Resistência escrava no Brasil oitocentista: a visão de João José Reis
Gabarito: letra B. O historiador João José Reis afirma que as rebeliões representaram "a mais direta e inequívoca forma de resistência escrava coletiva", destacando que a resistência dos cativos foi constante e múltipla, respondendo à exploração econômica e às sujeições físicas e políticas impostas pela escravidão. A alternativa B capta exatamente essa ideia.
A questão exige a interpretação do fragmento do historiador, que sublinha o caráter ativo e frequente da contestação escrava, em oposição à visão passiva ou excepcional dos cativos. O texto contextualiza que as elites e escravistas tiveram de enfrentar a resistência "em cada lugar em que a escravidão floresceu", indicando que o fenômeno era generalizado e não episódico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as rebeliões "provocaram o recrudescimento da ordem escravista ao impor progressivamente a retirada de direitos dos escravizados". O texto não sustenta essa relação de causa e efeito; ao contrário, as rebeliões são apresentadas como uma contestação direta, mas o autor não as vincula a uma perda de direitos. A escravidão já era estruturalmente violenta e opressora.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Diz que as rebeliões "eram formas de resistências múltiplas e constantes às explorações econômicas e às sujeições físicas e políticas dos escravizados". Isso está em perfeita consonância com o texto, que afirma que "a resistência dos cativos" se deu "em cada lugar em que a escravidão floresceu" e que as rebeliões são a forma "mais direta e inequívoca" de resistência coletiva. A palavra "múltiplas" reflete a diversidade de formas de luta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alega que as rebeliões "revelaram a forte unidade na luta contra o escravismo que existia entre os alforriados, os escravos ladinos e os africanos". O fragmento não menciona essa unidade específica; ele fala em resistência coletiva, mas não detalha a composição social dos rebeldes. A afirmativa vai além do que o texto afirma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sustenta que as rebeliões "foram frequentes nas regiões de agroexportação e preocuparam pouco as autoridades imperiais e os senhores de escravizados". O texto diz o oposto: "as elites brasileiras e os escravistas de um modo geral tiveram de enfrentar a resistência dos cativos", indicando que a contestação era um problema real e preocupante. Além disso, não restringe a frequência às áreas agroexportadoras.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que as rebeliões "geraram um grande isolamento social dos escravizados em relação aos outros setores da população brasileira". O texto não aborda as consequências sociais das rebeliões, muito menos um isolamento. A resistência é analisada como enfrentamento, não como causa de segregação.
A chave para a questão é reconhecer que o historiador valoriza a agência dos escravizados e a sistematicidade de sua resistência. A alternativa B sintetiza essa perspectiva ao mencionar resistências "múltiplas e constantes" contra as opressões materiais e políticas.
Gabarito: letra B