Escravidão no Brasil: interpretações historiográficas
Gabarito: letra E. Emília Viotti da Costa e Florestan Fernandes, inseridos na tradição marxista, compreendem a escravidão como elemento central do processo de acumulação de capital no Brasil, sendo a coerção e a repressão as principais formas de controle social sobre os escravizados. Essa visão se contrapõe diretamente à tese da escravidão "branda" ou benevolente, mencionada no enunciado.
A questão aborda o debate historiográfico sobre a caracterização do sistema escravista brasileiro. Enquanto alguns autores destacam a violência e a crueldade, outros tendem a minimizá-las. Florestan Fernandes (em obras como A Integração do Negro na Sociedade de Classes) e Emília Viotti da Costa (em Da Senzala à Colônia e A Abolição) defendem que a escravidão foi a base da acumulação capitalista no Brasil, e que a repressão violenta era inerente ao sistema.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a escravidão era "superestimada" e que boa parte da produção agroexportadora usou mão de obra livre. Esse argumento é contrário à visão dos autores, que consideram o trabalho escravo predominante e essencial para a economia colonial e imperial. A alternativa confunde o peso real da escravidão com uma suposta superestimação por historiadores econômicos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere que a escravidão era "paradoxal", com tratamentos opostos (docilidade e extremo rigor). Embora o enunciado mencione o dissenso entre visões de crueldade e benevolência, a alternativa B tenta conciliá-las como um paradoxo interno ao sistema. No entanto, Florestan e Emília rejeitam a ideia de paradoxo: para eles, a violência era sistemática e não uma oscilação entre extremos. A palavra "paradoxal" não traduz a interpretação marxista que enfatiza a exploração e repressão estruturais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Relaciona a escravidão à necessidade de catequizar indígenas para poupá-los do trabalho compulsório. Essa visão ignora o cerne do pensamento dos autores, que focam na dimensão econômica e social da escravidão africana, não em justificativas religiosas. A catequização foi um discurso colonial, não uma categoria analítica usada por Fernandes e Costa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Enquadra a escravidão brasileira como continuidade do feudalismo ibérico, transformando o escravizado em "servo da gleba". Essa tese é rejeitada por Florestan Fernandes, que entende a escravidão colonial como parte do capitalismo mercantil, não como resquício feudal. A servidão e a escravidão são regimes distintos; a associação com o feudalismo é uma interpretação contrária à dos autores.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente a visão de Florestan Fernandes e Emília Viotti da Costa: a escravidão foi "pedra basilar do processo de acumulação do capital", e a "coerção e repressão" foram as principais formas de controle social. Essa perspectiva, típica da historiografia marxista, enfatiza o papel do trabalho escravo na geração de excedentes que financiaram a industrialização e a consolidação do capitalismo brasileiro. A violência não foi episódica, mas estrutural.
Gabarito: letra E.