A posição de Ferreiro sobre as metáforas militares e médicas no discurso do analfabetismo
Gabarito: letra C. A única alternativa que expressa a posição crítica da autora é aquela que reconhece o efeito negativo dessas expressões sobre os analfabetos, reforçando sentimentos de inferioridade e exclusão. A passagem do texto que autoriza essa inferência é a constatação de que os discursos oficiais mobilizam "linguagem militar ou linguagem dos órgãos de saúde pública" – expressão que, no contexto da obra de Ferreiro, é alvo de crítica, pois tais metáforas patologizam e criminalizam o analfabetismo, em vez de tratá-lo como um direito. O documento final da reunião preparatória do Ano Internacional da Alfabetização, citado no enunciado, reflete essa rejeição.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a caracterização como guerra ou enfermidade é "imprescindível" – o texto não diz isso; ao contrário, a autora constata o uso dessas expressões, mas não as endossa. Há extrapolação: atribui-se uma opinião positiva que não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que tais expressões "fazem do analfabetismo um problema maior do que ele é" e que a alfabetização deve ser "opção individual" – o texto não menciona essa minimização nem a ideia de opção individual. É uma opinião externa, sem lastro no trecho.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que as expressões produzem "efeito negativo sobre os analfabetos, pois reforçam o sentimento de inferioridade, exclusão e marginalidade". Essa é a posição inferida da crítica de Ferreiro: ao usar linguagem de guerra ou doença, estigmatiza-se o analfabeto. O texto não explicita, mas a inferência é legítima, pois a autora claramente problematiza essa terminologia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que a compreensão como "praga" ou "epidemia" é o "modo mais preciso de diagnosticar" e que o problema é "uniformemente distribuído" – o texto não afirma isso; ao contrário, a autora critica essa visão. A alternativa contradiz a posição inferida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a terminologia médica é "conceitualmente exata" e que o analfabetismo é "condição médico-patológica" – o texto não sustenta essa visão, e a autora, ao constatar o uso, não o valida. É uma extrapolação que inverte o sentido crítico.
Conclusão: A banca cobrou inferência da posição autoral. A única alternativa coerente com a crítica de Ferreiro às metáforas bélicas e médicas é a C, que aponta o efeito estigmatizante dessas expressões.