Professor de Educação Básica II - Língua Portuguesa
Em relação à frase do 2° parágrafo “— A gente combinamos de não morrer!”, são análises coerentes com o exposto por Bechara (2015), Bagno (2003) e Martins (2008), correta e respectivamente:
ATal construção atende à concordância entre sujeito e verbo tanto no conteúdo quanto na expressão. / O uso contraria a norma-padrão e pode ocorrer no contexto do dia a dia, mas deve ser evitado na escola. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “Consultemos o coração aqueles que o tivemos”.
BTal construção atende à concordância entre sujeito e verbo, já que “a gente” pressupõe “nós”. / Trata-se de uso que contraria a norma de prestígio, razão pela qual deve ser evitado, principalmente no ambiente escolar. / Trata-se de um caso de concordância lógico-formal, a exemplo de “Os rios estão vazios”.
CTal construção deve ser evitada, mesmo que haja distância suficiente entre sujeito e verbo. / O uso de formas não padrão não interfere na comunicação e elas devem ser amplamente disseminadas. / Trata -se de um caso de concordância lógico-formal, a exemplo de “A casa e o apartamento estavam sujeitos ao alto imposto na cidade”.
DTal construção soa desagradável ao ouvido pela proximidade entre sujeito e verbo. / A crítica a esse tipo de construção constitui preconceito linguístico, vindo, em geral, das camadas privilegiadas da população. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “... tratei logo de convocar a trinca do Curvelo para que me arranjassem uma gaiola”.
ETal construção desqualifica o uso da língua culta e impõe um padrão de falar que se deve evitar. / Desqualificar a concordância nessa construção é uma atitude de preconceito linguístico que nega a língua viva. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “Sim, eu agora ando bom. E tu, meu Luís, como vamos de saúde?”.
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GabaritoD — Tal construção soa desagradável ao ouvido pela proximidade entre sujeito e verbo. / A crítica a esse tipo de construção constitui preconceito linguístico, vindo, em geral, das camadas privilegiadas da população. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “... tratei logo de convocar a trinca do Curvelo para que me arranjassem uma gaiola”.
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Concordância em "A gente combinamos" — análise linguística
Gabarito: letra D. A única alternativa que, na ordem, apresenta uma análise coerente com as visões de Bechara (tradicional), Bagno (sociolinguística) e Martins (estilística) sobre a frase "A gente combinamos de não morrer!" do conto de Conceição Evaristo.
A construção é um exemplo de concordância estilística (silepse): o sujeito "a gente" (terceira pessoa singular) é usado com verbo na primeira pessoa do plural, por influência do sentido de "nós". A passagem do texto é:
"— A gente combinamos de não morrer!"
Análise das alternativas
Autor
Análise sobre "A gente combinamos"
Exemplo citado
Bechara (2015)
A construção soa desagradável ao ouvido pela proximidade entre sujeito e verbo.
—
Bagno (2003)
A crítica a esse tipo de construção constitui preconceito linguístico, vindo, em geral, das camadas privilegiadas da população.
—
Martins (2008)
Trata-se de um caso de concordância estilística.
"... tratei logo de convocar a trinca do Curvelo para que me arranjassem uma gaiola"
Alternativa A — ❌ Incorreta
1ª parte: Diz que a construção "atende à concordância entre sujeito e verbo tanto no conteúdo quanto na expressão". É falso: a concordância padrão exigiria "a gente combinou" — há discordância entre forma (singular) e verbo (plural). Contradiz o fato linguístico.
2ª parte: Afirma que o uso deve ser evitado na escola — posição alinhada ao preconceito linguístico, não à visão de Bagno, que critica essa postura.
3ª parte: Exemplo "Consultemos o coração aqueles que o tivemos" — não é silepse de número, é outra estrutura. Incoerente com o fenômeno.
Alternativa B — ❌ Incorreta
1ª parte: "a gente pressupõe nós" — verdade, mas dizer que "atende à concordância" é impreciso: a concordância padrão é com a forma, não com a ideia. Bechara não endossaria isso como correto na norma culta.
2ª parte: "deve ser evitado" — contraria Bagno, que defende a valorização da variação.
3ª parte: Exemplo "Os rios estão vazios" é concordância padrão (sujeito plural, verbo plural), não estilística. Erro grave.
Alternativa C — ❌ Incorreta
1ª parte: "deve ser evitada" — posição tradicional, mas Bechara reconhece a concordância estilística em contextos específicos. A afirmação é generalizante.
2ª parte: "não interfere na comunicação e devem ser amplamente disseminadas" — extremo oposto, não corresponde à posição equilibrada de Bagno.
3ª parte: Exemplo "A casa e o apartamento estavam sujeitos..." é concordância padrão (sujeito composto, verbo no plural), não estilística. Incoerente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
1ª parte: "soa desagradável ao ouvido pela proximidade entre sujeito e verbo" — capta a reação do falante tradicional (Bechara) à proximidade do pronome "a gente" e a desinência verbal "-mos".
2ª parte: "A crítica a esse tipo de construção constitui preconceito linguístico, vindo, em geral, das camadas privilegiadas" — exato posicionamento de Bagno (2003) em "Preconceito Linguístico".
3ª parte: "Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de '... tratei logo de convocar a trinca do Curvelo para que me arranjassem uma gaiola'." — A concordância de "a trinca... arranjassem" é silepse de número (singular coletivo + verbo plural), idêntica ao fenômeno de "a gente combinamos". A correspondência é perfeita.
Alternativa E — ❌ Incorreta
1ª parte: "desqualifica o uso da língua culta e impõe um padrão a evitar" — visão extremamente prescritiva, que Bechara não endossa de forma tão radical.
2ª parte: "Desqualificar a concordância... é preconceito" — correta para Bagno, mas a ordem exige que a segunda parte seja de Bagno (e a primeira de Bechara). A primeira está errada.
3ª parte: Exemplo "Sim, eu agora ando bom. E tu, meu Luís, como vamos de saúde?" — "ando bom" é concordância não padrão de pessoa (eu ando + bom), não de número. Não exemplifica a silepse da frase original. Exemplo deslocado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca exige que o candidato reconheça a tríade Bechara (visão tradicional/estilística), Bagno (preconceito linguístico) e Martins (exemplo de silepse). As alternativas embaralham exemplos ou invertem as posições; somente a D mantém a ordem e a adequação.
PEGA ESSA DICA!
Grave que "concordância estilística" (ou ideológica) permite ao verbo concordar com a ideia, não com a forma. Exemplo clássico: "A multidão gritaram" (coletivo + plural). O exemplo de D é perfeito.
Conclusão: A alternativa D é a única que respeita, na sequência, as posições de Bechara (primeira), Bagno (segunda) e Martins (terceira), com exemplo adequado de concordância estilística.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.