Questão de História — Questões Internacionais: história do tempo presente — VUNESP 2025
História›Questões Internacionais: história do tempo presente
Código
vu102959
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Tremembé - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor da Educação Básica II - História
Sobretudo a partir do século XIX, a perspectiva que passava a predominar prognosticava o desaparecimento total dos povos indígenas. A tese da extinção, sustentada por sucessivas correntes do pensamento social brasileiro e reforçada, mais tarde, pelas teorias que orientavam a antropologia no país, encontrava na história uma sólida base de apoio. Assim, para von Martius, as sociedades americanas, enquanto frutos de uma decadência ou degenerescência histórica, traziam “já visível o gérmen do desaparecimento rápido”.(John Manuel Monteiro. O desafio da história indígena no Brasil. Em: Aracy Lopes da Silva e Luís Donisete Benzi Grupioni (org.). A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1° e 2° graus, 1995)De acordo com John Monteiro, a partir dos anos finais do século XX, o contexto abordado pelo fragmento
Afoi revertido, pois, além do crescimento dessas populações, houve o fortalecimento de organizações indígenas e do movimento indigenista em prol dos direitos históricos desses povos.
Bserviu como suporte teórico para a política indigenista no país, que praticou o deslocamento forçado de populações indígenas, desagregando comunidades para melhor absorção do avanço civilizatório.
Csofreu profundo agravamento, em razão do processo de desterritorialização e aculturação das populações indígenas, conforme preconizado pelos termos da Constituição Federal de 1988.
Dpossibilitou a propagação de estudos antropológicos que defendiam a transfiguração das etnias indígenas, propondo formas de aculturação que amenizassem o impacto do processo civilizatório.
Eproduziu avanços importantes, graças à modificação de vários artigos da Constituição Federal de 1988, para garantir aos povos originários o direito à posse e comercialização de terras indígenas.
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GabaritoA — foi revertido, pois, além do crescimento dessas populações, houve o fortalecimento de organizações indígenas e do movimento indigenista em prol dos direitos históricos desses povos.
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Reversão da tese da extinção indígena no Brasil
Gabarito: letra A. O fragmento de John Monteiro aponta que, até o século XIX, predominava a tese da extinção dos povos indígenas. A partir dos anos finais do século XX, esse contexto foi revertido: ocorreu crescimento populacional indígena, fortalecimento de organizações indígenas e do movimento indigenista, e a Constituição de 1988 garantiu direitos históricos, como o reconhecimento da organização social, costumes, línguas e a posse permanente das terras tradicionalmente ocupadas (CF, art. 231). A alternativa A capta corretamente essa virada histórica.
Séc. XIXTese da extinção (von Martius)
Séc. XX (até 1980)Políticas integracionistas e deslocamentos
1988CF/88: direitos territoriais e culturais
Anos 1990 em dianteCrescimento populacional e ativismo indígena
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o contexto foi revertido com o crescimento populacional e o fortalecimento das organizações indígenas e do movimento indigenista em prol dos direitos históricos. Isso corresponde ao que ocorreu a partir da redemocratização e da Constituição de 1988, que reconheceu direitos territoriais e culturais, além do ativismo indígena que levou a um aumento demográfico e político.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a tese da extinção serviu de suporte teórico para políticas de deslocamento forçado e desagregação de comunidades. Embora essas práticas tenham ocorrido historicamente (como durante o SPI e a ditadura militar), elas não correspondem ao período a partir dos anos finais do século XX, quando houve uma mudança de paradigma. A partir da Constituição de 1988, o Estado brasileiro passou a reconhecer direitos indígenas, e não a promover deslocamentos forçados como política oficial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que houve agravamento do processo de desterritorialização e aculturação conforme preconizado pela Constituição de 1988. É o oposto: a Constituição de 1988 representa um marco na proteção dos direitos indígenas, estabelecendo a posse permanente das terras e o respeito à organização social e cultural. O texto constitucional não preconiza aculturação ou desterritorialização.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que a propagação de estudos antropológicos defendia a transfiguração das etnias e formas de aculturação para amenizar o impacto civilizatório. Essa ideia remete a correntes assimilacionistas do século XIX e início do XX, não à virada dos anos 1990. A antropologia moderna, influenciada pelo relativismo cultural, passou a valorizar a diversidade e a autodeterminação dos povos indígenas, e não a aculturação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que houve modificação de vários artigos da Constituição de 1988 para garantir a posse e comercialização de terras indígenas. A Constituição de 1988, em seu texto original, já garantia a posse permanente das terras tradicionalmente ocupadas (art. 231), mas não permite a comercialização dessas terras, que são inalienáveis e indisponíveis. Não houve modificação posterior nesse sentido; a proteção é rígida.