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Questão de Medicina — Pneumologia — VUNESP 2025

MedicinaPneumologia
Código
vu101812
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sertãozinho - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Pneumologista
Pacientes DPOC, mesmo sem aumento significativo de VEF1 após a administração de broncodilatadores, podem apresentar melhora clínica com o uso desta classe de medicações, devido à resposta do seguinte parâmetro espirométrico:
  1. AFEF 25-75%.
  2. Bcapacidade inspiratória.
  3. Cíndice de Tiffeneau.
  4. Dcapacidade vital.
  5. Evolume residual.
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GabaritoB — capacidade inspiratória.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

DPOC e resposta ao broncodilatador: o papel da capacidade inspiratória

Gabarito: letra B. Na DPOC, mesmo sem aumento significativo do VEF1 após broncodilatador, a melhora clínica pode ocorrer pela redução da hiperinsuflação pulmonar, refletida no aumento da capacidade inspiratória (CI). A dispneia e a limitação ao exercício correlacionam-se mais com a hiperinsuflação dinâmica do que com o VEF1, e os broncodilatadores atuam justamente retardando essa hiperinsuflação, com melhora da CI.

A DPOC é caracterizada por limitação ao fluxo aéreo não totalmente reversível, diagnosticada pela relação VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. No entanto, a correlação entre o VEF1 e os sintomas (dispneia, tolerância ao exercício) é fraca. O principal mecanismo fisiopatológico dos sintomas na DPOC é a hiperinsuflação pulmonar, tanto estática quanto dinâmica. A hiperinsuflação dinâmica ocorre quando o paciente aumenta a frequência respiratória (ex.: durante exercício) e o tempo expiratório diminui, levando a aprisionamento aéreo progressivo. Isso reduz a capacidade inspiratória, que é o volume máximo de ar que pode ser inspirado a partir do volume corrente, ou seja, o espaço disponível para ventilar.

Os broncodilatadores (LABA, LAMA, SABA, SAMA) promovem relaxamento da musculatura lisa brônquica, reduzindo a resistência das vias aéreas e, consequentemente, o aprisionamento aéreo. Isso aumenta a capacidade inspiratória, mesmo que o VEF1 não se altere significativamente. Estudos demonstram que a melhora da CI correlaciona-se melhor com a redução da dispneia e o aumento da tolerância ao exercício do que a variação do VEF1. Por isso, a CI é um parâmetro importante na avaliação da resposta terapêutica na DPOC.

A capacidade inspiratória é medida na espirometria (ou pletismografia) e representa a soma do volume corrente com o volume de reserva inspiratório. Na DPOC, com a hiperinsuflação, o volume corrente tende a ocupar uma fração maior da capacidade pulmonar total, reduzindo a CI. O broncodilatador, ao reduzir o aprisionamento, aumenta a CI, melhorando a mecânica ventilatória e os sintomas.

A pegadinha da questão está em associar a resposta ao broncodilatador apenas ao VEF1. O candidato que memoriza que a resposta é avaliada pelo VEF1 (aumento ≥ 12% e ≥ 200 mL) pode marcar a alternativa incorreta. No entanto, a questão aborda especificamente a melhora clínica sem aumento significativo do VEF1, direcionando para o parâmetro que reflete a hiperinsuflação: a capacidade inspiratória.

Guarde a distinção: o VEF1 reflete o grau de obstrução das vias aéreas; a capacidade inspiratória reflete o grau de hiperinsuflação pulmonar. Na DPOC, a resposta clínica ao broncodilatador está mais ligada à segunda.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O FEF 25-75% é um parâmetro que reflete o fluxo nas pequenas vias aéreas. Sua diminuição com VEF1 e CVF preservados sugere obstrução de pequenas vias aéreas, mas não é o parâmetro que explica a melhora clínica com broncodilatador na DPOC quando o VEF1 não aumenta. A melhora clínica está relacionada à redução da hiperinsuflação, não à melhora do fluxo nas pequenas vias.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A capacidade inspiratória (CI) é o parâmetro que reflete a hiperinsuflação pulmonar. Na DPOC, a dispneia e a limitação ao exercício correlacionam-se mais com a hiperinsuflação (estática e dinâmica) do que com o VEF1. Os broncodilatadores, ao reduzirem o aprisionamento aéreo, aumentam a CI, melhorando os sintomas mesmo sem alteração significativa do VEF1. Este é o conceito central da questão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O índice de Tiffeneau é a relação VEF1/CVF. Na DPOC, ele é < 0,70 pós-broncodilatador, caracterizando a obstrução. No entanto, ele não é o parâmetro que melhora com o broncodilatador para explicar a melhora clínica. A relação VEF1/CVF é um marcador diagnóstico, não um marcador de resposta terapêutica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A capacidade vital (CV) é o volume máximo de ar exalado após uma inspiração máxima. Na DPOC, a CV pode estar reduzida devido à hiperinsuflação, mas não é o parâmetro que melhor reflete a resposta ao broncodilatador em termos de melhora clínica. A capacidade inspiratória é mais sensível para avaliar a hiperinsuflação e a resposta ao tratamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O volume residual (VR) é o volume de ar que permanece nos pulmões após uma expiração máxima. Na DPOC, o VR está aumentado devido ao aprisionamento aéreo. Embora o broncodilatador possa reduzir o VR, a capacidade inspiratória é o parâmetro que melhor se correlaciona com a dispneia e a tolerância ao exercício, sendo o mais utilizado na prática clínica para avaliar a resposta terapêutica.

Gabarito: letra B

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