Paciente de 30 anos, sem antecedentes relevantes, com acidente vascular cerebral isquêmico em território de artéria cerebral média direita. No dia do evento, teve dor cervical e o exame por angiorressonância mostrou afilamento da artéria carótida interna à direita com hipersinal na parede do vaso na sequência ponderada em T1 com saturação de gordura. A etiologia do AVC é:
Aateromatose de grande vaso.
Bdoença de moyamoya.
Carterite de Takayasu.
Ddissecção arterial.
Etumor do glomus jugular.
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GabaritoD — dissecção arterial.
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Dissecção arterial como etiologia do AVC isquêmico
Gabarito: letra D. O quadro clínico — paciente jovem, dor cervical precedendo o AVC isquêmico — e os achados de imagem — afilamento da carótida interna com hipersinal na parede do vaso em T1 com saturação de gordura — são altamente sugestivos de dissecção arterial (dissecção da artéria carótida interna). O hipersinal na parede do vaso na sequência T1 com supressão de gordura corresponde ao hematoma intramural, achado clássico da dissecção.
A dissecção arterial é uma causa importante de AVC isquêmico em adultos jovens (< 50 anos), sendo responsável por cerca de 10-25% dos casos nessa faixa etária. Ela ocorre quando há uma ruptura da íntima ou hemorragia na camada média da parede arterial, criando um hematoma intramural que pode estenosar ou ocluir o vaso, ou ainda servir de fonte embólica. A dor cervical (cervicalgia) é um sintoma sentinela frequente, que precede o déficit neurológico em horas ou dias. O diagnóstico é confirmado por angiorressonância ou angiotomografia, que mostram o afilamento irregular do vaso e, na ressonância, o hipersinal na parede em T1 com saturação de gordura (representando o hematoma intramural). O tratamento agudo envolve antiagregação plaquetária ou anticoagulação, e a maioria dos pacientes tem boa recuperação.
A investigação etiológica do AVC em paciente jovem deve incluir, além da dissecção arterial, a pesquisa de trombofilias, vasculites e defeitos interatriais, conforme as diretrizes. A dissecção arterial é uma causa relativamente comum de AVC em jovens, e a suspeita clínica é fundamental para o diagnóstico precoce e a instituição de terapia adequada.
A distinção entre as etiologias é crucial para a conduta terapêutica. A ateromatose de grande vaso é mais comum em idosos com fatores de risco vascular, a doença de moyamoya é uma vasculopatia oclusiva progressiva dos vasos intracranianos, a arterite de Takayasu é uma vasculite de grandes vasos que afeta a aorta e seus ramos, e o tumor do glomus jugular é uma neoplasia do corpo carotídeo. A dissecção arterial, por sua vez, é uma causa de AVC em jovens, frequentemente associada a trauma cervical ou a doenças do tecido conjuntivo, e o achado de hipersinal na parede do vaso em T1 com saturação de gordura é patognomônico.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que são causas de AVC, mas que não se encaixam no quadro clínico e nos achados de imagem apresentados. O candidato deve estar atento à combinação de dor cervical, paciente jovem e o sinal radiológico de hipersinal na parede do vaso, que aponta diretamente para a dissecção arterial.
AVC isquêmico em jovem
1Etiologias
Dissecção arterial
Dor cervical precedendo
Hipersinal na parede (T1 c/ saturação de gordura)
Hematoma intramural
Ateromatose de grande vaso
Idosos, fatores de risco
Moyamoya
Vasculopatia oclusiva intracraniana
Arterite de Takayasu
Vasculite de grandes vasos
Tumor do glomus jugular
Massa expansiva no pescoço
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ateromatose de grande vaso é uma causa comum de AVC em idosos, associada a fatores de risco como hipertensão, diabetes e dislipidemia. O quadro clínico do paciente jovem, sem antecedentes relevantes, e o achado de hipersinal na parede do vaso em T1 com saturação de gordura não são compatíveis com ateromatose, que se manifesta como estenose ou oclusão por placa aterosclerótica, sem o hematoma intramural característico da dissecção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A doença de moyamoya é uma vasculopatia oclusiva progressiva dos vasos intracranianos, mais comum em crianças e adultos jovens, mas que se manifesta com estenose das artérias do polígono de Willis e a formação de uma rede colateral anormal ("fumaça"). O achado de hipersinal na parede do vaso em T1 com saturação de gordura não é típico de moyamoya, que se caracteriza por estenose das artérias intracranianas, sem o hematoma intramural da dissecção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A arterite de Takayasu é uma vasculite de grandes vasos que afeta a aorta e seus ramos, mais comum em mulheres jovens. O quadro clínico inclui sintomas sistêmicos como febre, mal-estar e claudicação de membros, e o diagnóstico é feito por angiorressonância ou angiotomografia, que mostram espessamento e estenose dos grandes vasos. O achado de hipersinal na parede do vaso em T1 com saturação de gordura não é típico de Takayasu, que se manifesta com espessamento da parede arterial, mas sem o hematoma intramural da dissecção.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dissecção arterial é uma causa importante de AVC isquêmico em adultos jovens, e o quadro clínico de dor cervical precedendo o déficit neurológico, associado ao achado de afilamento da carótida interna com hipersinal na parede do vaso em T1 com saturação de gordura, é altamente sugestivo. O hipersinal na parede do vaso corresponde ao hematoma intramural, que é o achado clássico da dissecção arterial na ressonância magnética. O tratamento agudo envolve antiagregação plaquetária ou anticoagulação, e a maioria dos pacientes tem boa recuperação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tumor do glomus jugular é uma neoplasia do corpo carotídeo, que se manifesta como uma massa pulsátil no pescoço, podendo causar sintomas compressivos. O quadro clínico de AVC isquêmico em paciente jovem, com dor cervical e hipersinal na parede do vaso em T1 com saturação de gordura, não é compatível com tumor do glomus jugular, que se apresenta como uma massa expansiva, sem o hematoma intramural da dissecção.