Revolução de 1930 na interpretação de Boris Fausto
Gabarito: letra E. Boris Fausto, em seu estudo sobre a Revolução de 1930, interpreta o movimento como resultado de uma aliança temporária entre facções burguesas não vinculadas ao café, as classes médias urbanas e o tenentismo – e não como uma ruptura radical ou mera continuidade oligárquica. Essa visão é amplamente aceita na historiografia brasileira.
Alternativa | Descrição | Correta? | Motivo da Correção/Erro |
|---|
A | Representou um processo radical de cisão da burguesia nacional e a chegada ao poder dos militares legalistas apoiados pelos financistas. | ❌ | Para Fausto, não houve ruptura radical, mas rearticulação de elites; o movimento não foi liderado exclusivamente por militares legalistas. |
B | Materializou os interesses da nova aristocracia rural, interessada na ampliação da aliança comercial com o capital estadunidense e europeu. | ❌ | Os grupos envolvidos eram burgueses não vinculados ao café, e não uma nova aristocracia rural; a abertura ao capital estrangeiro não era o eixo central. |
C | Recolocou no poder frações da oligarquia cafeeira paulista preocupadas com a manutenção da Política de Valorização do Café. | ❌ | A Revolução de 1930 retirou do poder a oligarquia cafeeira paulista; a aliança era composta por facções não vinculadas ao café. |
D | Consolidou uma tendência política, proveniente do início da República, de reforçar o poder das elites regionais e estaduais. | ❌ | A Revolução de 1930 iniciou um processo de centralização política e enfraquecimento das oligarquias estaduais, não seu reforço. |
E | Resultou, basicamente, de uma aliança temporária entre facções burguesas não-vinculadas ao café, as classes médias e o tenentismo. | ✅ | Corresponde exatamente à interpretação de Boris Fausto sobre a Revolução de 1930. |
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a revolução representou uma cisão radical da burguesia nacional e a chegada ao poder dos militares legalistas apoiados por financistas. Para Fausto, a revolução não promoveu uma ruptura tão profunda; tratou-se de uma rearticulação de elites, com a participação de setores militares, mas não como um movimento liderado exclusivamente por militares legalistas. O erro está em radicalizar o caráter da mudança.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a revolução materializou os interesses da nova aristocracia rural interessada na ampliação da aliança comercial com capital estrangeiro. Fausto enfatiza que os grupos envolvidos eram burgueses não vinculados ao café, e não uma nova aristocracia rural. Além disso, a abertura ao capital estrangeiro não era o eixo central da aliança.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alega que a revolução recolocou no poder frações da oligarquia cafeeira paulista preocupadas com a valorização do café. Na verdade, a Revolução de 1930 retirou do poder a oligarquia cafeeira de São Paulo. Fausto destaca que as facções burguesas que compuseram a aliança eram justamente as não vinculadas ao café.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sustenta que a revolução consolidou uma tendência de reforço do poder das elites regionais e estaduais. Ao contrário, a Revolução de 1930 iniciou um processo de centralização política e enfraquecimento das oligarquias estaduais. Fausto vê o movimento como uma reação ao federalismo oligárquico, e não sua continuidade.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Corresponde exatamente à interpretação de Boris Fausto: a Revolução de 1930 resultou basicamente de uma aliança temporária entre facções burguesas não vinculadas ao café, as classes médias e o tenentismo. Essa composição de forças, embora transitória, foi suficiente para derrubar o regime oligárquico e iniciar a Era Vargas.
Gabarito: letra E