Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu101772
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sertãozinho - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Neurologista
Paciente do sexo feminino, 30 anos, com queixa de visão dupla há 2 meses. O sintoma é intermitente e piora ao longo do dia. Ao exame, apresenta semiptose bilateral assimétrica, com presença do sinal da cortina e do sinal de Cogan. A fisiopatologia da fraqueza, neste caso, tem topografia
  1. Ano mesencéfalo.
  2. Bno nervo oculomotor.
  3. Cna junção neuromuscular.
  4. Dno músculo levantador da pálpebra.
  5. Eno seio cavernoso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — na junção neuromuscular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Miastenia gravis: topografia da fraqueza na junção neuromuscular

Gabarito: letra C. A paciente apresenta visão dupla intermitente que piora ao longo do dia, semiptose bilateral assimétrica, sinal da cortina e sinal de Cogan — quadro clássico de miastenia gravis, cuja fisiopatologia da fraqueza tem topografia na junção neuromuscular (alternativa C). A doença é autoimune, mediada por anticorpos contra o receptor de acetilcolina (AChR) na placa motora, e o diagnóstico é essencialmente clínico, confirmado por testes como o de Tensilon, eletroneuromiografia e dosagem de anticorpos.

A miastenia gravis é uma doença autoimune que afeta a transmissão neuromuscular. O anticorpo ataca os receptores de acetilcolina na membrana pós-sináptica da placa motora, reduzindo o número de receptores funcionais e, consequentemente, a eficácia da transmissão do impulso nervoso para o músculo. Isso resulta em fraqueza muscular flutuante, que piora com a atividade e melhora com o repouso — a chamada fadabilidade muscular.

A apresentação clínica típica inclui ptose palpebral (frequentemente assimétrica), diplopia, disfagia, disartria e fraqueza proximal dos membros. Os sinais citados no enunciado são altamente sugestivos:

  • Sinal da cortina: ao olhar para cima, a pálpebra superior retrai, revelando uma prega cutânea que se assemelha a uma cortina — indica fraqueza do músculo levantador da pálpebra.

  • Sinal de Cogan: contração involuntária da pálpebra após o paciente olhar para baixo e retornar ao olhar primário — também indica fadiga do músculo levantador.

A fraqueza na miastenia gravis é decorrente do comprometimento da junção neuromuscular, e não de lesões em outras topografias do sistema nervoso. A banca explora exatamente essa distinção: as alternativas A, B, D e E apontam para locais que podem causar ptose e diplopia, mas por mecanismos diferentes.

Para diferenciar, é essencial lembrar que a miastenia gravis é uma doença da placa motora (junção neuromuscular), enquanto outras condições como paralisia do nervo oculomotor (III par), lesões no mesencéfalo (núcleo do III par) ou no seio cavernoso afetam a inervação do músculo, mas não a transmissão neuromuscular em si. A fadabilidade e a flutuação dos sintomas ao longo do dia são a chave para o diagnóstico.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O mesencéfalo abriga o núcleo do nervo oculomotor (III par), e lesões nessa região podem causar ptose e diplopia. No entanto, a fisiopatologia da miastenia gravis não é central — é uma doença da junção neuromuscular. Além disso, lesões mesencefálicas geralmente causam sintomas constantes, não flutuantes como na miastenia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O nervo oculomotor (III par) inerva o músculo levantador da pálpebra e os músculos extraoculares. Uma lesão nesse nervo causa ptose e diplopia, mas com características diferentes: a pupila pode estar comprometida (midríase), e os sintomas não apresentam a flutuação típica da miastenia. A fisiopatologia miastênica não está no nervo, mas na junção entre o nervo e o músculo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A miastenia gravis é uma doença autoimune que afeta a junção neuromuscular. Os anticorpos contra o receptor de acetilcolina reduzem a eficácia da transmissão sináptica, causando fraqueza muscular flutuante. Os sinais clínicos apresentados — diplopia intermitente que piora ao longo do dia, semiptose bilateral assimétrica, sinal da cortina e sinal de Cogan — são patognomônicos da doença e apontam diretamente para essa topografia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O músculo levantador da pálpebra é o efetor final da ptose, mas a fraqueza na miastenia não é primariamente muscular. A doença afeta a transmissão neuromuscular, não o músculo em si. Distúrbios musculares primários (miopatias) causariam fraqueza mais difusa e não apresentariam a flutuação característica da miastenia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O seio cavernoso é uma estrutura anatômica que contém o III, IV e VI pares cranianos, além do ramo oftálmico do V par. Lesões nessa região (trombose séptica, tumores, aneurismas) podem causar oftalmoplegia dolorosa, mas não explicam a fadabilidade e a flutuação dos sintomas da miastenia. Além disso, a miastenia não é uma doença estrutural do seio cavernoso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as topografias que causam ptose e diplopia. O candidato pode ser tentado a escolher o nervo oculomotor (B) ou o músculo levantador (D), mas a chave está na flutuação dos sintomas e nos sinais clássicos (cortina e Cogan), que apontam inequivocamente para a junção neuromuscular. Lembre-se: miastenia = doença da placa motora, não do nervo nem do músculo.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar miastenia gravis de outras causas de ptose/diplopia, foque em três características: (1) flutuação diurna (piora à noite), (2) fadabilidade (piora com uso repetido), e (3) resposta aos anticolinesterásicos (teste de Tensilon). Esses achados são específicos da junção neuromuscular e não ocorrem em lesões nervosas ou musculares.

Gabarito: letra C — a fisiopatologia da fraqueza na miastenia gravis tem topografia na junção neuromuscular.

Link permanente: /questoes/vu101772