Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu102087
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sertãozinho - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História
A matriz do dissenso historiográfico está na caracterização do sistema escravista, tido por alguns como violento e cruel, por outros como brando, benevolente. Quem inicialmente obteve grande repercussão ao difundir essa última concepção foi Gilberto Freyre.A partir da década de 1950, Florestan Fernandes, Otávio Ianni, Emília Viotti da Costa passam a produzir teses que divergem diametralmente das de Freyre.(Suely Robles Reis de Queiróz. Escravidão negra em debate.Em: Marcos Cezar de Freitas (org.).Historiografia brasileira em perspectiva. Adaptado)Para os pensadores que se opunham às ideias de Freyre, a escravidão
Ateve a função de disseminar, nas sociedades colonial e imperial, a ideologia de valorização dos escravizados, assim como da miscigenação racial.
Bera pedra basilar no processo de acumulação do capital e a coerção seria a principal forma de controle social do escravizado.
Cpermitiu que as ordens sociopolíticas de variados espaços africanos fossem reproduzidas no Brasil e fossem estimadas pela elite escravocrata.
Dpossibilitou a rápida e incisiva inserção dos afrodescendentes na sociedade brasileira, principalmente por meio do acesso ao catolicismo.
Ehavia sido uma instituição que teve apenas importância durante o longo ciclo da cana de açúcar e o início da produção cafeeira em Minas Gerais.
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GabaritoB — era pedra basilar no processo de acumulação do capital e a coerção seria a principal forma de controle social do escravizado.
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Escravidão no Brasil: debate historiográfico Freyre vs. sociologia uspiana
Gabarito: letra B. Para os pensadores que se opunham a Gilberto Freyre (Florestan Fernandes, Otávio Ianni, Emília Viotti da Costa), a escravidão foi a base da acumulação capitalista e a coerção foi o principal mecanismo de controle social. Essa tese, influenciada pelo materialismo histórico, contrasta com a visão freyreana de um escravismo brando e integrador.
A questão testa o conhecimento sobre a historiografia brasileira do século XX, em particular o debate entre a "casa-grande & senzala" e a "escola paulista de sociologia". A alternativa B sintetiza a crítica marxista ao mito da democracia racial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca apresenta na alternativa A a visão de Gilberto Freyre como se fosse a dos seus opositores. O candidato desatento pode marcar A por achar que "valorização dos escravizados" combate a visão de crueldade, mas é exatamente o contrário: Freyre minimizava a violência. Fique atento a quem defende cada tese.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Reflete a visão de Freyre, que valorizava a miscigenação e via na escravidão um processo de integração. Os opositores, ao contrário, denunciavam a violência e a exclusão.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Expressa o núcleo da tese dos sociólogos uspianos: a escravidão como "pedra basilar" da acumulação primitiva de capital e a coerção como instrumento essencial de dominação. Essa perspectiva é desenvolvida, por exemplo, em A Revolução Burguesa no Brasil (Florestan Fernandes) e Escravidão e Capitalismo (Otávio Ianni).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere uma continuidade cultural valorizada pela elite, o que não corresponde à crítica desses autores. Eles enfatizavam a destruição dos laços africanos e a violência do sistema.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Novamente repete a ideia de integração rápida e positiva, própria da narrativa freyreana. A escola crítica apontava a marginalização pós-abolição.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Reduz a escravidão a um único ciclo econômico. Os opositores viam a escravidão como estruturante de todo o período colonial e imperial, não limitada ao açúcar ou ao café.
PEGA ESSA DICA!
Guarde o contraste: Freyre = culturalismo, democracia racial, integração; Fernandes/Ianni/Viotti da Costa = materialismo histórico, exploração, violência, exclusão. Esse debate é frequentemente cobrado em questões sobre historiografia brasileira.