Questão de Geografia — Geografia Física — VUNESP 2025
- Código
- vu102935
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Prefeitura de Tremembé - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor da Educação Básica II - Geografia
- Aigapó.
- Bcórregos.
- Cigarapé.
- Digara.
- Ecanal de maré.
GabaritoC — igarapé.
Gabarito: letra C. O excerto descreve cursos d'água de primeira ou segunda ordem, que funcionam como canais de acesso à mata e foram fundamentais para a ocupação indígena da Amazônia — exatamente a definição de igarapé, termo de origem tupi que designa os pequenos canais fluviais típicos da floresta amazônica.
O igarapé é um curso d'água de pequeno porte, geralmente de primeira ou segunda ordem na hierarquia fluvial, que nasce no interior da floresta e deságua em rios maiores. A palavra vem do tupi igara (canoa) + pé (caminho), significando literalmente "caminho de canoa". Essa etimologia explica perfeitamente o papel histórico descrito no texto: os igarapés eram as "estradas líquidas" que permitiam aos povos indígenas — e depois aos ribeirinhos — penetrar na mata, transportar mercadorias e estabelecer suas comunidades ao longo das margens.
A banca explora a confusão entre termos geográficos amazônicos que, embora relacionados, designam feições distintas. O igarapé é um canal de água doce, estreito e sinuoso, que pode ser perene ou intermitente, e que corta a floresta. Já o igapó é a vegetação que fica permanentemente alagada nas margens dos rios de águas escuras, e o canal de maré é um corpo d'água influenciado pelas marés, típico de regiões costeiras e estuarinas.
A pegadinha está em "igara" (alternativa D), que é apenas a raiz tupi para canoa, não um tipo de curso d'água. O candidato que conhece a etimologia pode se confundir, mas o texto fala de "cursos d'água", o que remete diretamente ao igarapé, e não à palavra isolada.
Igapó é a vegetação que sofre alagamento periódico ou permanente nas margens de rios e lagos amazônicos, especialmente os de águas escuras. Não é um curso d'água, mas sim uma formação vegetal associada a eles. O texto fala explicitamente de "cursos d'água", o que exclui essa alternativa.
Córregos são cursos d'água de pequeno porte, mas o termo é genérico e não carrega a especificidade amazônica descrita no texto — a referência à ocupação indígena e ao acesso à mata. Além disso, a palavra "córrego" não tem a mesma carga cultural e histórica do igarapé na região amazônica.
Igarapé é exatamente o que o texto descreve: um curso d'água de primeira ou segunda ordem, que serve como via de acesso à floresta e foi essencial para a ocupação indígena da Amazônia. A definição de Aziz Ab'Sáber se encaixa perfeitamente nesse conceito, que é um dos elementos mais característicos da hidrografia amazônica.
Igara é a raiz tupi para "canoa", não um tipo de curso d'água. O texto fala de "cursos d'água", e "igara" sozinha não designa nenhuma feição hidrográfica. É um distrator etimológico: o candidato que sabe que "igarapé" vem de "igara" pode ser tentado a marcar esta opção, mas ela está incompleta e incorreta.
Canal de maré é um corpo d'água que sofre influência direta das marés, típico de regiões costeiras, estuários e manguezais. Não se aplica ao contexto amazônico de águas interiores descrito no texto, que fala de cursos d'água de primeira ou segunda ordem no interior da floresta.
A banca troca o conceito de igarapé por termos vizinhos da Amazônia: igapó (vegetação alagada) e igara (raiz de canoa). A palavra-chave é "cursos d'água" — só o igarapé é um curso d'água; igapó é vegetação e igara é canoa. Fique atento à etimologia: igarapé = caminho de canoa, o que reforça a ideia de via de acesso.
Para diferenciar os termos amazônicos, lembre-se: igarapé = canal de água doce que corta a mata; igapó = mata alagada; várzea = mata que alaga sazonalmente; terra firme = área não alagada. Associe cada um à sua característica principal e ao contexto em que aparece.
Gabarito: letra C.
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