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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
vu102678
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sorocaba - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - Língua Portuguesa
Em relação à frase do 2° parágrafo “— A gente combinamos de não morrer!”, são análises coerentes com o exposto por Bechara (2015), Bagno (2003) e Martins (2008), correta e respectivamente:
  1. ATal construção atende à concordância entre sujeito e verbo tanto no conteúdo quanto na expressão. / O uso contraria a norma-padrão e pode ocorrer no contexto do dia a dia, mas deve ser evitado na escola. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “Consultemos o coração aqueles que o tivemos”.
  2. BTal construção atende à concordância entre sujeito e verbo, já que “a gente” pressupõe “nós”. / Trata-se de uso que contraria a norma de prestígio, razão pela qual deve ser evitado, principalmente no ambiente escolar. / Trata-se de um caso de concordância lógico-formal, a exemplo de “Os rios estão vazios”.
  3. CTal construção deve ser evitada, mesmo que haja distância suficiente entre sujeito e verbo. / O uso de formas não padrão não interfere na comunicação e elas devem ser amplamente disseminadas. / Trata­ -se de um caso de concordância lógico-formal, a exemplo de “A casa e o apartamento estavam sujeitos ao alto imposto na cidade”.
  4. DTal construção soa desagradável ao ouvido pela proximidade entre sujeito e verbo. / A crítica a esse tipo de construção constitui preconceito linguístico, vindo, em geral, das camadas privilegiadas da população. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “... tratei logo de convocar a trinca do Curvelo para que me arranjassem uma gaiola”.
  5. ETal construção desqualifica o uso da língua culta e impõe um padrão de falar que se deve evitar. / Desqualificar a concordância nessa construção é uma atitude de preconceito linguístico que nega a língua viva. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “Sim, eu agora ando bom. E tu, meu Luís, como vamos de saúde?”.
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GabaritoD — Tal construção soa desagradável ao ouvido pela proximidade entre sujeito e verbo. / A crítica a esse tipo de construção constitui preconceito linguístico, vindo, em geral, das camadas privilegiadas da população. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “... tratei logo de convocar a trinca do Curvelo para que me arranjassem uma gaiola”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância em "A gente combinamos" — análise linguística

Gabarito: letra D. A única alternativa que, na ordem, apresenta uma análise coerente com as visões de Bechara (tradicional), Bagno (sociolinguística) e Martins (estilística) sobre a frase "A gente combinamos de não morrer!" do conto de Conceição Evaristo.

A construção é um exemplo de concordância estilística (silepse): o sujeito "a gente" (terceira pessoa singular) é usado com verbo na primeira pessoa do plural, por influência do sentido de "nós". A passagem do texto é:

"— A gente combinamos de não morrer!"

Análise das alternativas

Autor

Análise sobre "A gente combinamos"

Exemplo citado

Bechara (2015)

A construção soa desagradável ao ouvido pela proximidade entre sujeito e verbo.

Bagno (2003)

A crítica a esse tipo de construção constitui preconceito linguístico, vindo, em geral, das camadas privilegiadas da população.

Martins (2008)

Trata-se de um caso de concordância estilística.

"... tratei logo de convocar a trinca do Curvelo para que me arranjassem uma gaiola"

Alternativa A — ❌ Incorreta

  • 1ª parte: Diz que a construção "atende à concordância entre sujeito e verbo tanto no conteúdo quanto na expressão". É falso: a concordância padrão exigiria "a gente combinou" — há discordância entre forma (singular) e verbo (plural). Contradiz o fato linguístico.

  • 2ª parte: Afirma que o uso deve ser evitado na escola — posição alinhada ao preconceito linguístico, não à visão de Bagno, que critica essa postura.

  • 3ª parte: Exemplo "Consultemos o coração aqueles que o tivemos" — não é silepse de número, é outra estrutura. Incoerente com o fenômeno.

Alternativa B — ❌ Incorreta

  • 1ª parte: "a gente pressupõe nós" — verdade, mas dizer que "atende à concordância" é impreciso: a concordância padrão é com a forma, não com a ideia. Bechara não endossaria isso como correto na norma culta.

  • 2ª parte: "deve ser evitado" — contraria Bagno, que defende a valorização da variação.

  • 3ª parte: Exemplo "Os rios estão vazios" é concordância padrão (sujeito plural, verbo plural), não estilística. Erro grave.

Alternativa C — ❌ Incorreta

  • 1ª parte: "deve ser evitada" — posição tradicional, mas Bechara reconhece a concordância estilística em contextos específicos. A afirmação é generalizante.

  • 2ª parte: "não interfere na comunicação e devem ser amplamente disseminadas" — extremo oposto, não corresponde à posição equilibrada de Bagno.

  • 3ª parte: Exemplo "A casa e o apartamento estavam sujeitos..." é concordância padrão (sujeito composto, verbo no plural), não estilística. Incoerente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

  • 1ª parte: "soa desagradável ao ouvido pela proximidade entre sujeito e verbo" — capta a reação do falante tradicional (Bechara) à proximidade do pronome "a gente" e a desinência verbal "-mos".

  • 2ª parte: "A crítica a esse tipo de construção constitui preconceito linguístico, vindo, em geral, das camadas privilegiadas" — exato posicionamento de Bagno (2003) em "Preconceito Linguístico".

  • 3ª parte: "Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de '... tratei logo de convocar a trinca do Curvelo para que me arranjassem uma gaiola'." — A concordância de "a trinca... arranjassem" é silepse de número (singular coletivo + verbo plural), idêntica ao fenômeno de "a gente combinamos". A correspondência é perfeita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

  • 1ª parte: "desqualifica o uso da língua culta e impõe um padrão a evitar" — visão extremamente prescritiva, que Bechara não endossa de forma tão radical.

  • 2ª parte: "Desqualificar a concordância... é preconceito" — correta para Bagno, mas a ordem exige que a segunda parte seja de Bagno (e a primeira de Bechara). A primeira está errada.

  • 3ª parte: Exemplo "Sim, eu agora ando bom. E tu, meu Luís, como vamos de saúde?" — "ando bom" é concordância não padrão de pessoa (eu ando + bom), não de número. Não exemplifica a silepse da frase original. Exemplo deslocado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca exige que o candidato reconheça a tríade Bechara (visão tradicional/estilística), Bagno (preconceito linguístico) e Martins (exemplo de silepse). As alternativas embaralham exemplos ou invertem as posições; somente a D mantém a ordem e a adequação.

PEGA ESSA DICA!

Grave que "concordância estilística" (ou ideológica) permite ao verbo concordar com a ideia, não com a forma. Exemplo clássico: "A multidão gritaram" (coletivo + plural). O exemplo de D é perfeito.

Conclusão: A alternativa D é a única que respeita, na sequência, as posições de Bechara (primeira), Bagno (segunda) e Martins (terceira), com exemplo adequado de concordância estilística.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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