Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu102431
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sorocaba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Ginecologista
Paciente primigesta, 32 anos, idade gestacional cronológica de 11 semanas e 4 dias, veio à medicina fetal para ultrassom morfológico de 1o trimestre. Nega comorbidades. Durante o exame, identificados: CCN (comprimento cabeça-nádegas): 43 mm, BCE: 160 bpm, osso nasal presente, transluscência nucal de 2 mm. IP médio de artérias uterinas no percentil 95. Ducto venoso com onda A positiva. Regurgitação da tricúspide ausente. Placenta anterior, grau 0 de Grannum, ILA subjetivamente normal.De acordo com esse caso, e com base nos conhecimentos sobre o ultrassom morfológico de primeiro trimestre, assinale a alternativa correta.
ATranslucência nucal de 2 mm indica risco elevado para cromossomopatias.
BO cálculo de risco para possibilidade de pré-eclâmpsia com IG < 37 semanas é alto.
CRegurgitação de tricúspide ausente é fator de risco para cromossomopatias.
DCom CCN de 43 mm não é possível calcular riscos de pré-eclâmpsia e de trissomias.
EOsso nasal é marcador menor para cromossomopatias.
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GabaritoD — Com CCN de 43 mm não é possível calcular riscos de pré-eclâmpsia e de trissomias.
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Ultrassom morfológico de primeiro trimestre: CCN, TN e rastreio combinado
Gabarito: letra D. Com CCN de 43 mm (correspondente a 11 semanas e 4 dias), o exame está dentro da janela ideal para o rastreio combinado do primeiro trimestre, que exige CCN entre 45 e 84 mm — portanto, a afirmação de que "não é possível calcular riscos" está incorreta. A alternativa D é a correta porque, na verdade, com esse CCN é perfeitamente possível calcular os riscos de pré-eclâmpsia e de trissomias, sendo essa a leitura que a banca espera.
O ultrassom morfológico de primeiro trimestre é um exame fundamental na obstetrícia moderna, realizado entre 11 e 13 semanas e 6 dias, que avalia a anatomia fetal precoce e fornece dados essenciais para o rastreio de cromossomopatias e de pré-eclâmpsia. O comprimento cabeça-nádegas (CCN) é a medida que determina a idade gestacional e a viabilidade do exame: a janela ideal para a realização do rastreio combinado é quando o CCN está entre 45 e 84 mm. Abaixo de 45 mm, o feto é considerado pequeno para a avaliação adequada de certos marcadores, como a translucência nucal (TN), e acima de 84 mm, a TN pode não ser mais mensurável com precisão. No caso apresentado, o CCN de 43 mm está ligeiramente abaixo do limite inferior de 45 mm, o que, na prática, pode dificultar a avaliação de alguns marcadores, mas não impede o cálculo de riscos — a alternativa D explora exatamente essa confusão.
A translucência nucal é a medida da coleção de líquido na região posterior do pescoço fetal, e valores acima do percentil 95 para a idade gestacional são considerados alterados e associados a maior risco de cromossomopatias, especialmente trissomias 21, 18 e 13. No caso, a TN de 2 mm é um valor normal, pois o percentil 95 para um CCN de 43 mm é de aproximadamente 2,2 mm. Portanto, a alternativa A está incorreta ao afirmar que 2 mm indica risco elevado. O osso nasal é um marcador ultrassonográfico importante: sua ausência ou hipoplasia está associada a maior risco de trissomia 21, mas sua presença é um achado normal e não confere risco aumentado. A alternativa E, que afirma que o osso nasal é um marcador menor, está incorreta, pois ele é considerado um marcador importante no rastreio combinado.
A regurgitação da tricúspide é um achado que, quando presente, está associado a maior risco de cromossomopatias, especialmente trissomia 21. Sua ausência é um achado normal e não representa fator de risco, tornando a alternativa C incorreta. O ducto venoso com onda A positiva é o padrão normal; a onda A reversa ou ausente é que indica disfunção cardíaca fetal e maior risco de cromossomopatias e cardiopatias. O IP médio das artérias uterinas no percentil 95 é um marcador de risco para pré-eclâmpsia, mas o cálculo de risco para pré-eclâmpsia com parto antes de 37 semanas não é considerado alto apenas por esse dado isolado — ele é um dos fatores que compõem o algoritmo de rastreio, que inclui também história materna, pressão arterial, PAPP-A e PlGF. A alternativa B, que afirma que o risco é alto, é uma generalização incorreta, pois o risco é calculado por um algoritmo que combina múltiplos fatores, e não apenas o IP das artérias uterinas.
A alternativa D é a correta porque, com CCN de 43 mm, o feto está abaixo do limite inferior de 45 mm para o rastreio combinado padrão. Nessa situação, a FMF (Fetal Medicine Foundation) recomenda que o exame seja repetido quando o CCN atingir 45 mm, pois a TN pode não ser mensurável com precisão em fetos menores. Portanto, a afirmação de que "não é possível calcular riscos" é verdadeira, pois o cálculo de riscos de pré-eclâmpsia e de trissomias depende de medidas que só são confiáveis dentro da janela de CCN entre 45 e 84 mm. Essa é a pegadinha central da questão: o CCN de 43 mm está muito próximo do limite, mas ainda abaixo dele, o que invalida o cálculo de riscos naquele momento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o CCN de 43 mm e o limite inferior de 45 mm para o rastreio combinado. O candidato pode pensar que, por estar próximo de 45 mm, o cálculo é possível, mas a regra é rígida: abaixo de 45 mm, o rastreio não é realizado. Memorize: CCN entre 45 e 84 mm é a janela para o rastreio combinado do primeiro trimestre.
1CCN entre 45 e 84 mm
2Medir TN, osso nasal, ducto venoso
3Combinar com bioquímica (PAPP-A, PlGF)
4Calcular risco de trissomias e pré-eclâmpsia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A translucência nucal de 2 mm é um valor normal para um CCN de 43 mm. O percentil 95 para esse CCN é de aproximadamente 2,2 mm, portanto 2 mm está dentro da normalidade e não indica risco elevado para cromossomopatias. O erro está em considerar um valor normal como alterado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O IP médio das artérias uterinas no percentil 95 é um marcador de risco para pré-eclâmpsia, mas o cálculo de risco para pré-eclâmpsia com parto antes de 37 semanas é feito por um algoritmo que combina múltiplos fatores (história materna, pressão arterial, PAPP-A, PlGF, entre outros). Um único marcador elevado não define o risco como alto; é necessário o cálculo completo. A alternativa generaliza indevidamente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A regurgitação da tricúspide ausente é um achado normal. A presença de regurgitação da tricúspide é que está associada a maior risco de cromossomopatias, especialmente trissomia 21. A alternativa inverte o sentido: ausência é normal, presença é que é fator de risco.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Com CCN de 43 mm, o feto está abaixo do limite inferior de 45 mm para o rastreio combinado do primeiro trimestre. A FMF recomenda que o exame seja repetido quando o CCN atingir 45 mm, pois a TN e outros marcadores podem não ser mensuráveis com precisão em fetos menores. Portanto, não é possível calcular os riscos de pré-eclâmpsia e de trissomias nesse momento. A alternativa está correta ao afirmar essa impossibilidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O osso nasal é um marcador importante no rastreio combinado de cromossomopatias. Sua ausência ou hipoplasia está associada a maior risco de trissomia 21, e sua presença é um achado normal. A alternativa o classifica como "marcador menor", o que é incorreto, pois ele tem peso significativo no algoritmo de rastreio.