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Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025

HistóriaHistória do Brasil
Código
vu107218
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História
Leia o texto a seguir:Pretendi esboçar as fronteiras e as etapas históricas que constituíram um espaço transcontinental, luso- -brasileiro e luso-africano que se assemelha a um atol do Pacífico. Na maior parte do tempo, a cadeia de montanhas unindo as ilhas fica submersa, invisível. Só quando um terremoto faz tremer o fundo do mar e se levantam tempestades é que o grande anel do atol surge no horizonte. Há, de fato, dois terremotos que expõem o arco transcontinental da zona econômica formada pelo Brasil e por Angola.(Luiz Felipe de Alencastro, O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. Adaptado)Um dos terremotos a que o autor se refere esteve associado à
  1. Amodernização capitalista relacionada à economia do café no século XIX, que fez o Brasil prescindir da escravização negra.
  2. Bexpansão napoleônica, que levou a uma profunda reconfiguração das relações comerciais entre o Brasil e a África.
  3. Cação dos navios de guerra britânicos que se interpuseram entre o Império do Brasil e os portos negreiros africanos.
  4. Dindependência do Haiti, primeiro país a abolir a escravidão, o que transformou o tráfico negreiro para a América.
  5. EConjuração Baiana, revolta que colocou a escravidão em questão e quase levou à interrupção do tráfico negreiro.
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GabaritoC — ação dos navios de guerra britânicos que se interpuseram entre o Império do Brasil e os portos negreiros africanos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O "arco transcontinental" luso-afro-brasileiro e os "terremotos" históricos

Gabarito: letra C. No livro O trato dos viventes, Luiz Felipe de Alencastro utiliza a metáfora dos "terremotos" para designar eventos que romperam a continuidade do sistema atlântico sul, expondo as conexões entre Brasil e África. Um desses abalos foi a ação dos navios de guerra britânicos que, a partir do início do século XIX, passaram a interceptar o tráfico negreiro entre o Império do Brasil e os portos africanos, desarticulando o eixo econômico sustentado pela escravidão.

A obra destaca que o tráfico atlântico de escravos estruturava um espaço econômico transcontinental, e a pressão britânica — intensificada com o Bill Aberdeen (1845) e a Lei Eusébio de Queirós (1850) — foi um choque que expôs esse arco submerso. As demais alternativas ou não correspondem ao argumento do autor, ou confundem eventos de menor repercussão estrutural.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A modernização cafeeira do século XIX, embora tenha gerado transformações econômicas, não prescindiu da escravidão; ao contrário, o café dependia fortemente do trabalho escravo até a abolição tardia. Para Alencastro, o fim do tráfico (não a economia do café) foi o verdadeiro "terremoto".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A expansão napoleônica (1808-1815) provocou a transferência da corte para o Brasil e a abertura dos portos, mas Alencastro não a considera um dos terremotos centrais; o foco está no colapso do tráfico, não na reconfiguração comercial imediata.

Alternativa C — ✅ Correta ⬅ GABARITO

A ação naval britânica contra o tráfico negreiro é apresentada por Alencastro como um dos dois grandes terremotos que expuseram o arco transatlântico. A interdição dos portos africanos pelos britânicos, especialmente após 1845, rompeu a circulação de escravos e obrigou o Brasil a encerrar o tráfico, alterando profundamente as relações com Angola.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A independência do Haiti (1804) teve impacto no imaginário e na política escravista, mas não transformou diretamente o tráfico para o Brasil. O Haiti foi um caso isolado, não um abalo estrutural no sistema luso-afro-brasileiro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A Conjuração Baiana (1798) foi uma revolta local, de caráter emancipacionista e antiescravista, mas sem capacidade de interromper o tráfico negreiro. Não é considerada por Alencastro um dos terremotos que moldaram o espaço transcontinental.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre a obra de Alencastro, lembre-se de que ele enfatiza o papel do tráfico negreiro na formação do capitalismo atlântico e os choques externos (como a pressão britânica) como rupturas decisivas. O outro "terremoto" mencionado no livro é a própria independência do Brasil em 1822.

Gabarito: letra C — a ação dos navios de guerra britânicos entre o Brasil e os portos negreiros africanos.

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