Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu107214
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História
Leia o texto a seguir:Em 1993, o país tomou conhecimento de duas das maiores chacinas da sua história: no dia 23 de julho, seis policiais militares saltaram de dois carros, em frente à igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, e abriram fogo contra quarenta crianças e jovens moradores de rua que dormiam nas escadarias; no dia 29 de agosto, um grupo de 36 homens armados e encapuzados fuzilou 21 pessoas, todas jovens, na favela de Vigário Geral, Zona Norte do Rio.(Lilia Moritz Schwarz; Heloisa Murgel Starling, Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Adaptado)Na perspectiva das autoras, os exemplos citados mostram que o Brasil
Atornava-se um país altamente industrializado ao mesmo tempo que lidava com problemas sociais.
Bprecisou avançar no combate à violência policial depois de diminuir a desigualdade social.
Cexperimentava o paradoxo de ser um país em que a democracia convivia com a injustiça social.
Dconquistou a estabilidade econômica antes de resolver o problema da violência urbana.
Eficara marcado pelas disparidades regionais, com índices de criminalidade concentrados no Sudeste.
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GabaritoC — experimentava o paradoxo de ser um país em que a democracia convivia com a injustiça social.
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A democracia e a injustiça social no Brasil dos anos 1990
Gabarito: letra C. O texto menciona duas chacinas ocorridas em 1993, no Rio de Janeiro, envolvendo crianças e jovens vulneráveis. Na perspectiva de Schwarcz e Starling, esses episódios revelam o paradoxo de um país que, mesmo vivendo em regime democrático após a Constituição de 1988, convivia com a brutal injustiça social e a violência institucionalizada. A alternativa C capta exatamente essa contradição: democracia política versus exclusão social.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que o Brasil "tornava-se um país altamente industrializado ao mesmo tempo que lidava com problemas sociais" é genérica e não reflete o foco do texto. As autoras não destacam a industrialização como contexto das chacinas; o paradoxo central é entre democracia e injustiça social, não entre indústria e problemas sociais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa sugere que o país "precisou avançar no combate à violência policial depois de diminuir a desigualdade social". O texto não indica que a desigualdade havia diminuído antes dos eventos; ao contrário, a permanência da injustiça social é parte do paradoxo. A ordem cronológica proposta é invertida em relação à realidade brasileira.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o Brasil "experimentava o paradoxo de ser um país em que a democracia convivia com a injustiça social". Exato. Em 1993, o Brasil já havia retornado à democracia (Constituição de 1988), mas as chacinas mostravam a persistência de graves violações de direitos humanos e exclusão social. O termo "paradoxo" é usado pelas autoras para descrever essa convivência contraditória.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa diz que o Brasil "conquistou a estabilidade econômica antes de resolver o problema da violência urbana". Embora o Plano Real tenha sido lançado em 1994 (um ano após os eventos), a estabilidade econômica não é mencionada no texto como contraponto. Além disso, a violência urbana não foi "resolvida" posteriormente, e a relação causal é simplista.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmação de que o Brasil "ficara marcado pelas disparidades regionais, com índices de criminalidade concentrados no Sudeste" desvia o foco. As chacinas ocorreram no Sudeste, mas o texto não aborda disparidades regionais; o paradoxo é nacional e envolve a contradição entre democracia e injustiça social, não regionalismo.
PEGA ESSA DICA!
Ao interpretar textos históricos, atente-se ao paradoxo ou contradição que o autor destaca. Neste caso, a chave é a coexistência de um regime democrático com práticas de violência e desigualdade extremas — um tema recorrente na historiografia brasileira recente.
Gabarito: letra C — a única que capta o paradoxo entre democracia e injustiça social.