Questão de História — Era Vargas – 1930-1954 — VUNESP 2025
História›Era Vargas – 1930-1954
Código
vu102971
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Tremembé - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor da Educação Básica II - História
Essa concepção pragmática da História, como disciplina escolar, servia à formação do cidadão ideal para o estado centralizado, que tinha como um dos seus objetivos neutralizar o poder das oligarquias regionais, formando o que se concebia como “sentimento nacional brasileiro”. Sentimento este que teria como fundamento a raça, a língua e a religião, e um território com uma única administração.(Katia Abud. Currículos de História e políticas públicas: os programas de História do Brasil na Escola Secundária. Em: Circe Maria Fernandes Bittencourt (org.). O saber histórico na sala de aula, 1998)Analisando os programas de História do período Vargas, a autora identificou como parte dos conteúdos que atendem ao exposto no excerto
Aa comparação do processo de Independência do Brasil com o das Colônias Espanholas da América.
Bo resgate das raízes históricas das “três raças” do Brasil, valorizando a cultura de origem africana.
Ca desmitificação da unidade étnica do povo brasileiro, enfatizando-se a influência afro-indígena na formação do Brasil.
Do papel da Companhia de Jesus como responsável pela defesa dos povos indígenas contra a dominação portuguesa.
Eo despovoamento e a pobreza provocados na província de São Paulo pelo movimento bandeirante.
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GabaritoA — a comparação do processo de Independência do Brasil com o das Colônias Espanholas da América.
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Concepção pragmática da História na Era Vargas
Gabarito: letra A. O excerto de Katia Abud descreve uma História escolar a serviço do estado centralizado de Vargas, que buscava forjar um "sentimento nacional brasileiro" baseado em raça, língua, religião e unidade territorial. A comparação da Independência do Brasil com a fragmentação das colônias espanholas (alternativa A) reforça a narrativa de unidade e excepcionalidade brasileira, alinhando-se perfeitamente ao projeto nacionalista do Estado Novo.
O período Vargas, especialmente o Estado Novo (1937-1945), promoveu a centralização política e cultural. A educação era instrumento de difusão de uma identidade nacional homogênea, que minimizava conflitos regionais e étnicos. A comparação com as colônias espanholas — que se fragmentaram em várias repúblicas — destacava o Brasil como uma nação coesa e estável, justificando o regime centralizador.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Comparar a Independência do Brasil (monarquia unitária) com a das colônias espanholas (repúblicas fragmentadas) permitia exaltar a unidade territorial e política do Brasil, contrastando com a desagregação hispano-americana. Esse conteúdo atendia diretamente ao objetivo de formar o "sentimento nacional" e neutralizar as oligarquias regionais, mostrando o Brasil como uma nação que preservou sua integridade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O resgate das "três raças" com valorização da cultura africana poderia sugerir uma identidade plural, mas o Estado Novo promovia uma imagem de fusão harmônica (democracia racial) que, na prática, silenciava as contribuições específicas de grupos subordinados. A valorização explícita da cultura africana não era o foco dos programas oficiais, que privilegiavam a homogeneidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Desmitificar a unidade étnica e enfatizar a influência afro-indígena contraria a ideia de unidade que o texto aponta como fundamento. O projeto nacionalista de Vargas buscava justamente mitificar a unidade, não desconstruí-la. Conteúdos que evidenciassem divisões ou conflitos étnicos seriam contraproducentes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Atribuir à Companhia de Jesus a defesa dos indígenas contra a dominação portuguesa não se relaciona com a formação de um sentimento nacional coeso. Além disso, a narrativa oficial do Estado Novo tendia a exaltar a ação do Estado português e da Igreja como agentes civilizadores, não em tensão com eles.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Enfatizar o despovoamento e a pobreza em São Paulo devido ao bandeirantismo destacaria um aspecto negativo de uma região, o que iria contra a necessidade de neutralizar oligarquias regionais e unificar o país. Além disso, o bandeirante era frequentemente mitificado como desbravador, não como causador de miséria.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação entre valorização das raízes africanas/indígenas e identidade nacional, mas o Estado Novo promovia uma unidade homogeneizadora, não uma valorização específica de culturas subalternas. O candidato pode confundir o discurso de 'democracia racial' com inclusão efetiva. Fique atento: o excerto fala em 'raça' como fundamento da unidade, não como diversidade a ser celebrada.