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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — VUNESP 2025

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
vu102466
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sorocaba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico II - Clínico Geral
Mulher de 45 anos relata que acordou ontem com uma vertigem rotatória (sensação de que o ambiente girava) de início súbito e muito forte, que se mantém contínua desde então. O sintoma piora drasticamente com qualquer movimento da cabeça, forçando-a a permanecer deitada e imóvel. O quadro veio acompanhado de náuseas intensas, vômitos e um desequilíbrio acentuado, sendo incapaz de andar sem ajuda. Nega perda de audição, zumbido, dor de cabeça, febre ou qualquer outro sintoma neurológico. Refere um episódio de resfriado há duas semanas. Ao exame físico: prefere manter os olhos fechados, mas há nistagmo espontâneo horizontal batendo para a direita; teste de Romberg positivo (queda para a esquerda); marcha impossível de ser realizada sem apoio; pares cranianos, força e sensibilidade normais; otoscopia sem alteração.Considerando a principal hipótese diagnóstica, é correto afirmar:
  1. Aa principal hipótese é neurite vestibular esquerda, uma inflamação do nervo vestibular, provavelmente de causa tóxico-metabólica.
  2. Ba presença de zumbido e perda auditiva, se investigada, confirmaria o diagnóstico de doença de Menière.
  3. Cnistagmo que muda de direção conforme o olhar da paciente é um sinal esperado e tranquilizador nesse quadro clínico.
  4. Do quadro é típico de vertigem posicional paroxística benigna, e a paciente deve ser tratada com a manobra de Epley.
  5. Eo tratamento agudo pode incluir um curso de corticosteroides para reduzir a inflamação neural e antieméticos para o controle dos sintomas.
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GabaritoE — o tratamento agudo pode incluir um curso de corticosteroides para reduzir a inflamação neural e antieméticos para o controle dos sintomas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neurite vestibular: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra E. O quadro descrito — vertigem rotatória súbita e contínua há 1 dia, piora com movimento, náuseas/vômitos, nistagmo espontâneo horizontal unidirecional, Romberg com queda para o lado oposto ao nistagmo, sem sintomas auditivos nem neurológicos, precedido de infecção viral — é a síndrome vestibular aguda, cuja principal hipótese é neurite vestibular (inflamação do nervo vestibular, geralmente viral). O tratamento agudo inclui corticosteroides para reduzir a inflamação neural e antieméticos/supressores vestibulares para controle sintomático, exatamente como afirma a alternativa E.

A neurite vestibular é uma vestibulopatia periférica aguda, caracterizada por perda súbita e unilateral da função vestibular, sem acometimento coclear (audição preservada). A causa mais aceita é viral — frequentemente precedida por infecção de vias aéreas superiores, como o resfriado referido pela paciente. A vertigem é intensa, contínua, dura dias e piora com qualquer movimento cefálico, levando o paciente a permanecer imóvel. O nistagmo espontâneo é horizontal, unidirecional, com fase rápida batendo para o lado sadio (no caso, para a direita, indicando lesão à esquerda), e o Romberg cai para o lado da lesão (esquerda). A ausência de sintomas auditivos (zumbido, hipoacusia) e neurológicos (pares cranianos normais, sem cefaleia, sem febre) ajuda a diferenciar de causas centrais e da doença de Ménière.

O diagnóstico diferencial mais importante é com a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), que é episódica, dura segundos a minutos, é desencadeada por mudanças de posição e não causa nistagmo espontâneo contínuo. A doença de Ménière, por sua vez, cursa com crises recorrentes de vertigem (20 min a 12 h) associadas a hipoacusia flutuante, zumbido e plenitude aural — sintomas ausentes na paciente. Causas centrais (AVE de fossa posterior, esclerose múltipla) devem ser afastadas, mas a ausência de outros déficits neurológicos e o padrão periférico do nistagmo (unidirecional, horizontal) tornam a neurite vestibular a hipótese mais provável.

O tratamento da neurite vestibular aguda tem dois pilares: (1) sintomático, com supressores vestibulares (anti-histamínicos como dimenidrinato, benzodiazepínicos) e antieméticos (metoclopramida, ondansetrona), restritos aos primeiros 2–3 dias para não retardar a compensação central; e (2) etiológico, com corticoides (ex.: metilprednisolona) para reduzir a inflamação do nervo vestibular, embora o benefício ainda seja debatido. A reabilitação vestibular (exercícios de Cawthorne-Cooksey) é recomendada, especialmente nos casos refratários. O prognóstico é favorável: a vertigem melhora em dias e o equilíbrio em semanas.

A pegadinha central desta questão é a lateralização: o nistagmo bate para o lado sadio (direita) e o Romberg cai para o lado lesado (esquerda). A alternativa A erra ao afirmar "neurite vestibular esquerda" com causa "tóxico-metabólica" — a causa é viral, não tóxico-metabólica. A alternativa D confunde com VPPB, que tem características clínicas distintas. A alternativa C inverte o sinal: nistagmo que muda de direção com o olhar (bidirecional) sugere causa central, não periférica. A alternativa B é verdadeira em si (Ménière cursa com zumbido e perda auditiva), mas não se aplica ao caso, pois a paciente nega esses sintomas.

Guarde a fronteira entre síndrome vestibular aguda periférica (neurite vestibular) e VPPB: a primeira é contínua, dura dias, com nistagmo espontâneo; a segunda é episódica, dura segundos, desencadeada por posição, com nistagmo posicional. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Critério

Neurite Vestibular (caso)

VPPB

Doença de Ménière

Duração da vertigem

Contínua (dias)

Episódica (segundos a 1 min)

Crises recorrentes (20 min a 12 h)

Nistagmo

Espontâneo, horizontal, unidirecional (para o lado sadio)

Posicional, desencadeado por mudança de posição

Ausente entre crises; pode haver nistagmo durante crise

Sintomas auditivos

Ausentes (audição preservada)

Ausentes

Presentes (hipoacusia flutuante, zumbido, plenitude aural)

Tratamento específico

Corticoides + antieméticos/supressores vestibulares

Manobra de Epley

Dieta hipossódica, diuréticos, betahistina (controle de crises)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipótese é de neurite vestibular esquerda (correta a lateralização: nistagmo para direita = lesão à esquerda), mas a causa não é tóxico-metabólica — é viral, frequentemente precedida por infecção de vias aéreas superiores (como o resfriado há 2 semanas). A neurite vestibular é uma inflamação do nervo vestibular, geralmente por reativação viral (herpesvírus) ou pós-infecciosa. O erro está na etiologia: "tóxico-metabólica" não é a causa da neurite vestibular.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação é verdadeira em si — a doença de Ménière cursa com crises de vertigem associadas a zumbido, hipoacusia flutuante e plenitude aural — mas não se aplica ao caso. A paciente nega perda de audição e zumbido, e o quadro é de vertigem contínua há 1 dia, não de crises recorrentes de 20 min a 12 h. A presença de sintomas auditivos, se investigada, poderia sugerir Ménière, mas não "confirmaria" o diagnóstico — o diagnóstico de Ménière exige a tríade clássica (vertigem episódica + hipoacusia flutuante + zumbido/plenitude), ausente aqui.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Nistagmo que muda de direção conforme o olhar (bidirecional, evocado pelo olhar) é sinal de disfunção central (AVE, síndrome cerebelar, efeito de medicamentos), não de neurite vestibular periférica. Na neurite vestibular, o nistagmo é unidirecional (bate sempre para o mesmo lado, o sadio) e não muda de direção com o olhar. Portanto, esse achado seria preocupante, não tranquilizador — indicaria necessidade de investigar causa central.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O quadro não é típico de VPPB. A VPPB é episódica, dura segundos a no máximo 1 minuto, é desencadeada por mudanças de posição da cabeça e não causa nistagmo espontâneo contínuo. A paciente tem vertigem contínua há 1 dia, que piora com movimento, mas não é posicional (não é desencadeada especificamente por mudanças de posição), e apresenta nistagmo espontâneo — achado ausente na VPPB. A manobra de Epley é o tratamento da VPPB, não da neurite vestibular.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tratamento agudo da neurite vestibular inclui corticosteroides (para reduzir a inflamação do nervo vestibular, embora o benefício seja controverso) e antieméticos (como metoclopramida ou ondansetrona) para controle dos sintomas, além de supressores vestibulares (dimenidrinato, benzodiazepínicos) nos primeiros 2–3 dias. A alternativa espelha corretamente a conduta: curso de corticoides + antieméticos. É a única que descreve o manejo adequado da principal hipótese diagnóstica.

Gabarito: letra E

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