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Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025

HistóriaHistória do Brasil
Código
vu102626
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sorocaba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História
No artigo Escravidão negra em debate (Em: Marcos Cezar de Freitas (org.), Historiografia brasileira em perspectiva, 1998), Suely Robles Reis de Queiróz assevera que “a matriz do dissenso historiográfico está na caracterização do sistema escravista, tido por alguns como violento e cruel, por outros como brando, benevolente”.Em meio a esse debate historiográfico, Emília Viotti da Costa e Florestan Fernandes entendiam a escravidão como sendo
  1. Asuperestimada pelos historiadores econômicos, porque parte considerável da produção agroexportadora utilizou diversas formas de mão de obra livre.
  2. Bparadoxal, diante das formas contrapostas de tratamentos dos escravizados, ora com docilidade, ora castigados com extremo rigor, inclusive com a morte.
  3. Cnecessária para a catequização das nações indígenas, aliadas dos colonizadores, para preservá-los da exploração do trabalho compulsório.
  4. Dcontinuidade do feudalismo na Península Ibérica, e o escravizado no Brasil transformou-se em uma espécie de servo da gleba, mas sem direitos básicos.
  5. Epedra basilar do processo de acumulação do capital e, dessa forma, a coerção e repressão seriam as principais formas de controle social do escravizado.
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GabaritoE — pedra basilar do processo de acumulação do capital e, dessa forma, a coerção e repressão seriam as principais formas de controle social do escravizado.

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Escravidão no Brasil: interpretações historiográficas

Gabarito: letra E. Emília Viotti da Costa e Florestan Fernandes, inseridos na tradição marxista, compreendem a escravidão como elemento central do processo de acumulação de capital no Brasil, sendo a coerção e a repressão as principais formas de controle social sobre os escravizados. Essa visão se contrapõe diretamente à tese da escravidão "branda" ou benevolente, mencionada no enunciado.

A questão aborda o debate historiográfico sobre a caracterização do sistema escravista brasileiro. Enquanto alguns autores destacam a violência e a crueldade, outros tendem a minimizá-las. Florestan Fernandes (em obras como A Integração do Negro na Sociedade de Classes) e Emília Viotti da Costa (em Da Senzala à Colônia e A Abolição) defendem que a escravidão foi a base da acumulação capitalista no Brasil, e que a repressão violenta era inerente ao sistema.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a escravidão era "superestimada" e que boa parte da produção agroexportadora usou mão de obra livre. Esse argumento é contrário à visão dos autores, que consideram o trabalho escravo predominante e essencial para a economia colonial e imperial. A alternativa confunde o peso real da escravidão com uma suposta superestimação por historiadores econômicos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sugere que a escravidão era "paradoxal", com tratamentos opostos (docilidade e extremo rigor). Embora o enunciado mencione o dissenso entre visões de crueldade e benevolência, a alternativa B tenta conciliá-las como um paradoxo interno ao sistema. No entanto, Florestan e Emília rejeitam a ideia de paradoxo: para eles, a violência era sistemática e não uma oscilação entre extremos. A palavra "paradoxal" não traduz a interpretação marxista que enfatiza a exploração e repressão estruturais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Relaciona a escravidão à necessidade de catequizar indígenas para poupá-los do trabalho compulsório. Essa visão ignora o cerne do pensamento dos autores, que focam na dimensão econômica e social da escravidão africana, não em justificativas religiosas. A catequização foi um discurso colonial, não uma categoria analítica usada por Fernandes e Costa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Enquadra a escravidão brasileira como continuidade do feudalismo ibérico, transformando o escravizado em "servo da gleba". Essa tese é rejeitada por Florestan Fernandes, que entende a escravidão colonial como parte do capitalismo mercantil, não como resquício feudal. A servidão e a escravidão são regimes distintos; a associação com o feudalismo é uma interpretação contrária à dos autores.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Exatamente a visão de Florestan Fernandes e Emília Viotti da Costa: a escravidão foi "pedra basilar do processo de acumulação do capital", e a "coerção e repressão" foram as principais formas de controle social. Essa perspectiva, típica da historiografia marxista, enfatiza o papel do trabalho escravo na geração de excedentes que financiaram a industrialização e a consolidação do capitalismo brasileiro. A violência não foi episódica, mas estrutural.

Gabarito: letra E.

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