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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu102450
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sorocaba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Pediatra
Menina, 7 anos de idade, Tanner 1, apresenta corrimento vaginal amarelado na calcinha há 5 dias, queixa de ardor ao urinar e lavar a região com sabonete. Realiza a própria higiene na escola e tem ajuda em casa, muitas vezes retorna da escola com pequenos pedaços de papel higiênico aderidos ao genital. Há 2 meses, teve quadro semelhante e foi tratada com banhos de assento e higiene com óleo vegetal. Foi colhido bacterioscópico que mostrou flora mista e na cultura foram identificados difteroides e Escherichia coli. Com base no caso clínico apresentado, o diagnóstico e conduta indicados são:
  1. Avulvovaginite por Candida sp; tratamento tópico com creme de nistatina.
  2. Bvulvovaginite por Candida sp; tratamento com fluconazol VO.
  3. Cvulvovaginite bacteriana; orientação da higiene e prescrição de amoxicilina-clavulanato VO.
  4. Dvulvovaginite por corpo estranho; realizar exame ginecológico sob sedação.
  5. Evulvovaginite inespecífica; banho de assento, uso de sabonete neutro, roupas arejadas e orientar a higiene sem esfregar ou molhar o papel higiênico.
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GabaritoE — vulvovaginite inespecífica; banho de assento, uso de sabonete neutro, roupas arejadas e orientar a higiene sem esfregar ou molhar o papel higiênico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vulvovaginite na infância: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra E. O caso descreve uma menina pré-púbere (Tanner 1) com corrimento vaginal amarelado, disúria e higiene inadequada (papel higiênico aderido ao genital), com cultura mostrando flora mista, difteroides e Escherichia coli — achados compatíveis com vulvovaginite inespecífica, cuja conduta é baseada em medidas gerais de higiene, banhos de assento e orientações, sem necessidade de antibiótico ou antifúngico. A alternativa E é a única que reflete exatamente essa abordagem.

A vulvovaginite é a afecção ginecológica mais comum na infância, e sua fisiopatologia está diretamente ligada às características anatômicas e hormonais da menina pré-púbere. Nessa fase, os ovários ainda não produzem estrogênio em quantidade suficiente, o que mantém o epitélio vaginal fino, atrófico e com pH mais alcalino (em torno de 6,5 a 7,5), diferente do pH ácido (3,8 a 4,5) da mulher adulta. Essa diferença é crucial: o pH alcalino reduz a proteção natural contra bactérias, tornando a mucosa mais suscetível a irritantes e infecções. Além disso, a proximidade entre o ânus e o vestíbulo vaginal, os pequenos lábios pouco desenvolvidos e a ausência de pelos pubianos facilitam a contaminação por bactérias intestinais, como a E. coli e os difteroides — exatamente os germes isolados na cultura da paciente.

A apresentação clínica típica inclui corrimento vaginal (geralmente amarelado ou esverdeado), ardor ao urinar, prurido e vermelhidão local. No caso, a menina tem 7 anos, está em Tanner 1 (pré-púbere), apresenta corrimento amarelado há 5 dias, disúria e realiza a própria higiene na escola, muitas vezes deixando pedaços de papel higiênico aderidos ao genital — um fator predisponente clássico. A cultura com flora mista, difteroides e E. coli reforça o diagnóstico de vulvovaginite inespecífica, pois esses microrganismos fazem parte da flora intestinal e perineal normal, e sua presença em cultura não indica infecção bacteriana primária que exija antibiótico. O quadro recorrente (há 2 meses) também é comum nessa condição, especialmente quando os hábitos de higiene não são corrigidos.

O tratamento da vulvovaginite inespecífica é essencialmente não farmacológico, baseado em medidas gerais de higiene e modificação de hábitos. Isso inclui: orientar a higiene adequada da região genital (da frente para trás, sem esfregar), evitar o uso de sabonetes alcalinos ou perfumados, preferir roupas íntimas de algodão e arejadas, manter a região seca, urinar com os joelhos afastados para evitar refluxo de urina para a vagina, e ter cuidado para não deixar pedaços de papel higiênico aderidos ao genital. Banhos de assento com soluções antissépticas ou anti-inflamatórias (como permanganato de potássio diluído ou chá de camomila) podem ser utilizados para alívio sintomático. Antibióticos e antifúngicos só são indicados quando há um agente etiológico específico identificado ou quando o quadro é grave, recorrente ou refratário às medidas iniciais.

A distinção entre os tipos de vulvovaginite é essencial para a conduta correta. A vulvovaginite por Candida é rara na menina pré-púbere, pois o fungo se desenvolve melhor em ambiente ácido e com glicogênio, condições que só aparecem após a menarca. A vaginose bacteriana, por sua vez, é mais comum em mulheres adultas e está associada a um desequilíbrio da flora vaginal com predomínio de Gardnerella vaginalis, sendo diagnosticada por critérios clínicos (corrimento acinzentado, odor amínico, pH > 4,5) e não por cultura de flora mista. O corpo estranho vaginal é uma possibilidade importante em meninas com corrimento fétido e recorrente, mas no caso descrito não há relato de corpo estranho visualizado ou sintomas sugestivos (como corrimento sanguinolento ou fétido intenso), e a presença de papel higiênico aderido ao genital é um fator de risco, não o diagnóstico em si. A alternativa D sugere exame ginecológico sob sedação, o que seria indicado apenas se houvesse forte suspeita de corpo estranho retido, o que não é o caso.

A pegadinha desta questão está em associar o corrimento amarelado e a disúria a uma infecção bacteriana ou fúngica, quando na verdade o quadro é de vulvovaginite inespecífica, causada por irritação e falta de higiene adequada. A banca explora a confusão entre os diferentes tipos de vulvovaginite e seus tratamentos específicos. O ponto-chave é reconhecer que, na menina pré-púbere, a maioria das vulvovaginites é inespecífica e responde bem a medidas higiênicas, sem necessidade de antibióticos ou antifúngicos. A cultura com flora mista e germes intestinais é esperada e não indica infecção bacteriana primária. Portanto, a conduta correta é a orientação de higiene, banhos de assento e medidas gerais, como descrito na alternativa E.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A sugere vulvovaginite por Candida e tratamento com creme de nistatina. Na menina pré-púbere, a candidíase vulvovaginal é rara, pois o fungo se desenvolve melhor em ambiente ácido e com glicogênio, condições que só aparecem após a menarca. O corrimento amarelado e a cultura com flora mista, difteroides e E. coli não são compatíveis com candidíase, que geralmente apresenta corrimento esbranquiçado, grumoso, com prurido intenso e cultura positiva para Candida sp. O tratamento com nistatina tópica seria indicado apenas se houvesse confirmação de infecção fúngica, o que não é o caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B também sugere vulvovaginite por Candida, mas com tratamento sistêmico com fluconazol VO. Além do diagnóstico incorreto (não há evidência de candidíase), o uso de fluconazol oral em uma criança com vulvovaginite inespecífica seria desnecessário e potencialmente prejudicial, pois expõe a paciente a efeitos adversos sem benefício clínico. O fluconazol é reservado para casos de candidíase confirmada, especialmente quando há infecção sistêmica ou imunossupressão, o que não se aplica a este caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C sugere vulvovaginite bacteriana e prescrição de amoxicilina-clavulanato VO. O diagnóstico de vaginose bacteriana é clínico e baseado em critérios específicos (corrimento acinzentado, odor amínico, pH > 4,5, células-chave), não na cultura de flora mista com difteroides e E. coli, que são germes intestinais comuns e não indicam infecção bacteriana primária. Além disso, o uso de antibiótico de amplo espectro como amoxicilina-clavulanato não é indicado para vulvovaginite inespecífica, pois não há evidência de infecção bacteriana que justifique o tratamento, e o uso desnecessário de antibióticos contribui para a resistência bacteriana. A conduta correta seria medidas higiênicas, não antibiótico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D sugere vulvovaginite por corpo estranho e exame ginecológico sob sedação. Embora o corpo estranho vaginal seja uma causa importante de vulvovaginite em meninas, especialmente com corrimento fétido e recorrente, no caso descrito não há evidências fortes de corpo estranho retido. A presença de papel higiênico aderido ao genital é um fator de risco e um achado comum em meninas com higiene inadequada, mas não indica necessariamente que há um corpo estranho dentro da vagina. O exame ginecológico sob sedação é um procedimento invasivo, reservado para casos de suspeita clínica forte de corpo estranho retido, sangramento inexplicado ou suspeita de abuso sexual, o que não se aplica a este caso. A conduta inicial deve ser conservadora, com medidas higiênicas.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E está correta ao diagnosticar vulvovaginite inespecífica e indicar banho de assento, uso de sabonete neutro, roupas arejadas e orientação de higiene sem esfregar ou molhar o papel higiênico. Esse é exatamente o manejo recomendado para vulvovaginite inespecífica na infância, que é a causa mais comum de corrimento vaginal em meninas pré-púberes. A conduta baseia-se em medidas gerais de higiene, modificação de hábitos predisponentes e alívio sintomático, sem necessidade de antibióticos ou antifúngicos. A cultura com flora mista, difteroides e E. coli é compatível com esse diagnóstico, pois esses germes fazem parte da flora intestinal e perineal normal e não indicam infecção bacteriana primária. A orientação de não molhar o papel higiênico é importante para evitar que pequenos pedaços se desprendam e entrem na vagina, causando reação de corpo estranho.

Gabarito: letra E

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