Questão de Odontologia — Anestesiologia em Odontologia — VUNESP 2025
Odontologia›Anestesiologia em Odontologia
Código
vu101335
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sertãozinho - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Dentista para Pessoas com Necessidades Especiais
A avaliação pré-anestésica é fundamental nos pacientes que serão submetidos à anestesia geral, especialmente naqueles portadores de necessidades especiais que apresentem doenças de ordem genética, pois há maior risco de desenvolvimento de reações adversas como
Ahipertensão arterial sistêmica.
Bchoque anafilático.
Cinsuficiência renal crônica.
Dhipertermia maligna.
Ediestesia.
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GabaritoD — hipertermia maligna.
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Hipertermia maligna: a complicação genética mais temida na anestesia geral
Gabarito: letra D. A hipertermia maligna é uma reação farmacogenética grave, desencadeada por anestésicos inalatórios halogenados e succinilcolina, com predisposição hereditária autossômica dominante — por isso o risco é maior em pacientes com doenças genéticas, como os portadores de necessidades especiais. As demais alternativas (hipertensão arterial sistêmica, choque anafilático, insuficiência renal crônica e diestesia) não são reações adversas específicas e geneticamente determinadas da anestesia geral.
A hipertermia maligna (HM) é uma síndrome hipermetabólica do músculo esquelético, deflagrada por agentes anestésicos voláteis (halotano, sevoflurano, desflurano, isoflurano) e pelo relaxante muscular despolarizante succinilcolina. Em indivíduos geneticamente suscetíveis, esses fármacos provocam liberação maciça e descontrolada de cálcio do retículo sarcoplasmático, levando a contratura muscular generalizada, aumento intenso do consumo de oxigênio, produção excessiva de calor (daí a hipertermia), acidose metabólica e respiratória, rabdomiólise e hipercalemia — quadro que, sem tratamento imediato com dantrolene sódico, pode ser fatal.
A base genética é o que conecta a questão ao enunciado: a suscetibilidade à HM é herdada de forma autossômica dominante, frequentemente associada a mutações no gene do receptor de rianodina (RYR1). Por isso, pacientes com doenças genéticas — como distrofias musculares, miopatias congênitas, síndromes como a de King-Denborough ou a doença do núcleo central — apresentam risco aumentado. Na avaliação pré-anestésica, o cirurgião-dentista ou o anestesiologista deve investigar história pessoal e familiar de reações adversas à anestesia, febre inexplicada no perioperatório, e considerar a suscetibilidade à HM como contraindicação relativa ao uso dos agentes desencadeantes.
A banca explora aqui um conhecimento específico de anestesiologia: distinguir as complicações que são inerentes à anestesia geral e que têm predisposição genética daquelas que são reações gerais, alérgicas ou comorbidades prévias. A hipertermia maligna é o exemplo clássico de reação adversa farmacogenética — exatamente o que o enunciado pede. As outras opções, embora possam ocorrer no perioperatório, não são reações adversas específicas e geneticamente determinadas da anestesia geral.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece complicações que podem ocorrer durante uma anestesia geral, mas que não têm a especificidade genética da hipertermia maligna. O candidato pode confundir "choque anafilático" (letra B) com a reação adversa esperada, mas o choque anafilático é uma reação alérgica mediada por IgE, não uma farmacogenética. A palavra-chave do enunciado é "doenças de ordem genética" — isso aponta diretamente para a hipertermia maligna, que é a única complicação com forte componente hereditário entre as opções.
Reações adversas à anestesia geral
1Com predisposição genética
Hipertermia maligna (gabarito)
Anestésicos inalatórios halogenados
Succinilcolina
Herança autossômica dominante
2Sem predisposição genética
Choque anafilático (reação alérgica IgE)
Hipertensão arterial (comorbidade prévia)
Insuficiência renal crônica (comorbidade prévia)
Disestesia (termo inexistente/neurológico)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma comorbidade crônica comum, mas não é uma reação adversa específica da anestesia geral nem tem relação direta com doenças genéticas. Durante a anestesia, pode haver variações pressóricas, mas a HAS não é uma reação farmacogenética como a hipertermia maligna. O erro está em tratar uma doença pré-existente como se fosse uma reação adversa desencadeada pela anestesia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O choque anafilático é uma reação alérgica aguda e grave, mediada por IgE, que pode ocorrer com qualquer fármaco, inclusive anestésicos. Porém, não é uma reação específica de pacientes com doenças genéticas — qualquer pessoa pode desenvolver anafilaxia. A banca coloca essa opção para confundir com a reação adversa grave, mas o choque anafilático não tem a base genética que o enunciado destaca.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A insuficiência renal crônica (IRC) é uma doença degenerativa e progressiva, não uma reação adversa aguda da anestesia geral. Embora pacientes com IRC exijam cuidados especiais na anestesia (ajuste de doses, evitar nefrotóxicos), a IRC não é desencadeada pela anestesia nem tem relação com doenças genéticas no contexto da pergunta. É uma comorbidade, não uma reação adversa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipertermia maligna é a reação adversa mais temida na anestesia geral em pacientes com predisposição genética. É uma síndrome hipermetabólica desencadeada por anestésicos inalatórios halogenados e succinilcolina, com herança autossômica dominante. O enunciado menciona "doenças de ordem genética" e "maior risco de reações adversas" — exatamente o perfil da HM. Na avaliação pré-anestésica, deve-se rastrear história familiar e pessoal de HM, evitando os agentes desencadeantes em pacientes suscetíveis.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Diestesia" não é um termo reconhecido na anestesiologia. O termo correto seria "disestesia", que é uma alteração da sensibilidade (sensação anormal, desagradável, espontânea ou provocada), geralmente de origem neurológica, e não uma reação adversa à anestesia geral. A banca usa um termo parecido com "disestesia" para confundir, mas não se aplica ao contexto de reações adversas genéticas.
Gabarito: letra D — a hipertermia maligna é a reação adversa geneticamente determinada que deve ser investigada na avaliação pré-anestésica de pacientes com doenças genéticas.