Questão de Física — Física Atômica e Nuclear — VUNESP 2025
Física›Física Atômica e Nuclear
Código
vu106686
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - Física
Em 1967, o alemão Hans Albrecht Bethe ganhou o prêmio Nobel de Física pelo seu trabalho que explica como a fusão nuclear pode produzir a energia que faz as estrelas brilharem. Ele descobriu alguns processos relacionados a essa geração; um deles é o ciclo CNO (carbono – nitrogênio – oxigênio), válido para estrelas maiores e o ciclo próton – próton (p-p), para estrelas menores, como o Sol. Resumidamente, o ciclo p-p para o Sol resulta na combinação de quatro prótons com dois elétrons, formando uma partícula alfa, dois neutrinos e seis raios gama, conforme a equação a seguir:Ao calcular a diferença de massa ∆m dessa reação, encontra-se 4,8 × 10–²⁹ kg. Sabendo-se que c = 3 × 10⁸ m/s, essa massa equivale a uma energia liberada que está na ordem de
A10³⁸ J
B10–³⁷ J
C10–²⁰ J
D10–¹² J
E10⁴⁵J
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GabaritoD — 10–¹² J
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Equivalência massa-energia na fusão nuclear
Gabarito: letra D. A energia liberada na reação de fusão é calculada pela relação de Einstein, . Substituindo e , obtém-se , cuja ordem de grandeza é — exatamente o que a alternativa D afirma.
A questão explora a equivalência entre massa e energia, um dos pilares da física moderna, proposto por Albert Einstein em 1905. A ideia central é que a massa não é uma grandeza independente da energia: uma variação de massa () em um processo corresponde a uma variação de energia () dada pela famosa equação . Nas reações nucleares, como a fusão que ocorre no Sol, a massa dos produtos é ligeiramente menor que a massa dos reagentes — essa diferença de massa (o "defeito de massa") é convertida em energia, que é liberada na forma de radiação gama, energia cinética das partículas e neutrinos.
O ciclo próton-próton (p-p), mencionado no enunciado, é o processo dominante em estrelas como o Sol, onde quatro prótons se fundem para formar um núcleo de hélio (partícula alfa), liberando dois pósitrons (que se aniquilam com elétrons, produzindo raios gama), dois neutrinos e energia. A diferença de massa entre os quatro prótons e o núcleo de hélio resultante é de aproximadamente — um valor minúsculo, mas que, multiplicado pelo quadrado da velocidade da luz (um número gigantesco), resulta em uma energia considerável.
Para resolver a questão, basta aplicar a fórmula diretamente. Vamos ao cálculo passo a passo:
Identificar os dados: e .
Aplicar a fórmula: .
Substituir os valores: .
Calcular o quadrado da velocidade da luz: .
Multiplicar: .
O resultado é . A ordem de grandeza de um número é a potência de 10 mais próxima do seu valor. Como está entre e , e mais próximo de , a ordem de grandeza de é . Portanto, a energia liberada está na ordem de .
A pegadinha desta questão está na manipulação dos expoentes. É comum o aluno errar ao calcular , esquecendo de elevar o 3 ao quadrado também, ou ao somar os expoentes de forma incorreta. Vamos detalhar: . Depois, na multiplicação , multiplicamos os coeficientes () e somamos os expoentes (), resultando em , que reescrevemos como . O erro mais comum é fazer , esquecendo de elevar a velocidade da luz ao quadrado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca não quer que você decore a fórmula, mas que a aplique com atenção aos expoentes. O erro clássico é esquecer de elevar a velocidade da luz ao quadrado, o que levaria a (alternativa C). Outro erro comum é inverter o sinal do expoente ou errar a soma: , e não ou . Ao fazer a conta, lembre-se: primeiro eleve ao quadrado, depois multiplique por , somando os expoentes das potências de 10.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O valor é absurdo e não corresponde a nenhum cálculo possível com os dados fornecidos. Esse número é da ordem da energia total liberada pelo Sol em um segundo, não da energia de uma única reação de fusão. O aluno que marca esta alternativa provavelmente somou os expoentes de forma incorreta (, e não ) ou confundiu a ordem de grandeza da energia de uma reação nuclear com a de uma estrela inteira.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O valor é extremamente pequeno, muito menor que a energia de um fóton de luz visível (que é da ordem de ). Esse resultado surgiria se o aluno subtraísse os expoentes em vez de somá-los (, e depois ajustasse para ), ou se errasse a conta de . A energia de uma reação nuclear, embora pequena em escala macroscópica, é da ordem de MeV (mega-elétron-volts), que corresponde a cerca de — muito maior que .
Alternativa C — ❌ Incorreta
O valor é o que se obteria se o aluno calculasse em vez de . Vejamos: . Essa é a pegadinha mais comum: esquecer que a velocidade da luz deve ser elevada ao quadrado. A fórmula correta é , e não . O aluno que marca esta alternativa demonstra não ter dominado a relação de equivalência massa-energia.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Aplicando corretamente a fórmula , obtemos . A ordem de grandeza desse valor é , pois o coeficiente está entre 1 e 10, mais próximo de 1. Portanto, a energia liberada está na ordem de , exatamente o que a alternativa afirma. Este é o resultado fisicamente correto: uma única reação de fusão nuclear libera uma energia da ordem de joules, que, embora pequena em escala humana, é enorme quando comparada à energia de uma reação química típica (da ordem de ).
Alternativa E — ❌ Incorreta
O valor é ainda mais absurdo que o da alternativa A. Esse número é da ordem da energia total liberada por uma supernova, não de uma reação nuclear individual. O aluno que marca esta alternativa provavelmente multiplicou os expoentes em vez de somá-los (, e depois ajustou para ), ou confundiu completamente a operação com potências de 10. A energia de uma reação de fusão no Sol é da ordem de , e não .
A chave para resolver esta questão é dominar a notação científica e a fórmula da equivalência massa-energia. Na hora da prova, lembre-se: , eleve a velocidade da luz ao quadrado primeiro, multiplique os coeficientes e some os expoentes. Com esse método, você chega ao resultado em segundos.