Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
vu102400
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sorocaba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Clínico Geral
Mulher, 39 anos de idade, com transtorno depressivo maior, está em tratamento com terapia cognitivo- -comportamental e escitalopram 20 mg/dia. Após 6 meses de tratamento, a paciente apresenta resposta parcial ao tratamento. Não há ideação suicida ou agitação psicomotora.Qual é a melhor abordagem atual?
AAguardar 12 meses para reavaliação terapêutica.
BSubstituir escitalopram por fluoxetina.
CSubstituir escitalopram por sertralina.
DAssociar aripiprazol ao tratamento.
EIndicar eletroconvulsoterapia.
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GabaritoD — Associar aripiprazol ao tratamento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Transtorno depressivo maior: resposta parcial ao tratamento
Gabarito: letra D. Na resposta parcial após 6 meses de tratamento com ISRS em dose adequada, a melhor abordagem é a otimização do tratamento, que inclui a associação de um antipsicótico atípico (aripiprazol) — estratégia com evidência robusta de eficácia na depressão resistente. A troca para outro ISRS (fluoxetina ou sertralina) é opção válida, mas não é a melhor conduta inicial quando já houve resposta parcial; a eletroconvulsoterapia é reservada para casos graves ou refratários, e aguardar 12 meses é conduta inadequada.
O transtorno depressivo maior (TDM) é uma condição crônica e recorrente, e a resposta ao tratamento é avaliada em etapas. Quando o paciente apresenta resposta parcial — ou seja, melhora dos sintomas, mas sem remissão completa — após um período adequado (4 a 8 semanas) com dose terapêutica de um antidepressivo, o médico deve otimizar a estratégia. As opções incluem: aumentar a dose até o máximo tolerado, trocar por outro antidepressivo de mesma classe ou de classe diferente, ou potencializar com um segundo fármaco.
A potencialização (augmentation) é a adição de um medicamento que não é antidepressivo, mas que potencializa o efeito do antidepressivo. Os agentes com melhor evidência são o lítio, os antipsicóticos atípicos (aripiprazol, quetiapina, olanzapina) e, em menor grau, a triiodotironina (T3). O aripiprazol é um antipsicótico atípico com ação agonista parcial nos receptores D2 e 5-HT1A, aprovado especificamente como adjuvante no tratamento do TDM. Estudos controlados demonstram que a associação de aripiprazol ao ISRS aumenta significativamente as taxas de remissão em pacientes com resposta parcial ou ausente.
A escolha entre as estratégias depende do contexto clínico. A troca de antidepressivo é preferível quando há ausência total de resposta (não houve melhora alguma) ou intolerância ao fármaco. A potencialização é preferível quando há resposta parcial, pois aproveita a melhora já obtida e adiciona um mecanismo de ação complementar. No caso da paciente, que apresenta resposta parcial após 6 meses com escitalopram 20 mg/dia (dose máxima), a potencialização com aripiprazol é a conduta mais adequada.
A eletroconvulsoterapia (ECT) é o tratamento mais eficaz para a depressão, mas é reservada para casos graves, com risco de suicídio iminente, psicose, recusa alimentar ou refratariedade a múltiplas tentativas farmacológicas. A paciente não apresenta ideação suicida nem agitação psicomotora, e não houve falha de múltiplos esquemas — portanto, a ECT não é indicada neste momento.
A fluoxetina e a sertralina são ISRSs, mesma classe do escitalopram. A troca entre ISRSs é uma opção válida, mas geralmente é considerada quando há ausência de resposta ou intolerância, não quando há resposta parcial. Além disso, a troca para outro ISRS não adiciona um mecanismo de ação diferente, o que pode limitar o ganho terapêutico.
Aguardar 12 meses para reavaliação é conduta inadequada, pois a resposta parcial após 6 meses de tratamento já indica a necessidade de intervenção. O manejo do TDM deve ser ativo, com reavaliações frequentes e ajustes terapêuticos conforme a resposta.
A distinção central que separa as alternativas é: resposta parcial → potencialização; ausência de resposta → troca; gravidade/refratariedade → ECT. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
TDM com resposta parcial: Potencialização (augmentation) (Antipsicótico atípico (aripiprazol), Lítio, T3); Troca de antidepressivo (Ausência de resposta, Intolerância); ECT (Risco de suicídio, Psicose, Refratariedade)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Aguardar 12 meses para reavaliação é conduta passiva e inadequada. A resposta parcial após 6 meses de tratamento com dose plena de ISRS já configura indicação de otimização terapêutica. O acompanhamento deve ser ativo, com reavaliação em semanas, não em meses. A demora em ajustar o tratamento prolonga o sofrimento e aumenta o risco de cronificação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Substituir escitalopram por fluoxetina é uma troca entre ISRSs, mesma classe farmacológica. Essa estratégia é mais indicada quando há ausência de resposta ou intolerância ao fármaco inicial, não quando há resposta parcial. A troca entre ISRSs não adiciona mecanismo de ação distinto, e a potencialização com antipsicótico atípico tem evidência superior nesse cenário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Substituir escitalopram por sertralina também é uma troca entre ISRSs, com o mesmo racional da alternativa B. A resposta parcial indica potencialização, não troca dentro da mesma classe. A sertralina não oferece vantagem clara sobre o escitalopram neste contexto, e a associação de aripiprazol é a abordagem com melhor suporte científico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Associar aripiprazol ao tratamento é a melhor abordagem. O aripiprazol é um antipsicótico atípico com evidência robusta como adjuvante no TDM com resposta parcial. A potencialização com antipsicótico atípico é uma das estratégias de primeira linha para depressão resistente, e o aripiprazol é especificamente aprovado para essa indicação. A paciente já está em dose máxima de escitalopram (20 mg/dia) e apresenta resposta parcial, sem contraindicações à potencialização.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Indicar eletroconvulsoterapia é prematuro. A ECT é reservada para depressão grave, com risco de suicídio iminente, psicose, catatonia ou refratariedade a múltiplas tentativas farmacológicas. A paciente não apresenta ideação suicida, não há gravidade que justifique a ECT, e ainda não foram esgotadas as opções farmacológicas de potencialização. A ECT é um tratamento eficaz, mas deve ser indicada nos casos apropriados.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre resposta parcial e ausência de resposta. Na resposta parcial, a conduta preferencial é a potencialização (associar aripiprazol); na ausência de resposta, a troca de antidepressivo é mais indicada. O candidato que não distingue esses cenários tende a marcar a troca por outro ISRS (B ou C), que é uma opção válida, mas não a melhor neste caso. Lembre-se: resposta parcial após 6 meses com dose plena = potencializar, não trocar.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de depressão resistente, monte um algoritmo mental: 1) dose adequada por tempo adequado? 2) resposta parcial → potencializar (lítio, antipsicótico atípico, T3); 3) ausência de resposta → trocar de classe; 4) gravidade/risco → ECT. O aripiprazol é o antipsicótico atípico mais cobrado como adjuvante no TDM.