacina covid-19 "em qualquer momento da gestação", ao lado da dTpa (a partir de 20 semanas), influenza (conforme sazonalidade) e VSR (a partir da 28ª semana). Essa recomendação reflete a segurança e a efetividade das vacinas disponíveis, além do benefício de proteger tanto a mãe quanto o recém-nascido nos primeiros meses de vida, já que os anticorpos maternos são transferidos pela placenta.
A escolha da vacina, porém, não é indiferente. A vacina AstraZeneca/Fiocruz (vetor viral) foi contraindicada para gestantes no Brasil, sendo preferidas as vacinas de vírus inativado (Coronavac) ou de RNA mensageiro (Pfizer). Essa contraindicação é uma pegadinha clássica: a banca troca a vacina recomendada pela que não é, explorando o conhecimento desatualizado de quem não acompanhou as atualizações das notas técnicas do Ministério da Saúde.
Quanto à gravidade, os dados epidemiológicos mostram que o risco de doença grave, hospitalização e óbito é maior no terceiro trimestre da gestação, e não no primeiro. Isso ocorre porque, com o avançar da gestação, as alterações fisiológicas se intensificam: o útero crescido eleva o diafragma, reduzindo ainda mais a capacidade pulmonar, e a demanda de oxigênio aumenta progressivamente. Além disso, fatores de risco como obesidade, diabetes, idade materna avançada (> 35 anos) e outras comorbidades pré-gestacionais elevam significativamente a chance de desfechos adversos, incluindo internação em UTI e ventilação mecânica.
Guarde esses quatro pilares — vacina em qualquer momento, vacina específica (não AstraZeneca), maior risco no terceiro trimestre e comorbidades como fator de risco — pois são exatamente eles que separam as alternativas corretas das incorretas nesta questão.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A vacina AstraZeneca/Fiocruz não é recomendada para gestantes no Brasil. Trata-se de vacina de vetor viral (adenovírus), que foi contraindicada para esse grupo por questões de segurança, sendo preferidas as vacinas de vírus inativado (Coronavac) ou de RNA mensageiro (Pfizer). A banca explora aqui o conhecimento desatualizado: quem não acompanha as notas técnicas do Ministério da Saúde pode marcar esta alternativa como correta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As vacinas contra covid-19 podem ser administradas a qualquer momento da gravidez, conforme recomendação do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. O Calendário de Vacinação da SBP (atualização 2025-2026) é explícito: "são recomendadas, durante a gestação, as vacinas: covid-19 (em qualquer momento da gestação)". Não há restrição por trimestre — a vacinação é segura e recomendada em qualquer fase da gestação, sendo estratégia fundamental para proteger a mãe e o recém-nascido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os principais sintomas da covid-19 na gestação não são tosse produtiva e dor abdominal. O quadro típico é de síndrome gripal: febre, tosse seca, mialgia, cefaleia, anosmia (perda de olfato) e ageusia (perda de paladar). A tosse produtiva e a dor abdominal não são manifestações predominantes da covid-19 — a banca troca os sintomas característicos por outros inespecíficos, tentando confundir o candidato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Gestantes no terceiro trimestre têm maior risco de desenvolver doença grave, e não no primeiro. Com o avançar da gestação, as alterações fisiológicas se intensificam — o útero crescido eleva o diafragma, reduzindo a capacidade pulmonar, e a demanda de oxigênio aumenta — o que torna a mulher mais vulnerável a complicações respiratórias. A alternativa inverte a relação: afirma que o primeiro trimestre é o de maior risco, quando na verdade é o terceiro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Comorbidades pré-gestação aumentam sim o risco de hospitalização por covid-19. Obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular e idade materna avançada (> 35 anos) são fatores de risco bem estabelecidos para desfechos adversos, incluindo internação em UTI e ventilação mecânica. A alternativa nega uma relação amplamente documentada na literatura e nos boletins epidemiológicos, como o do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a realidade epidemiológica e vacinal da covid-19 na gestação. Aqui, ela troca a vacina recomendada (AstraZeneca pela Coronavac/Pfizer), inverte o trimestre de maior risco (terceiro pelo primeiro) e nega o papel das comorbidades como fator de risco. Fique atento: vacina em qualquer momento da gestação, mas não a AstraZeneca; risco maior no terceiro trimestre; comorbidades sempre pioram o prognóstico. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de covid-19 na gestação, memorize o tripé: (1) vacinação liberada em qualquer trimestre, exceto AstraZeneca; (2) risco de gravidade cresce com a idade gestacional — terceiro trimestre é o pior; (3) comorbidades (obesidade, diabetes, HAS) e idade > 35 anos são fatores de risco para hospitalização e óbito. Esses três pontos cobrem a maioria das pegadinhas da banca.