Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu107219
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História
Leia o texto a seguir:É no espaço mais amplo do Atlântico Sul que a história da América portuguesa e a gênese do Império do Brasil tomam toda a sua dimensão. A continuidade da história colonial não se confunde com a continuidade do território da Colônia. Na verdade, os condicionantes atlânticos, africanos – distintos dos vínculos europeus –, só desaparecem do horizonte do país após o término do tráfico negreiro e a ruptura da matriz espacial colonial. Tais condicionantes marcam a originalidade da formação histórica brasileira.(Luiz Felipe de Alencastro, O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. Adaptado)Na perspectiva do autor, entre os acontecimentos a seguir, o mais marcante na história da sociedade brasileira seria
Aa abdicação de D. Pedro I em 1831.
Ba proibição do tráfico negreiro em 1850.
Ca ascensão de D. Pedro II ao trono em 1840.
Da abertura dos portos em 1808.
Ea emancipação política em 1822.
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GabaritoB — a proibição do tráfico negreiro em 1850.
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A interpretação de Alencastro sobre a formação brasileira
Gabarito: letra B. Para Luiz Felipe de Alencastro, os condicionantes atlânticos e africanos, que marcam a originalidade do Brasil, só desaparecem após o término do tráfico negreiro (1850). Por isso, a proibição do tráfico é o acontecimento mais marcante na história da sociedade brasileira, conforme o texto.
Em seu ensaio, Alencastro defende que a continuidade da história colonial não se confunde com o território, mas sim com as dinâmicas atlânticas e africanas. Essas dinâmicas persistem mesmo após a independência política e só se encerram com o fim do tráfico de escravos.
Luiz Felipe de Alencastro (texto da questão):
"os condicionantes atlânticos, africanos – distintos dos vínculos europeus –, só desaparecem do horizonte do país após o término do tráfico negreiro e a ruptura da matriz espacial colonial."
Alternativa A — ❌ Incorreta
A abdicação de D. Pedro I (1831) é um evento político interno, vinculado às disputas entre liberais e conservadores e à crise do Primeiro Reinado. Para Alencastro, esse tipo de fato é secundário em relação aos processos estruturais atlânticos, que só se alteram com o fim do tráfico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A proibição do tráfico negreiro em 1850 (Lei Eusébio de Queirós) é, segundo o autor, o marco que extingue os condicionantes africanos que moldaram a sociedade brasileira. O texto afirma expressamente que esses condicionantes só desaparecem "após o término do tráfico negreiro".
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ascensão de D. Pedro II ao trono (1840) representa um rearranjo político-institucional, mas não altera a estrutura econômico-social baseada no tráfico e na escravidão. O autor valoriza as transformações estruturais, não os marcos dinásticos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A abertura dos portos (1808) foi um ato de ruptura com o exclusivo colonial, mas ainda mantinha vínculos europeus e não rompeu com a matriz atlântica africana. Para Alencastro, a verdadeira ruptura se dá com o fim do tráfico, décadas depois.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A emancipação política (1822) é o marco político da independência, mas Alencastro enfatiza que a "continuidade da história colonial não se confunde com a continuidade do território". A independência não encerra os condicionantes atlânticos; eles permanecem até 1850.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tentação de escolher a independência (1822) como o evento mais marcante, por ser o nascimento do Estado nacional. O texto, porém, desloca o eixo para a dimensão atlântica, tornando o fim do tráfico o verdadeiro divisor de águas. Atenção à ênfase do autor nos "condicionantes atlânticos, africanos".