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Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2025

MedicinaGeriatria
Código
vu102463
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sorocaba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico II - Clínico Geral
Homem de 78 anos com histórico de hipertensão arterial, diabetes tipo 2, osteoartrite e insônia, é atendido em consulta de rotina. Refere tonturas recentes e um episódio de quase-síncope. A sua lista de medicação atual inclui: AAS infantil, lisinopril, metformina, gliclazida, rosuvastatina, hidroclorotiazida, ibuprofeno (tomado conforme necessário para dor no joelho) e zolpidem (prescrito há três meses para dormir). Menciona que o seu sono não melhorou significativamente e que as tonturas são mais pronunciadas pela manhã.Considerando a apresentação do paciente, qual o próximo passo mais apropriado na gestão do seu cuidado?
  1. AIniciar uma revisão abrangente da medicação, priorizando a desprescrição de zolpidem, avaliando também a presença de hipotensão ortostática.
  2. BPrescrever meclizina para tratar as tonturas do paciente e agendar uma reavaliação dentro de um mês.
  3. CSubstituir o zolpidem por uma dose baixa de amitriptilina, uma vez que esta também pode ajudar com o sono e a dor neuropática.
  4. DTranquilizar o paciente, explicando que as tonturas são uma parte comum do processo de envelhecimento, e aconselhá-lo a ter mais cuidado.
  5. EVerificar a função renal do paciente para ajustar as doses dos medicamentos, pois esta é a causa mais comum de efeitos adversos.
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GabaritoA — Iniciar uma revisão abrangente da medicação, priorizando a desprescrição de zolpidem, avaliando também a presença de hipotensão ortostática.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Polifarmácia e desprescrição no idoso: abordagem da tontura e quase-síncope

Gabarito: letra A. O caso clínico descreve um idoso de 78 anos com polifarmácia (8 medicamentos), tonturas recentes, episódio de quase-síncope e queixa de insônia não resolvida com zolpidem. A conduta mais apropriada é uma revisão abrangente da medicação, priorizando a desprescrição do zolpidem (ineficaz e com risco de efeitos adversos em idosos) e avaliando hipotensão ortostática, uma causa comum e potencialmente grave de tontura e síncope nessa população. As demais alternativas propõem condutas inadequadas, como tratar sintomaticamente sem investigar a causa, usar medicação potencialmente inapropriada ou minimizar a queixa.

A polifarmácia, definida como o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos, é um dos principais desafios na atenção ao idoso. Ela aumenta exponencialmente o risco de reações adversas, interações medicamentosas, quedas, hospitalizações e declínio funcional. No caso apresentado, o paciente usa AAS, lisinopril, metformina, gliclazida, rosuvastatina, hidroclorotiazida, ibuprofeno (conforme necessário) e zolpidem. A combinação de anti-hipertensivos (lisinopril + hidroclorotiazida) com AINE (ibuprofeno) é particularmente relevante: os AINEs podem elevar a pressão arterial, reduzir a eficácia dos anti-hipertensivos e, em idosos, aumentar o risco de lesão renal aguda, especialmente quando associados a diuréticos e IECA. Além disso, o uso de zolpidem, um hipnótico não benzodiazepínico, está associado a tonturas, quedas, déficit cognitivo e dependência, sendo considerado potencialmente inapropriado em idosos, especialmente quando não há resposta terapêutica adequada após três meses de uso.

A tontura no idoso é um sintoma multifatorial e frequentemente relacionado a hipotensão ortostática, que se manifesta como tontura ou quase-síncope ao levantar-se, sendo mais pronunciada pela manhã, como descrito no caso. A avaliação da pressão arterial em posição supina e após 1 e 3 minutos em ortostase é fundamental para o diagnóstico. A hipotensão ortostática é definida como uma queda de pelo menos 20 mmHg na pressão sistólica ou 10 mmHg na diastólica dentro de 3 minutos ao assumir a posição ortostática. No idoso, a combinação de polifarmácia, disautonomia e desidratação contribui para sua alta prevalência. A conduta correta envolve revisar a medicação, ajustar doses, orientar mudanças posturais lentas e garantir hidratação adequada.

A desprescrição é o processo planejado e supervisionado de redução de dose ou suspensão de medicamentos que não estão trazendo benefícios ou que estão causando danos. No caso, o zolpidem é um alvo claro: foi prescrito há três meses, o paciente relata que o sono não melhorou significativamente, e o medicamento pode contribuir para tonturas e quedas. A desprescrição deve ser gradual, com monitoramento, e acompanhada de alternativas não farmacológicas para insônia, como higiene do sono e terapia cognitivo-comportamental. A revisão abrangente da medicação deve incluir a avaliação de todos os medicamentos, considerando indicação, eficácia, segurança e preferências do paciente, utilizando critérios como os de Beers ou STOPP/START para identificar medicamentos potencialmente inapropriados.

A alternativa A é a única que aborda de forma completa e adequada os dois problemas centrais do caso: a necessidade de revisão da polifarmácia com foco na desprescrição do zolpidem e a investigação da hipotensão ortostática como causa provável da tontura e quase-síncope. As demais alternativas falham por tratar sintomas sem investigar a causa, prescrever medicamentos inadequados ou minimizar a queixa do paciente.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque propõe uma revisão abrangente da medicação, priorizando a desprescrição do zolpidem, e a avaliação de hipotensão ortostática. O zolpidem, após três meses sem melhora significativa do sono, é um candidato claro à desprescrição, pois seu benefício é limitado e seus riscos (tontura, quedas, dependência) são relevantes no idoso. A avaliação da hipotensão ortostática é essencial para investigar a causa da tontura e quase-síncope, especialmente porque o paciente relata sintomas mais pronunciados pela manhã, um padrão típico dessa condição. A conduta é abrangente, investiga a causa e prioriza a segurança do paciente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Prescrever meclizina para tratar as tonturas é uma conduta sintomática que não investiga a causa subjacente. A meclizina é um anti-histamínico usado principalmente para vertigem, mas a tontura do paciente pode ser de origem ortostática, cardiovascular ou medicamentosa, e o uso de meclizina pode mascarar o problema real, além de ter efeitos anticolinérgicos que são potencialmente inapropriados em idosos. A conduta correta é investigar a causa, não tratar o sintoma de forma isolada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Substituir o zolpidem por amitriptilina é inadequado. A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico com fortes efeitos anticolinérgicos, sedativos e cardiotóxicos, sendo considerada potencialmente inapropriada em idosos devido ao alto risco de quedas, delirium, retenção urinária e arritmias. Embora possa ajudar no sono e na dor neuropática, seus riscos superam os benefícios neste paciente, que já apresenta tonturas e quase-síncope. A desprescrição do zolpidem é correta, mas a substituição por amitriptilina não é uma boa prática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Tranquilizar o paciente e atribuir as tonturas ao envelhecimento é uma conduta inadequada e perigosa. A tontura e a quase-síncope são sintomas que merecem investigação, pois podem indicar condições tratáveis e potencialmente graves, como hipotensão ortostática, arritmias, ou efeitos adversos de medicamentos. Minimizar a queixa do paciente e não investigar a causa é uma falha na qualidade do cuidado, especialmente em um idoso com polifarmácia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Verificar a função renal é uma medida importante, mas não é a causa mais comum de efeitos adversos neste caso, nem a conduta mais apropriada como próximo passo. Embora a função renal possa influenciar a dosagem de medicamentos como metformina, lisinopril e hidroclorotiazida, a apresentação clínica de tontura e quase-síncope aponta mais diretamente para hipotensão ortostática e para a necessidade de revisão da medicação. A alternativa A é mais abrangente e prioriza a investigação da causa mais provável dos sintomas.

Gabarito: letra A

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