Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu107207
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História
Leia o texto a seguir:Recentemente, historiadores, entre os quais se destacam João Fragoso e Manolo Florentino, enfatizaram a importância da acumulação de capitais, por parte de um reduzido, mas poderoso grupo, cuja base de atuação era o Rio de Janeiro, embora não se limitasse a ele. Desde a primeira metade do século XVIII, constatamos um processo de acumulação urbana propiciado, em boa medida, por capitais investidos no tráfico de escravos.(Boris Fausto, História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2015. Adaptado)A perspectiva destacada no trecho complexifica uma visão consagrada da historiografia sobre o período colonial, reconhecida por enfatizar
Aa formação de um mercado interno amplo, baseado no desenvolvimento da economia aurífera e na expansão da pecuária.
Bos deslocamentos, o movimento constante de pessoas pelo interior e a busca da estabilidade representada pela família.
Ca diversidade de produção na colônia para além do açúcar e do ouro, com destaque para o algodão, o tabaco, o charque e o café.
Da grande propriedade, a escravidão e a vinculação com o exterior através de uns poucos produtos primários de exportação.
Ea intensidade das relações econômicas entre as regiões da bacia do Prata e dos Andes com os territórios da América Portuguesa.
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GabaritoD — a grande propriedade, a escravidão e a vinculação com o exterior através de uns poucos produtos primários de exportação.
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Historiografia colonial e a visão tradicional
Gabarito: letra D. O texto de Boris Fausto destaca uma nova perspectiva historiográfica que enfatiza a acumulação de capitais urbanos ligados ao tráfico de escravos no Rio de Janeiro setecentista. Essa abordagem complexifica a visão consagrada (tradicional) do período colonial brasileiro, que sempre enfatizou a grande propriedade rural (latifúndio), a mão de obra escrava e a vinculação da colônia ao mercado externo por meio de uns poucos produtos primários de exportação, como açúcar, ouro e, mais tarde, café.
A questão testa a compreensão do que era essa 'visão consagrada' — o modelo clássico de interpretação que predominou na historiografia até as revisões das últimas décadas. A resposta correta é a alternativa D, que sintetiza exatamente esses três pilares: grande propriedade, escravidão e exportação de poucos produtos primários.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A formação de um mercado interno amplo, baseado em ouro e pecuária, é uma característica mais identificada com os estudos revisionistas (como os de João Fragoso e Manolo Florentino) que mostram a circulação interna de capitais. A visão consagrada, ao contrário, subordinava a economia colonial ao exclusivo metropolitano, negando relevância ao mercado interno.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os deslocamentos populacionais e a busca por estabilidade familiar não são o foco da historiografia tradicional sobre o período colonial. Esse tema se insere mais em abordagens de história social ou demográfica posteriores.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A diversidade produtiva (algodão, tabaco, charque, café) é uma característica que a historiografia mais recente passou a valorizar para mostrar que a economia colonial não se resumia ao açúcar e ao ouro. A visão consagrada, porém, tendia a destacar justamente a monocultura e a dependência de poucos produtos de exportação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente os três eixos da interpretação clássica: grande propriedade (latifúndio), escravidão e produção voltada para o exterior com poucos produtos primários. A nova perspectiva de Fragoso e Florentino complexifica esse modelo ao mostrar a acumulação de capitais urbanos e o peso do tráfico de escravos na economia do Rio de Janeiro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As relações econômicas com a bacia do Prata e os Andes não são o cerne da visão consagrada sobre o Brasil colonial, que privilegiava os vínculos com a Europa, especialmente com Portugal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a visão tradicional (alternativa D) e as contribuições revisionistas. As alternativas A, C e E trazem elementos que os novos historiadores defendem, mas que não correspondem à 'visão consagrada' que o texto busca complexificar. O aluno deve atentar ao comando: a questão pergunta o que a perspectiva destacada complexifica, ou seja, qual é a visão consolidada que está sendo revista.