Questão de História — História Geral — VUNESP 2025
História›História Geral
Código
vu102955
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Tremembé - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor da Educação Básica II - História
Historiadores soviéticos sugeriram corretamente uma tríplice classificação. Realmente, a região central do feudalismo europeu foi aquela onde ocorreu uma “síntese equilibrada” de elementos romanos e germânicos: essencialmente, o Norte da França e zonas contiguas, a terra do Império Carolíngio.(Perry Anderson, Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, 1998. Adaptado)Considerando a tríplice classificação citada, é correto afirmar que
Ana região central da atual França, a experiência dos direitos senhoriais foi efêmera, porque o poder real manteve-se forte, mesmo com a dissolução do Império Franco.
Bna Itália e nas regiões adjacentes, a civilização urbana do final da Antiguidade nunca foi totalmente a pique e a organização política municipal floresceu a partir do século X.
Cna Península Ibérica, houve a constituição da forma mais radical de vassalagem e suserania, com o poder político ficando bem diluído e sem intervenção do papado.
Dno Leste europeu, as estruturas romanas permaneceram dominantes, permitindo a formação de cidades autônomas, sem qualquer vínculo com o poder religioso.
Enas regiões nórdicas da Europa, efetivou-se um feudalismo muito particular, porque a existência do servo na gleba não impediu a formação de um mercado de longa distância.
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GabaritoB — na Itália e nas regiões adjacentes, a civilização urbana do final da Antiguidade nunca foi totalmente a pique e a organização política municipal floresceu a partir do século X.
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Feudalismo europeu: a tríplice classificação de Perry Anderson
Gabarito: letra B. Perry Anderson, em Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, propõe uma divisão tripartida do feudalismo europeu. A zona central (noroeste da França, eixo carolíngio) caracterizou-se por uma síntese equilibrada entre elementos romanos e germânicos. Nas demais zonas, o peso de cada herança variou. Na Itália e regiões adjacentes, a herança romana urbana nunca se extinguiu completamente, o que permitiu o florescimento da organização política municipal (as comunas) a partir do século X — traço distintivo apontado pelo autor e retomado pela alternativa correta.
Feudalismo europeu (Perry Anderson): Zona central (síntese equilibrada) (Norte da França, eixo carolíngio, Fragmentação do poder, Consolidação da suserania); Zona de persistência romana (Itália e regiões adjacentes, Vida urbana preservada, Comunas a partir do séc. X); Zona de predomínio germânico (Leste europeu, Pouca herança romana, Urbanização tardia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que, na região central da França, os direitos senhoriais foram efêmeros porque o poder real se manteve forte. Isso inverte a tese de Anderson: justamente nessa área ocorreu a fragmentação do poder e a consolidação da suserania, com o poder real enfraquecido após a desagregação do Império Carolíngio.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente a zona de persistência romana: a Itália e áreas vizinhas preservaram a vida urbana e, a partir do século X, assistiram ao renascimento das comunas, fenômeno que Anderson relaciona à continuidade das estruturas municipais tardo-antigas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Atribui à Península Ibérica a forma mais radical de vassalagem e suserania, com poder diluído e sem intervenção papal. Na realidade, o feudalismo ibérico foi influenciado pela Reconquista, com forte presença da Igreja e da Coroa, não podendo ser considerado o mais “radical” — essa característica cabe melhor à zona central francesa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alega que no Leste europeu as estruturas romanas permaneceram dominantes, gerando cidades autônomas sem vínculo religioso. Ao contrário, o Leste europeu recebeu pouca herança romana; a organização social era marcadamente germânica e eslava, com urbanização tardia e forte influência da Igreja.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve um feudalismo nórdico particular, onde a servidão não impediu o comércio de longa distância. Embora a afirmação tenha algum fundo histórico (rotas vikings e hanséáticas), não corresponde à classificação tríplice de Anderson, que não destaca essa região como categoria autônoma — os países nórdicos eram periféricos ao núcleo feudal.
Conclusão: a única alternativa que se alinha à classificação de Perry Anderson é a letra B, que capta a continuidade urbana na Itália e regiões adjacentes.