Questão de Português — Problemas da língua culta — VUNESP 2025
Português›Problemas da língua culta
Código
vu104142
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Professor de Educação Básica I - QM 2020
Leia o excerto a seguir:Uma reportagem do Correio Braziliense, de 22 de maio de 1988, tem como título “Brasiliense não sabe usar a língua nacional” e, como subtítulo, “Placas comerciais retratam ignorância generalizada sobre regras ortográficas primárias”.(Magalhães, em Kleiman, 1995)De acordo com a autora, em sua discussão sobre práticas discursivas de letramento, tais enunciados evidenciam
Aa necessidade de reforçar a padronização ortográfica para além dos muros da escola, como forma de preservar a identidade nacional.
Ba importância de considerar placas e letreiros a partir da perspectiva do português correto, enquanto direito linguístico.
Ca função social da mídia, por meio da pauta-denúncia, no processo de luta política pelo letramento em comunidades carentes.
Do analfabetismo funcional de parte da população ao criar placas que não efetivam sua intencionalidade comunicativa.
Euma noção preconceituosa e discriminatória de língua, além de reduzirem o uso linguístico a uma questão de erro.
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GabaritoE — uma noção preconceituosa e discriminatória de língua, além de reduzirem o uso linguístico a uma questão de erro.
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Preconceito linguístico em títulos de reportagem
Gabarito: letra E.
O enunciado apresenta o título e subtítulo de uma reportagem de 1988: “Brasiliense não sabe usar a língua nacional” e “Placas comerciais retratam ignorância generalizada sobre regras ortográficas primárias”. A autora, ao discutir práticas discursivas de letramento, denuncia o caráter preconceituoso e discriminatório dessa abordagem, que reduz o uso linguístico a erro, ignorando variações e contextos socioculturais. Portanto, a alternativa E é a única que reflete essa visão crítica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma ser necessário “reforçar a padronização ortográfica para além dos muros da escola”, o que vai ao encontro da visão tradicional que a autora critica. O texto não defende essa padronização; ao contrário, aponta o discurso como preconceituoso. Erro: contradiz o texto (a autora não endossa essa necessidade).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere “considerar placas e letreiros a partir da perspectiva do português correto”, o que também alinha-se com a visão normativa rejeitada pela autora. Não há defesa de “direito linguístico” ao português correto; a crítica é justamente a imposição de uma norma. Erro: contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Fala em “função social da mídia, por meio da pauta-denúncia, no processo de luta política pelo letramento”. O texto não menciona luta política nem letramento como solução; o título é apresentado como exemplo do discurso preconceituoso, não como denúncia legítima. Erro: extrapola / foge ao tema.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Atribui “analfabetismo funcional” à população, afirmando que as placas não efetivam intencionalidade comunicativa. Essa interpretação reforça o estigma que a autora critica. O texto não avalia a eficácia comunicativa; aponta o viés discriminatório do título. Erro: contradiz o texto.
Alternativa E — ✅ Correta
“uma noção preconceituosa e discriminatória de língua, além de reduzirem o uso linguístico a uma questão de erro.”
A autora, em discussão sobre letramento, problematiza exatamente essa redução do uso da língua a “erro” e o tom de “ignorância generalizada”. O título e subtítulo exemplificam um discurso que desqualifica variedades linguísticas. Alternativa sustentada pelo texto.
NÃO CAIA NESSA!
As alternativas A-D parecem “corretas” porque repetem o senso comum sobre a importância da norma culta, mas extrapolam ou contradizem a posição crítica da autora. A banca testa se o candidato percebe o viés do texto, não se concorda com ele.
PEGA ESSA DICA!
Leia o comando com atenção: “De acordo com a autora”. Isso obriga a identificar a perspectiva dela, não a sua opinião. Pergunte-se: “O que a autora quer mostrar com esse exemplo?”.