Professor de Educação Básica II - Geografia - QM 2019
A pobreza atual resulta da convergência de causas que se dão em diversos níveis, existindo como vasos comunicantes e como algo racional, um resultado necessário do presente processo, um fenômeno inevitável, considerado até mesmo um fato natural. Alcançamos, assim, uma espécie de naturalização da pobreza, que seria politicamente produzida pelos atores globais com a colaboração consciente dos governos nacionais e, contrariamente, às situações precedentes, com a conivência de intelectuais contratados - ou apenas contatados - para legitimar essa naturalização.(SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal, 2021. Adaptado)Nessa última fase, o processo de globalização gera um conjunto de pessoas pobres que
Asão independentes de sistemas assistencialistas dos governos.
Bganham autonomia financeira à medida que a globalização gera trabalho.
Catuam nas atividades econômicas de maneira indireta.
Ddemandam cada vez mais recursos naturais ameaçando o sistema ambiental.
Enão são incluídos nem marginalizados, eles são excluídos do processo.
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GabaritoE — não são incluídos nem marginalizados, eles são excluídos do processo.
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Globalização e Exclusão Social
Gabarito: letra E. No pensamento de Milton Santos, a pobreza na globalização atual não é fruto de marginalização (que ainda pressupõe alguma inserção), mas sim de exclusão: os pobres são expulsos do sistema produtivo e das relações econômicas, tornando-se um excedente descartável. O texto afirma que a pobreza é naturalizada e politicamente produzida, e que esses indivíduos "não são incluídos nem marginalizados, eles são excluídos do processo".
A questão exige a compreensão da diferença entre exclusão e marginalização. Enquanto a marginalização implica uma participação periférica ou precária no sistema, a exclusão significa estar completamente à margem, sem qualquer vínculo funcional com a economia globalizada.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os pobres são independentes de sistemas assistencialistas. O texto não sugere independência; ao contrário, a pobreza é produzida e mantida por atores globais e governos, e os pobres são dependentes de políticas (ou da falta delas). A alternativa contraria a ideia de exclusão e dependência estrutural.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que ganham autonomia financeira com a globalização gerando trabalho. O texto critica justamente o contrário: a globalização gera pobreza e exclui pessoas do mercado de trabalho formal, não lhes conferindo autonomia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere que atuam indiretamente nas atividades econômicas. A exclusão implica que eles estão fora do circuito econômico, não participando nem direta nem indiretamente. A alternativa ainda mantém uma ideia de inserção residual, que não corresponde à exclusão total defendida por Milton Santos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Vincula a pobreza à demanda por recursos naturais e ameaça ambiental. Embora haja relação entre pobreza e degradação ambiental, o texto foca na naturalização política da pobreza, não na pressão sobre recursos. A questão cobra a interpretação específica do excerto, que não menciona essa causa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reproduz literalmente a ideia central do texto: "não são incluídos nem marginalizados, eles são excluídos do processo". Milton Santos distingue claramente exclusão de marginalização, afirmando que a pobreza atual decorre da exclusão completa do sistema, e não de uma inclusão precária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "exclusão" e "marginalização". Muitos candidatos podem associar pobreza à marginalização (participação periférica), mas o texto enfatiza a exclusão total — os pobres são descartados, não apenas marginalizados. Fique atento a essa nuance conceitual.