Assinale a alternativa correta quanto à indicação medicamentosa no tratamento da demência na doença de Alzheimer.
AA associação de memantina com qualquer um dos anticolinesterásicos, em sua fase inicial, diminui a progressão do declínio cognitivo, mas não traz benefício no controle dos transtornos psicocomportamentais.
BEstudos demonstram que a associação de dois anticolinesterásicos não é melhor que a prescrição de um anticolinesterásico na diminuição da progressão do declínio cognitivo, mas há melhor controle no controle dos distúrbios psicocomportamentais.
CA associação de um anticolinesterásico e memantina pode trazer algum benefício no retardo da progressão dos declínios cognitivos e no controle dos distúrbios psicocomportamentais em sua fase moderada a grave.
DA associação de rivastigmina e memantina traz mais benefícios na diminuição da progressão do declínio cognitivo do que a associação de galantamina e memantina nas fases moderadas a grave.
ENem o declínio cognitivo nem as alterações psicocomportamentais beneficiam-se do uso de anticolinesterásicos ou memantina.
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GabaritoC — A associação de um anticolinesterásico e memantina pode trazer algum benefício no retardo da progressão dos declínios cognitivos e no controle dos distúrbios psicocomportamentais em sua fase moderada a grave.
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Tratamento farmacológico da doença de Alzheimer: anticolinesterásicos e memantina
Gabarito: letra C. A associação de um anticolinesterásico com memantina pode trazer benefício no retardo da progressão do declínio cognitivo e no controle dos distúrbios psicocomportamentais, especialmente nas fases moderada a grave da doença de Alzheimer — é exatamente o que a alternativa C afirma, em consonância com as evidências e com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.
A doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência e caracteriza-se por um declínio progressivo da cognição e da funcionalidade, acompanhado frequentemente de sintomas psicológicos e comportamentais (SPCD), como agitação, agressividade, delírios e depressão. O tratamento farmacológico disponível é sintomático, ou seja, não modifica a evolução da doença, mas pode melhorar ou estabilizar temporariamente os sintomas. As duas classes de medicamentos aprovadas são os anticolinesterásicos (donepezila, rivastigmina e galantamina) e a memantina, um antagonista glutamatérgico.
Os anticolinesterásicos atuam inibindo a enzima acetilcolinesterase, aumentando a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica — neurotransmissor deficiente na DA. São indicados para as fases leve a moderada (CDR 1 e 2). A memantina, por sua vez, antagoniza os receptores NMDA do glutamato, reduzindo a excitotoxicidade; é indicada para as fases moderada a grave (CDR 2 e 3). A lógica da associação é complementar: enquanto o anticolinesterásico age no déficit colinérgico, a memantina age na toxicidade glutamatérgica, e há evidências de que a combinação pode trazer benefício adicional no retardo do declínio cognitivo e no controle dos sintomas comportamentais, sobretudo na fase moderada a grave.
O PCDT da doença de Alzheimer, do Ministério da Saúde, incorpora a associação de donepezila com memantina para pacientes com diagnóstico recente de demência grave (CDR 3) e para aqueles em manutenção que progridem para CDR 3, conforme atualização de 2025. Isso reforça a indicação da combinação nas fases mais avançadas. É importante destacar que não há evidência de benefício na associação de dois anticolinesterásicos entre si — a combinação deve ser sempre de um anticolinesterásico com memantina.
A pegadinha central desta questão está na fase da doença e no tipo de associação: a banca explora a confusão entre associar dois anticolinesterásicos (errado) e associar um anticolinesterásico com memantina (correto), além de tentar induzir o candidato a achar que a associação só traria benefício cognitivo, sem impacto comportamental — quando, na verdade, ambas as classes também são opção no tratamento dos sintomas neuropsiquiátricos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o tipo de associação e a fase da doença. A alternativa B fala em associar "dois anticolinesterásicos" — isso não é feito na prática clínica; a associação válida é anticolinesterásico + memantina. Já a alternativa A restringe o benefício da associação à fase inicial, quando a combinação é mais estudada nas fases moderada a grave. Fique atento: o benefício da associação é justamente nas fases mais avançadas, e ele abrange tanto cognição quanto sintomas comportamentais.
Tratamento farmacológico da DA: Anticolinesterásicos (Donepezila, rivastigmina, galantamina, Fase leve a moderada, Aumentam acetilcolina); Memantina (Fase moderada a grave, Antagonista NMDA (glutamato)); Associação (anticolinesterásico + memantina) (Retarda declínio cognitivo, Controla sintomas comportamentais, Fase moderada a grave (CDR 2 e 3)); Associação de 2 anticolinesterásicos (Sem benefício adicional, Aumenta efeitos colaterais)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a associação de memantina com anticolinesterásico na fase inicial diminui a progressão do declínio cognitivo, mas não traz benefício no controle dos transtornos psicocomportamentais. Há dois erros: (1) a associação é mais estudada e indicada nas fases moderada a grave, não na fase inicial; (2) tanto os anticolinesterásicos quanto a memantina são opção no tratamento dos sintomas neuropsiquiátricos, podendo evitar ou reduzir o uso de antipsicóticos. A alternativa erra ao negar o benefício comportamental.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a associação de dois anticolinesterásicos não é melhor que um isolado na cognição, mas traz melhor controle dos distúrbios psicocomportamentais. O erro é duplo: (1) a associação de dois anticolinesterásicos não é uma prática recomendada — não há evidência de benefício adicional e o risco de efeitos colaterais colinérgicos aumenta; (2) a associação estudada e indicada é entre um anticolinesterásico e a memantina, não entre dois anticolinesterásicos. A alternativa parte de uma premissa incorreta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a associação de um anticolinesterásico e memantina pode trazer benefício no retardo da progressão do declínio cognitivo e no controle dos distúrbios psicocomportamentais na fase moderada a grave. Isso está em linha com as evidências e com o PCDT: a combinação é indicada para pacientes com DA moderada a grave (CDR 2 e 3), podendo retardar o declínio cognitivo e ajudar no manejo dos sintomas comportamentais. A alternativa espelha corretamente a prática clínica recomendada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a associação de rivastigmina e memantina traz mais benefícios cognitivos do que a associação de galantamina e memantina nas fases moderada a grave. Não há evidência robusta de superioridade de um anticolinesterásico específico sobre outro quando combinado com memantina. Os três anticolinesterásicos (donepezila, rivastigmina e galantamina) são considerados opções equivalentes em eficácia; a escolha se baseia em perfil de efeitos colaterais, tolerabilidade e preferência do paciente, não em superioridade de eficácia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que nem o declínio cognitivo nem as alterações psicocomportamentais se beneficiam do uso de anticolinesterásicos ou memantina. Isso contraria toda a evidência disponível: ambas as classes têm benefício sintomático comprovado, ainda que modesto, tanto na cognição quanto nos sintomas comportamentais. A alternativa nega completamente a eficácia do tratamento farmacológico, o que é incorreto.