Questão de Geografia — História da Geografia — VUNESP 2025
- Código
- vu106936
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- SEDUC-SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Educação Básica II - Geografia
- Acrítica.
- Bcontemporânea.
- Cpragmática.
- Dregional.
- Efísica.
GabaritoC — pragmática.
Gabarito: letra C. O texto descreve uma geografia que atua como "instrumento da dominação burguesa" e "aparato do Estado capitalista", defendendo interesses como a maximização dos lucros e a manutenção da exploração do trabalho — características da geografia pragmática (também chamada de neopositivista ou teorética), corrente que, a partir da década de 1950, buscou aplicar métodos quantitativos e modelos matemáticos ao espaço, servindo diretamente ao planejamento estatal e empresarial. A fonte é a obra de Antonio Carlos Robert Moraes, que critica essa vertente por mascarar as contradições sociais.
A geografia pragmática surge no pós-Segunda Guerra Mundial, em um contexto de consolidação do capitalismo monopolista e de expansão do planejamento estatal. Seus adeptos defendiam uma "revolução teorético-quantitativa" na disciplina, importando métodos estatísticos e modelos matemáticos das ciências naturais para tornar a Geografia uma ciência "neutra" e "objetiva". Na prática, porém, essa pretensa neutralidade servia aos interesses do capital: os estudos de localização industrial, de fluxos de transporte e de organização do território eram encomendados por empresas e governos para otimizar a exploração de recursos e a acumulação de capital. É exatamente essa crítica que Moraes formula: a geografia pragmática, ao se apresentar como técnica apolítica, legitima a ação do capital sobre o espaço e oculta as desigualdades sociais.
A banca explora a distinção entre as principais correntes do pensamento geográfico. Enquanto a geografia crítica (alternativa A) — influenciada pelo marxismo, com autores como Milton Santos e o próprio Moraes — denuncia o caráter de classe da ciência e busca uma transformação social, a geografia pragmática é justamente o alvo dessa crítica: ela não questiona a ordem capitalista, mas a aperfeiçoa. As demais alternativas (contemporânea, regional, física) referem-se a recortes temporais, metodológicos ou temáticos que não correspondem à caracterização ideológica feita no texto.
A geografia crítica é a corrente que denuncia a dominação burguesa e o caráter de classe do saber geográfico, propondo uma ciência a serviço da transformação social. O texto, ao contrário, descreve uma geografia que serve ao capital, não que o critica. A pegadinha está em inverter os polos: o texto é uma crítica à geografia pragmática, não uma descrição da geografia crítica.
"Contemporânea" é um rótulo temporal (a geografia produzida hoje), não uma corrente com posicionamento ideológico definido. O texto não fala de época, mas de uma função política específica — a de legitimar a exploração —, o que remete a uma escola de pensamento, não a um período.
A geografia pragmática (ou neopositivista/teorética) é a corrente que, a partir dos anos 1950, buscou aplicar métodos quantitativos e modelos matemáticos ao espaço, servindo diretamente ao planejamento estatal e empresarial. O texto de Moraes a descreve como "instrumento da dominação burguesa" e "aparato do Estado capitalista", pois ela mascara as contradições sociais ao se apresentar como técnica neutra, legitimando a ação do capital sobre o território. É exatamente essa a crítica contida no enunciado.
A geografia regional é uma abordagem metodológica que estuda as particularidades de cada região (a "região" como categoria de análise), sem um vínculo necessário com a defesa dos interesses capitalistas. O texto não trata de método regional, mas de uma função ideológica — o que aponta para a corrente pragmática.
A geografia física estuda os elementos naturais da superfície terrestre (relevo, clima, vegetação, hidrografia), sem relação direta com a dominação burguesa ou a exploração do trabalho. O texto aborda uma geografia humana e política, comprometida com o capital — não com os fenômenos naturais.
A banca inverte os polos da crítica: o texto de Moraes é uma crítica à geografia pragmática, mas o candidato apressado pode ler "dominação burguesa" e pensar em "geografia crítica". Lembre-se: a crítica é a corrente que denuncia o capital; a pragmática é a que serve a ele. Com essa chave, você não erra mais.
Para questões de história do pensamento geográfico, monte uma tabela mental com as três grandes correntes: tradicional (descritiva, até meados do séc. XX), pragmática (quantitativa, a serviço do capital) e crítica (marxista, transformadora). O texto do enunciado quase sempre traz pistas ideológicas — "dominação", "lucro", "exploração" apontam para a pragmática; "transformação", "justiça social", "contradições" apontam para a crítica.
Gabarito: letra C.
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