Durante a avaliação geriátrica ampla, uma paciente de 85 anos, sexo feminino, foi classificada como frágil por apresentar os 5 critérios do fenótipo de Fried et al: diminuição de velocidade de marcha, perda de peso não intencional, diminuição de atividades, autorrelato de cansaço e diminuição da força de preensão palmar. Concomitantemente, sua avaliação funcional foi de Katz, 6 pontos (independente para as atividades básicas) e Pfeffer, 0 ponto (independente para as atividades instrumentais).Assinale a alternativa correta quanto à analise dessa avaliação geriátrica ampla.
AO diagnóstico de fragilidade é incompatível com uma pontuação de 0 na escala de Pfeffer.
BUma paciente considerada frágil deve pontuar ao menos 8 pontos na escala de Pfeffer.
CUma idosa frágil não pode pontuar 6 na escala de Katz.
DUma paciente considerada frágil pode ser independente para as atividades instrumentais, mas dependente para as básicas.
EA síndrome de fragilidade, necessariamente, deve levar a comprometimento tanto para as atividades básicas quanto instrumentais da vida diária.
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GabaritoA — O diagnóstico de fragilidade é incompatível com uma pontuação de 0 na escala de Pfeffer.
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Avaliação geriátrica ampla: fragilidade e independência funcional
Gabarito: letra A. A alternativa A está incorreta porque afirma que o diagnóstico de fragilidade é incompatível com uma pontuação de 0 na escala de Pfeffer — mas fragilidade e independência funcional são conceitos que podem coexistir: uma idosa pode ser frágil pelo fenótipo de Fried e, ainda assim, ser independente para as atividades instrumentais (Pfeffer = 0). A fragilidade é um estado de vulnerabilidade biológica, enquanto a independência funcional é a capacidade de realizar tarefas do cotidiano — e a avaliação geriátrica ampla (AGA) justamente avalia esses domínios de forma separada e complementar.
O fenótipo de fragilidade descrito por Fried et al. é um modelo biológico que identifica um estado de vulnerabilidade aumentada, caracterizado pela presença de três ou mais dos seguintes critérios: perda de peso não intencional (≥ 4,5 kg no último ano), fadiga autorrelatada, diminuição da força de preensão palmar, diminuição da velocidade de marcha e baixo nível de atividade física. A paciente do enunciado apresenta os cinco critérios, sendo, portanto, inequivocamente classificada como frágil. No entanto, a fragilidade fenotípica não é sinônimo de dependência funcional. A escala de Katz avalia as atividades básicas da vida diária (ABVD), como banho, vestir-se, higiene, transferência, continência e alimentação — pontuação máxima de 6 indica independência total. A escala de Pfeffer avalia as atividades instrumentais da vida diária (AIVD), como usar telefone, fazer compras, preparar refeições, cuidar da casa, lavar roupa, usar transporte, lidar com finanças e medicações — pontuação 0 indica independência total. A coexistência de fragilidade com independência funcional é um cenário clínico comum e importante: o idoso frágil pode ainda manter sua autonomia para as atividades do dia a dia, mas apresenta maior vulnerabilidade a desfechos adversos, como quedas, hospitalizações e declínio funcional futuro. A AGA, portanto, avalia esses domínios de forma integrada, mas independente — a fragilidade não determina, necessariamente, dependência funcional.
A distinção entre fragilidade e dependência funcional é um dos pilares da geriatria moderna. A fragilidade é um estado de reserva fisiológica diminuída, que aumenta a vulnerabilidade a estressores; a dependência funcional é a incapacidade de realizar atividades da vida diária sem auxílio. Um idoso pode ser frágil e independente, frágil e dependente, ou não frágil e dependente (por exemplo, por uma condição aguda). A banca explora exatamente essa confusão conceitual: o candidato que associa fragilidade a dependência funcional tende a marcar alternativas que impõem uma relação de causalidade entre os dois conceitos, quando na verdade eles são avaliados de forma independente na AGA.
A pegadinha central desta questão é a inversão da relação entre fragilidade e independência funcional. A banca apresenta uma paciente com fenótipo de fragilidade completo (5 critérios) e, ao mesmo tempo, independência total nas escalas funcionais (Katz = 6, Pfeffer = 0). A alternativa A afirma que essa combinação é incompatível, o que é falso — e é exatamente essa a armadilha. O candidato que não domina a distinção entre os conceitos tende a aceitar a premissa da alternativa A como verdadeira, marcando-a como correta, quando na verdade ela é a incorreta pedida pela questão.
Guarde a fronteira entre fragilidade e dependência funcional: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A questão pede a alternativa incorreta, e a única que impõe uma relação de incompatibilidade entre os dois conceitos é a letra A.
Fragilidade (Fried)
13+ critérios
Perda de peso
Fadiga
Força de preensão
Velocidade de marcha
Atividade física
2Independência funcional pode coexistir
3Independência funcional
ABVD (Katz)
6 = independência total
AIVD (Pfeffer)
0 = independência total
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Alternativa A — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que o diagnóstico de fragilidade é incompatível com uma pontuação de 0 na escala de Pfeffer. Isso é falso: a fragilidade fenotípica e a independência funcional são conceitos independentes. A paciente do enunciado é frágil (5 critérios de Fried) e, ao mesmo tempo, independente para as atividades instrumentais (Pfeffer = 0). Essa combinação é clinicamente possível e até comum — a fragilidade é um estado de vulnerabilidade biológica, enquanto a independência funcional é a capacidade de realizar tarefas do cotidiano. A AGA avalia esses domínios de forma separada e complementar, e a presença de fragilidade não implica, necessariamente, dependência funcional. Portanto, a alternativa A está incorreta — e, como a questão pede a incorreta, é o gabarito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que uma paciente considerada frágil deve pontuar ao menos 8 pontos na escala de Pfeffer. Isso é falso por dois motivos: primeiro, a escala de Pfeffer não tem pontuação máxima de 8 — ela varia de 0 a 30, sendo que 0 indica independência total e pontuações mais altas indicam maior dependência. Segundo, não há nenhuma relação obrigatória entre fragilidade e um escore mínimo na escala de Pfeffer. A fragilidade é avaliada pelo fenótipo de Fried, e a independência funcional é avaliada por escalas específicas — não há um valor de corte que vincule os dois conceitos. A alternativa B tenta impor uma relação numérica que não existe na prática clínica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que uma idosa frágil não pode pontuar 6 na escala de Katz. Isso é falso: a escala de Katz avalia as atividades básicas da vida diária (ABVD), e a pontuação 6 indica independência total para essas atividades. A fragilidade fenotípica não implica, necessariamente, dependência para as ABVD — um idoso pode ser frágil e ainda assim ser independente para banho, vestir-se, higiene, transferência, continência e alimentação. A paciente do enunciado é um exemplo claro: frágil (5 critérios de Fried) e independente para as ABVD (Katz = 6). A alternativa C tenta impor uma relação de exclusão que não existe.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que uma paciente considerada frágil pode ser independente para as atividades instrumentais, mas dependente para as básicas. Essa afirmação é verdadeira em si — é possível um idoso ser frágil e independente para AIVD, mas dependente para ABVD. No entanto, a questão pede a alternativa incorreta, e a alternativa D não é incorreta: ela descreve uma possibilidade clínica real. O erro da alternativa D é que ela não se aplica ao caso da paciente do enunciado, que é independente tanto para as ABVD (Katz = 6) quanto para as AIVD (Pfeffer = 0). Mas a afirmação em si é verdadeira — e, como a questão pede a incorreta, a alternativa D não é o gabarito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que a síndrome de fragilidade, necessariamente, deve levar a comprometimento tanto para as atividades básicas quanto instrumentais da vida diária. Isso é falso: a fragilidade é um estado de vulnerabilidade biológica que aumenta o risco de declínio funcional, mas não o determina de forma obrigatória. Um idoso pode ser frágil e ainda manter sua independência funcional — como a paciente do enunciado, que é frágil (5 critérios de Fried) e independente para ABVD (Katz = 6) e AIVD (Pfeffer = 0). A alternativa E usa o termo "necessariamente", que é um marcador clássico de generalização indevida — a fragilidade não leva, de forma obrigatória, ao comprometimento funcional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre fragilidade e dependência funcional. O candidato que associa fragilidade a incapacidade tende a aceitar a premissa da alternativa A como verdadeira, marcando-a como correta — quando na verdade ela é a incorreta pedida. Lembre-se: fragilidade é vulnerabilidade biológica; independência funcional é capacidade de realizar tarefas. São conceitos independentes na AGA.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, desconfie de alternativas que usam termos como "incompatível", "necessariamente" ou "deve pontuar" — eles costumam impor relações de causalidade que não existem entre conceitos independentes. Fragilidade e dependência funcional são avaliadas de forma separada na AGA.
Gabarito: letra A — a única alternativa incorreta, pois a fragilidade é compatível com independência funcional (Pfeffer = 0).