Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu102961
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Tremembé - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor da Educação Básica II - História
Emília Viotti da Costa propunha-se a revisionar a historiografia tradicionalista que não supera a versão oferecida pelos testemunhos dos vencedores e dos vencidos acerca do processo de proclamação da República.(Maria de Lourdes Mônaco Janotti, O diálogo convergente: políticos e historiadores no início da República. Em: Marcos Cezar de Freitas (org.). Historiografia brasileira em perspectiva, 1998. Adaptado)Para Emília Viotti da Costa, o movimento de 1889
Aresultou da conjugação de três forças: uma parcela do Exército, fazendeiros do Oeste Paulista e representantes das classes médias urbanas.
Binspirou-se nos regimes republicanos argentino e mexicano, porque essas nações tinham forte centralização político-administrativa.
Cderivou dos interesses das regiões que dependiam economicamente do mercado interno, como era o caso de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Ddemonstrou a força da elite nordestina, que defendia um governo fortemente centralizado, e a fragilidade da economia do Centro-Sul.
Eera inevitável, em razão da relutância da Monarquia em efetivar uma rápida transição do trabalho compulsório para o livre.
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GabaritoA — resultou da conjugação de três forças: uma parcela do Exército, fazendeiros do Oeste Paulista e representantes das classes médias urbanas.
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A Proclamação da República na visão de Emília Viotti da Costa
Gabarito: letra A. Segundo a interpretação revisionista de Emília Viotti da Costa, o movimento de 1889 resultou da conjugação de três forças principais: uma parcela do Exército, fazendeiros do Oeste Paulista e representantes das classes médias urbanas. Esse entendimento rompe com a historiografia tradicional que enfatizava apenas o papel dos militares ou uma suposta inevitabilidade do regime republicano.
A questão cobra o conhecimento da tese central da autora em obras como A Proclamação da República (1975) e Da Monarquia à República: momentos decisivos (1998). Emília Viotti critica tanto a versão dos "vencedores" (militares heroicos) quanto a dos "vencidos" (monarquistas), propondo uma análise que articula interesses de diferentes grupos sociais.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa reproduz fielmente a tese de Viotti da Costa: a República foi produto da aliança entre setores do Exército (insatisfeitos com o governo imperial), a elite cafeeira paulista (que desejava maior autonomia e modernização) e as camadas médias urbanas (atraídas pelo ideário republicano). Essa conjugação é explicada em detalhes por Janotti no texto citado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o movimento se inspirou nos regimes republicanos argentino e mexicano. Emília Viotti não atribui peso determinante a modelos externos; ela enfatiza fatores internos. Além disso, a centralização político-administrativa argentina e mexicana não era um modelo desejado pelos republicanos brasileiros, que inicialmente defendiam um federalismo descentralizado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere que a República derivou dos interesses de regiões dependentes do mercado interno, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Na verdade, a autora destaca o protagonismo do Oeste Paulista (São Paulo), que tinha economia voltada para a exportação cafeeira. Minas Gerais e Rio Grande do Sul só ganhariam maior relevância na política após 1894, com a chamada "Política dos Governadores".
Alternativa D — ❌ Incorreta
Inverte os polos: a elite nordestina era, em sua maioria, monarquista e defensora da centralização, enquanto o Centro-Sul (especialmente São Paulo) era o polo republicano e federalista. Emília Viotti mostra que a fragilidade econômica do Nordeste contribuiu para sua resistência à República, e não o contrário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a República era inevitável devido à relutância da Monarquia em adotar o trabalho livre. A autora rejeita o determinismo histórico: para ela, a República foi uma construção política contingente, resultado de um jogo de forças. A abolição (1888) criou condições, mas não levou automaticamente à queda do Império; houve uma conjuntura específica de crise militar, desgaste político e articulação de interesses.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa E pode enganar por associar diretamente abolição e República. Embora a escravidão fosse um pilar da monarquia, Emília Viotti não considera o novo regime como desfecho inevitável. Ela mostra que a República dependeu de uma aliança ativa de forças, e não de uma simples reação à abolição.