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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu102494
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sorocaba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica I
Discutindo os discursos oficiais dos governos em torno do enfrentamento do analfabetismo, Ferreiro (Com todas as letras, 2000) constata a mobilização de “linguagem militar ou linguagem dos órgãos de saúde pública”, sendo que “batalhas contra o analfabetismo” e “erradicação do analfabetismo” são expressões comuns.Assinale a alternativa que expressa a posição da autora, refletida no documento final da reunião preparatória do Ano Internacional da Alfabetização, acerca dessas expressões.
  1. AA caracterização do analfabetismo como guerra ou enfermidade é imprescindível para o enfrentamento público desse flagelo.
  2. BTermos como esses fazem do analfabetismo um problema maior do que ele é, uma vez que a alfabetização deve ser uma opção individual de cidadãos livres.
  3. CEssas expressões produzem efeito negativo sobre os analfabetos, pois reforçam o sentimento de inferioridade, exclusão e marginalidade.
  4. DA compreensão do analfabetismo como “praga” ou “epidemia” é o modo mais preciso de diagnosticar um problema uniformemente distribuído pelo mundo.
  5. EA terminologia médica, mais do que metafórica, é conceitualmente exata, pois o analfabetismo é hoje compreendido como condição médico-patológica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Essas expressões produzem efeito negativo sobre os analfabetos, pois reforçam o sentimento de inferioridade, exclusão e marginalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A posição de Ferreiro sobre as metáforas militares e médicas no discurso do analfabetismo

Gabarito: letra C. A única alternativa que expressa a posição crítica da autora é aquela que reconhece o efeito negativo dessas expressões sobre os analfabetos, reforçando sentimentos de inferioridade e exclusão. A passagem do texto que autoriza essa inferência é a constatação de que os discursos oficiais mobilizam "linguagem militar ou linguagem dos órgãos de saúde pública" – expressão que, no contexto da obra de Ferreiro, é alvo de crítica, pois tais metáforas patologizam e criminalizam o analfabetismo, em vez de tratá-lo como um direito. O documento final da reunião preparatória do Ano Internacional da Alfabetização, citado no enunciado, reflete essa rejeição.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a caracterização como guerra ou enfermidade é "imprescindível" – o texto não diz isso; ao contrário, a autora constata o uso dessas expressões, mas não as endossa. Há extrapolação: atribui-se uma opinião positiva que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que tais expressões "fazem do analfabetismo um problema maior do que ele é" e que a alfabetização deve ser "opção individual" – o texto não menciona essa minimização nem a ideia de opção individual. É uma opinião externa, sem lastro no trecho.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que as expressões produzem "efeito negativo sobre os analfabetos, pois reforçam o sentimento de inferioridade, exclusão e marginalidade". Essa é a posição inferida da crítica de Ferreiro: ao usar linguagem de guerra ou doença, estigmatiza-se o analfabeto. O texto não explicita, mas a inferência é legítima, pois a autora claramente problematiza essa terminologia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diz que a compreensão como "praga" ou "epidemia" é o "modo mais preciso de diagnosticar" e que o problema é "uniformemente distribuído" – o texto não afirma isso; ao contrário, a autora critica essa visão. A alternativa contradiz a posição inferida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a terminologia médica é "conceitualmente exata" e que o analfabetismo é "condição médico-patológica" – o texto não sustenta essa visão, e a autora, ao constatar o uso, não o valida. É uma extrapolação que inverte o sentido crítico.

Conclusão: A banca cobrou inferência da posição autoral. A única alternativa coerente com a crítica de Ferreiro às metáforas bélicas e médicas é a C, que aponta o efeito estigmatizante dessas expressões.

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