A propósito da prescrição de memantina e anticolinesterásicos no tratamento da doença de Alzheimer e o risco de quedas, assinale a alternativa correta.
AA memantina foi associada a bradicardia e sincope.
BNenhum dos anticolinesterásicos foi associado a alterações do ritmo cardíaco e sincope.
CA rivastigmina foi associada a um maior risco de quedas devido a desencadear Torsade de Pointes.
DAlguns estudos demonstraram que a donepezila está associada a melhora da velocidade de marcha no comprometimento cognitivo leve.
EDentre os anticolinesterasicos, a galantamina foi a que melhor resultado teve na prevenção de quedas.
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GabaritoD — Alguns estudos demonstraram que a donepezila está associada a melhora da velocidade de marcha no comprometimento cognitivo leve.
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Farmacologia da doença de Alzheimer: memantina, anticolinesterásicos e risco de quedas
Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que afirma que alguns estudos demonstraram associação da donepezila com melhora da velocidade de marcha no comprometimento cognitivo leve (CCL). As demais alternativas contêm erros conceituais sobre os efeitos cardíacos e o risco de quedas desses medicamentos, que serão detalhados a seguir.
A doença de Alzheimer (DA) é a demência mais comum e seu tratamento farmacológico sintomático baseia-se em duas classes principais: os inibidores da acetilcolinesterase (AChEIs) — donepezila, rivastigmina e galantamina — e a memantina, um antagonista do receptor NMDA (glutamatérgico). Os AChEIs atuam aumentando a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica, enquanto a memantina modula a excitotoxicidade glutamatérgica. Ambos produzem benefício cognitivo modesto, mas a segurança cardiovascular e o risco de quedas são preocupações clínicas relevantes, especialmente no idoso frágil.
O ponto central desta questão é o perfil de segurança cardiovascular dessas drogas. Os AChEIs, ao aumentarem a atividade colinérgica, podem causar bradicardia e síncope por estimulação vagal — efeito de classe, mas mais estudado e documentado com a donepezila. A memantina, por sua vez, tem perfil cardiovascular mais neutro, não sendo classicamente associada a bradicardia ou síncope. A rivastigmina não é associada a Torsade de Pointes; esse risco é mais relacionado a outras classes, como antipsicóticos. Quanto ao risco de quedas, os AChEIs podem contribuir por mecanismos como bradicardia, síncope e efeitos colaterais como náuseas e tontura, mas a relação com a galantamina especificamente como a de melhor resultado na prevenção de quedas não é sustentada pela literatura.
A alternativa D aborda um achado específico e menos conhecido: estudos observacionais e ensaios clínicos sugerem que a donepezila pode estar associada a melhora da velocidade de marcha em pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL). Esse efeito é atribuído à melhora da função cognitiva e possivelmente a efeitos sobre a função executiva e a atenção, que influenciam a marcha. É um dado que foge do senso comum — que associa AChEIs apenas a efeitos adversos — e por isso é o gabarito.
A banca explora a confusão entre os efeitos adversos de classe e os efeitos específicos de cada fármaco. O candidato que sabe que AChEIs podem causar bradicardia pode marcar a alternativa A, mas ela está errada porque atribui esse efeito à memantina. A alternativa B erra ao negar qualquer efeito cardíaco dos AChEIs. A C erra ao atribuir Torsade de Pointes à rivastigmina. A E erra ao eleger a galantamina como a melhor na prevenção de quedas. A D é a única que traz uma informação correta e específica.
Fármaco
Mecanismo
Efeitos cardíacos
Risco de quedas
Achado específico
Memantina
Antagonista NMDA
Neutro (não causa bradicardia/síncope)
Não classicamente associada
Perfil cardiovascular neutro
Donepezila
Inibidor da AChE
Bradicardia e síncope (estimulação vagal)
Pode contribuir (bradicardia, síncope)
Associada a melhora da velocidade de marcha no CCL (gabarito)
Rivastigmina
Inibidor da AChE
Bradicardia e síncope (efeito de classe)
Pode contribuir
Não associada a Torsade de Pointes
Galantamina
Inibidor da AChE
Bradicardia e síncope (efeito de classe)
Pode contribuir
Sem evidência de melhor prevenção de quedas
Fármacos para Alzheimer
1Anticolinesterásicos
Donepezila
Bradicardia e síncope
Melhora da marcha no CCL
Rivastigmina
Efeitos GI (forma oral)
Menos efeitos GI (adesivo)
Galantamina
Bradicardia e síncope
2Memantina
Perfil cardiovascular neutro
Tontura e sonolência
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A memantina não é classicamente associada a bradicardia e síncope. Seu mecanismo de ação como antagonista NMDA não interfere diretamente no sistema cardiovascular. Bradicardia e síncope são efeitos adversos mais característicos dos inibidores da acetilcolinesterase, especialmente a donepezila, devido ao aumento do tônus vagal. A banca inverteu o perfil de segurança: atribuiu à memantina um efeito que é típico dos AChEIs.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação de que nenhum anticolinesterásico foi associado a alterações do ritmo cardíaco e síncope é falsa. Como efeito de classe, os AChEIs podem causar bradicardia e síncope por estimulação colinérgica vagal. A donepezila, em particular, tem relatos e estudos associando-a a bradicardia e síncope, especialmente em idosos com comorbidades cardiovasculares. A palavra "nenhum" torna a alternativa incorreta, pois generaliza indevidamente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A rivastigmina não é associada a Torsade de Pointes. Esse tipo de arritmia maligna está mais relacionado ao prolongamento do intervalo QT, efeito mais comum com outras classes de medicamentos, como antipsicóticos e alguns antiarrítmicos. A rivastigmina pode causar bradicardia e síncope, como outros AChEIs, mas não há associação estabelecida com Torsade de Pointes. A alternativa mistura conceitos de diferentes classes farmacológicas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Estudos demonstraram que a donepezila pode estar associada a melhora da velocidade de marcha em pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL). Esse efeito é atribuído à melhora da função cognitiva, especialmente da atenção e função executiva, que influenciam diretamente a marcha. É um achado específico e contraintuitivo, pois o senso comum associa AChEIs apenas a efeitos adversos. A alternativa está correta ao afirmar essa associação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não há evidência robusta de que a galantamina tenha o melhor resultado na prevenção de quedas entre os anticolinesterásicos. O risco de quedas com AChEIs está mais relacionado a bradicardia, síncope e efeitos colaterais como tontura. Não há estudos que demonstrem superioridade da galantamina na prevenção de quedas. A alternativa atribui um benefício não comprovado a um fármaco específico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o efeito de classe e o efeito específico de cada fármaco. O candidato que sabe que AChEIs causam bradicardia pode marcar a alternativa A, mas ela atribui esse efeito à memantina, que tem perfil cardiovascular neutro. A alternativa D é contraintuitiva — associa donepezila a um benefício (melhora da marcha) em vez de um efeito adverso — e por isso é a correta. Fique atento: a banca adora inverter o perfil de segurança das drogas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre efeitos adversos de medicamentos, monte uma tabela mental com o perfil de cada fármaco: AChEIs (bradicardia, síncope, náuseas, vômitos) vs. memantina (tontura, sonolência, perfil cardiovascular neutro). E lembre-se: efeitos de classe não são iguais a efeitos específicos de cada droga. A donepezila é a mais estudada para efeitos cardíacos; a rivastigmina tem a vantagem da forma transdérmica com menos efeitos GI; a galantamina não tem benefício comprovado na prevenção de quedas.