Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu107220
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História
Leia o texto a seguir:É flagrante o anacronismo do procedimento que consiste em transpor o espaço nacional contemporâneo aos mapas coloniais para tirar conclusões sobre a Terra de Santa Cruz. Terra que não era toda uma só.(Luiz Felipe de Alencastro, O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. Adaptado)De acordo com o autor, tal anacronismo se deve ao fato de que
Aas capitanias hereditárias mantiveram entre si autonomia política e econômica, recortando as fronteiras do território da América Portuguesa.
Bnão havia aproximação histórica entre o litoral atlântico do Nordeste e o litoral atlântico do Rio de Janeiro, separados pela questão escravista.
Ca Amazônia e regiões vizinhas permaneceram historicamente dissociadas do miolo negreiro do Brasil, em função da geografia comercial da época.
Da economia do ouro no século XVIII vinculou a região das Minas Gerais diretamente a Portugal, em detrimento das relações com outras áreas da colônia.
Enão havia navegação fluvial nos tempos da colonização, o que dificultou a integração social e econômica dos territórios pertencentes a Portugal.
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GabaritoC — a Amazônia e regiões vizinhas permaneceram historicamente dissociadas do miolo negreiro do Brasil, em função da geografia comercial da época.
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O anacronismo nos mapas coloniais brasileiros
Gabarito: letra C. O autor Luiz Felipe de Alencastro critica a visão anacrônica de projetar o Brasil contemporâneo unificado sobre os mapas coloniais, pois, na época, o território era fragmentado. A alternativa C explica corretamente que a Amazônia e regiões vizinhas permaneceram historicamente dissociadas do "miolo negreiro" do Brasil (as áreas de plantation escravista) devido à geografia comercial da época, que integrava o Norte ao Atlântico Norte e o "miolo" ao Atlântico Sul (eixo África-Brasil).
A obra O trato dos viventes destaca que a formação do Brasil se deu por diferentes circuitos atlânticos, e não como um todo homogêneo. A Amazônia, com sua economia extrativista (drogas do sertão), estava ligada ao Caribe e à Europa, enquanto o Nordeste açucareiro e, depois, o Sudeste minerador/cafeeiro estavam diretamente conectados ao tráfico negreiro africano. Essa dissociação estrutural é o que o autor aponta como ignorado por quem transpõe o mapa nacional atual para o período colonial.
Alternativa A — ❌ Incorreta
As capitanias hereditárias não mantinham autonomia política e econômica plena; estavam submetidas à Coroa Portuguesa e, além disso, o texto de Alencastro não foca nessa divisão, mas sim na dissociação entre regiões como a Amazônia e o "miolo negreiro".
Alternativa B — ❌ Incorreta
A escravidão era um elemento comum tanto no litoral nordestino quanto no Rio de Janeiro, e não os separava. A dissociação apontada pelo autor é de natureza comercial e geopolítica, não escravista.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A geografia comercial da época mantinha a Amazônia e regiões vizinhas dissociadas do "miolo negreiro" (áreas de economia escravista voltadas para o Atlântico Sul). Enquanto o Nordeste e o Sudeste estavam integrados ao tráfico atlântico de escravos e à economia de plantation/extrativismo mineral, a Amazônia tinha ligações comerciais com o Caribe e a Europa, sem a mesma conexão com a África. Essa fragmentação é o cerne da crítica ao anacronismo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A economia do ouro realmente vinculou Minas Gerais a Portugal, mas não explica a dissociação da Amazônia e de outras regiões, além de ser um fenômeno localizado no século XVIII, enquanto a fragmentação colonial é mais ampla e duradoura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Havia navegação fluvial nos tempos da colonização (rios Amazonas, São Francisco, Paraguai etc.), embora limitada. A dificuldade de integração não se deve à ausência de navegação, mas à orientação comercial de cada região.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa A pode induzir ao erro por mencionar capitanias hereditárias, tema clássico do período colonial. No entanto, o foco do texto não está nelas, e sim na dissociação regional entre a Amazônia e o "miolo negreiro". A banca explora a confusão entre fragmentação político-administrativa (capitanias) e fragmentação econômico-geográfica (circuitos atlânticos distintos).