Neurite vestibular: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra E. O quadro descrito — vertigem rotatória súbita e contínua há 1 dia, piora com movimento, náuseas/vômitos, nistagmo espontâneo horizontal unidirecional, Romberg com queda para o lado oposto ao nistagmo, sem sintomas auditivos nem neurológicos, precedido de infecção viral — é a síndrome vestibular aguda, cuja principal hipótese é neurite vestibular (inflamação do nervo vestibular, geralmente viral). O tratamento agudo inclui corticosteroides para reduzir a inflamação neural e antieméticos/supressores vestibulares para controle sintomático, exatamente como afirma a alternativa E.
A neurite vestibular é uma vestibulopatia periférica aguda, caracterizada por perda súbita e unilateral da função vestibular, sem acometimento coclear (audição preservada). A causa mais aceita é viral — frequentemente precedida por infecção de vias aéreas superiores, como o resfriado referido pela paciente. A vertigem é intensa, contínua, dura dias e piora com qualquer movimento cefálico, levando o paciente a permanecer imóvel. O nistagmo espontâneo é horizontal, unidirecional, com fase rápida batendo para o lado sadio (no caso, para a direita, indicando lesão à esquerda), e o Romberg cai para o lado da lesão (esquerda). A ausência de sintomas auditivos (zumbido, hipoacusia) e neurológicos (pares cranianos normais, sem cefaleia, sem febre) ajuda a diferenciar de causas centrais e da doença de Ménière.
O diagnóstico diferencial mais importante é com a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), que é episódica, dura segundos a minutos, é desencadeada por mudanças de posição e não causa nistagmo espontâneo contínuo. A doença de Ménière, por sua vez, cursa com crises recorrentes de vertigem (20 min a 12 h) associadas a hipoacusia flutuante, zumbido e plenitude aural — sintomas ausentes na paciente. Causas centrais (AVE de fossa posterior, esclerose múltipla) devem ser afastadas, mas a ausência de outros déficits neurológicos e o padrão periférico do nistagmo (unidirecional, horizontal) tornam a neurite vestibular a hipótese mais provável.
O tratamento da neurite vestibular aguda tem dois pilares: (1) sintomático, com supressores vestibulares (anti-histamínicos como dimenidrinato, benzodiazepínicos) e antieméticos (metoclopramida, ondansetrona), restritos aos primeiros 2–3 dias para não retardar a compensação central; e (2) etiológico, com corticoides (ex.: metilprednisolona) para reduzir a inflamação do nervo vestibular, embora o benefício ainda seja debatido. A reabilitação vestibular (exercícios de Cawthorne-Cooksey) é recomendada, especialmente nos casos refratários. O prognóstico é favorável: a vertigem melhora em dias e o equilíbrio em semanas.
A pegadinha central desta questão é a lateralização: o nistagmo bate para o lado sadio (direita) e o Romberg cai para o lado lesado (esquerda). A alternativa A erra ao afirmar "neurite vestibular esquerda" com causa "tóxico-metabólica" — a causa é viral, não tóxico-metabólica. A alternativa D confunde com VPPB, que tem características clínicas distintas. A alternativa C inverte o sinal: nistagmo que muda de direção com o olhar (bidirecional) sugere causa central, não periférica. A alternativa B é verdadeira em si (Ménière cursa com zumbido e perda auditiva), mas não se aplica ao caso, pois a paciente nega esses sintomas.
Guarde a fronteira entre síndrome vestibular aguda periférica (neurite vestibular) e VPPB: a primeira é contínua, dura dias, com nistagmo espontâneo; a segunda é episódica, dura segundos, desencadeada por posição, com nistagmo posicional. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Critério | Neurite Vestibular (caso) | VPPB | Doença de Ménière |
|---|
Duração da vertigem | Contínua (dias) | Episódica (segundos a 1 min) | Crises recorrentes (20 min a 12 h) |
Nistagmo | Espontâneo, horizontal, unidirecional (para o lado sadio) | Posicional, desencadeado por mudança de posição | Ausente entre crises; pode haver nistagmo durante crise |
Sintomas auditivos | Ausentes (audição preservada) | Ausentes | Presentes (hipoacusia flutuante, zumbido, plenitude aural) |
Tratamento específico | Corticoides + antieméticos/supressores vestibulares | Manobra de Epley | Dieta hipossódica, diuréticos, betahistina (controle de crises) |
Alternativa A — ❌ Incorreta
A hipótese é de neurite vestibular esquerda (correta a lateralização: nistagmo para direita = lesão à esquerda), mas a causa não é tóxico-metabólica — é viral, frequentemente precedida por infecção de vias aéreas superiores (como o resfriado há 2 semanas). A neurite vestibular é uma inflamação do nervo vestibular, geralmente por reativação viral (herpesvírus) ou pós-infecciosa. O erro está na etiologia: "tóxico-metabólica" não é a causa da neurite vestibular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação é verdadeira em si — a doença de Ménière cursa com crises de vertigem associadas a zumbido, hipoacusia flutuante e plenitude aural — mas não se aplica ao caso. A paciente nega perda de audição e zumbido, e o quadro é de vertigem contínua há 1 dia, não de crises recorrentes de 20 min a 12 h. A presença de sintomas auditivos, se investigada, poderia sugerir Ménière, mas não "confirmaria" o diagnóstico — o diagnóstico de Ménière exige a tríade clássica (vertigem episódica + hipoacusia flutuante + zumbido/plenitude), ausente aqui.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Nistagmo que muda de direção conforme o olhar (bidirecional, evocado pelo olhar) é sinal de disfunção central (AVE, síndrome cerebelar, efeito de medicamentos), não de neurite vestibular periférica. Na neurite vestibular, o nistagmo é unidirecional (bate sempre para o mesmo lado, o sadio) e não muda de direção com o olhar. Portanto, esse achado seria preocupante, não tranquilizador — indicaria necessidade de investigar causa central.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O quadro não é típico de VPPB. A VPPB é episódica, dura segundos a no máximo 1 minuto, é desencadeada por mudanças de posição da cabeça e não causa nistagmo espontâneo contínuo. A paciente tem vertigem contínua há 1 dia, que piora com movimento, mas não é posicional (não é desencadeada especificamente por mudanças de posição), e apresenta nistagmo espontâneo — achado ausente na VPPB. A manobra de Epley é o tratamento da VPPB, não da neurite vestibular.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tratamento agudo da neurite vestibular inclui corticosteroides (para reduzir a inflamação do nervo vestibular, embora o benefício seja controverso) e antieméticos (como metoclopramida ou ondansetrona) para controle dos sintomas, além de supressores vestibulares (dimenidrinato, benzodiazepínicos) nos primeiros 2–3 dias. A alternativa espelha corretamente a conduta: curso de corticoides + antieméticos. É a única que descreve o manejo adequado da principal hipótese diagnóstica.
Gabarito: letra E