Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2025
- Código
- vu101677
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Prefeitura de Sertãozinho - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Geriatra
- AQuetiapina.
- BAripiprazol.
- COlanzapina.
- DRisperidona.
- EClosapina.
GabaritoB — Aripiprazol.
Gabarito: letra B. O aripiprazol é considerado o antipsicótico com melhor tolerabilidade entre os idosos, principalmente por seu mecanismo de ação como agonista parcial dopaminérgico, que confere menor risco de efeitos extrapiramidais, sedação, ganho de peso e alterações metabólicas quando comparado aos demais antipsicóticos atípicos listados. Essa característica o torna uma opção preferencial na prática geriátrica, embora a escolha deva ser individualizada.
A tolerabilidade de um antipsicótico no idoso é um dos pilares da prescrição segura, pois essa população apresenta maior sensibilidade aos efeitos adversos, especialmente os anticolinérgicos, os extrapiramidais, a sedação e os metabólicos. O envelhecimento altera a farmacocinética (redução do clearance renal e hepático, aumento da meia-vida) e a farmacodinâmica (maior sensibilidade aos receptores dopaminérgicos e colinérgicos), o que torna essencial escolher fármacos com perfil mais limpo. O aripiprazol, por ser um agonista parcial dos receptores D2 e 5-HT1A, e antagonista 5-HT2A, estabiliza a via dopaminérgica sem bloqueio excessivo, o que reduz drasticamente os efeitos extrapiramidais e a hiperprolactinemia. Além disso, tem baixo potencial de sedação e ganho de peso, comparado à olanzapina e à quetiapina, e menor risco de prolongamento do intervalo QT, comparado à risperidona. A clozapina, embora eficaz na esquizofrenia refratária, é reservada para casos específicos devido ao risco de agranulocitose, miocardite e outras reações graves, sendo contraindicada como primeira escolha no idoso.
Na prática clínica, a escolha do antipsicótico no idoso deve considerar não apenas a eficácia, mas também o perfil de eventos adversos, as comorbidades e as interações medicamentosas. Por exemplo, em um idoso com demência e sintomas psicóticos, o aripiprazol pode ser preferível à risperidona se houver risco cardiovascular, ou à quetiapina se houver risco de sedação excessiva. A individualização é a regra, mas a literatura e as diretrizes de geriatria frequentemente apontam o aripiprazol como uma das opções mais bem toleradas, especialmente em relação aos efeitos metabólicos e motores.
A pegadinha desta questão está em associar "melhor tolerabilidade" a um fármaco de uso comum, como a quetiapina (muito usada em idosos para insônia e agitação, mas com alto potencial de sedação e hipotensão ortostática) ou a risperidona (eficaz, porém com maior risco de efeitos extrapiramidais e hiperprolactinemia). O candidato que não conhece o perfil farmacológico detalhado pode cair na armadilha de escolher o fármaco mais "familiar" em vez do que realmente tem melhor perfil de tolerabilidade. O aripiprazol, por ser um agonista parcial, é a alternativa que melhor equilibra eficácia e segurança no idoso.
Guarde o critério decisivo: a tolerabilidade no idoso é determinada pelo perfil de efeitos adversos (extrapiramidais, metabólicos, sedativos, cardiovasculares). O aripiprazol se destaca por minimizar esses riscos, sendo a resposta correta.
A quetiapina é amplamente utilizada em idosos, mas não é a de melhor tolerabilidade. Seu perfil de efeitos adversos inclui sedação significativa, hipotensão ortostática, ganho de peso, aumento do risco de síndrome metabólica e efeitos anticolinérgicos. Embora tenha baixo risco de efeitos extrapiramidais, a sedação e os efeitos metabólicos comprometem sua tolerabilidade, especialmente em idosos frágeis.
O aripiprazol é um agonista parcial dos receptores D2 e 5-HT1A, o que confere um perfil de tolerabilidade superior no idoso. Ele apresenta baixo risco de efeitos extrapiramidais, hiperprolactinemia, sedação e ganho de peso, sendo uma opção preferencial na prática geriátrica. Seu mecanismo "estabilizador" da via dopaminérgica reduz os efeitos adversos motores e metabólicos, tornando-o a alternativa com melhor tolerabilidade entre as listadas.
A olanzapina é eficaz, mas tem alto potencial de ganho de peso, dislipidemia, hiperglicemia e sedação, além de efeitos anticolinérgicos. Esses efeitos metabólicos são particularmente problemáticos em idosos, que já apresentam maior risco de síndrome metabólica, comprometendo sua tolerabilidade.
A risperidona é eficaz, mas apresenta maior risco de efeitos extrapiramidais e hiperprolactinemia, especialmente em doses mais altas. Em idosos, a sensibilidade a esses efeitos é aumentada, o que limita sua tolerabilidade. Embora seja uma opção válida, não é a de melhor perfil de tolerabilidade.
A clozapina é reservada para esquizofrenia refratária e casos específicos, devido ao risco de agranulocitose (que exige monitoramento hematológico rigoroso), miocardite, sedação intensa, ganho de peso e síndrome metabólica. Seu perfil de segurança é desfavorável para uso rotineiro em idosos, sendo a alternativa com pior tolerabilidade entre as listadas.
Gabarito: letra B
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