Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu107252
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História - Promoção do QM 2022
Embora reprimida e perseguida, a capoeira continuou o seu percurso. Às escondidas, nos quintais, nas praias, nos terreiros e nos arredores da cidade, as capoeiras, após a abolição da escravidão e com o advento da República, exercitavam e aperfeiçoavam a sua prática e a transmitiam para as futuras gerações.Somente nos anos 1930 a 1940, a capoeira volta à cena brasileira de maneira pública, por meio do presidente Getúlio Vargas, na revolução de 1930 [...].(Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes, O negro no Brasil de hoje)Considerando o exposto pelo fragmento, de acordo com Munanga e Gomes, Getúlio Vargas
Areprimiu duramente a capoeira, proibindo sua prática em locais públicos ou privados, na tentativa de enfraquecer os movimentos de resistência cultural dos negros.
Brealizou uma campanha contra a capoeira, apoiando-se em discursos de natureza racista e acusando seus praticantes de serem agentes marginais e de subversão.
Cpermitiu a prática livre da capoeira em sua expressão artística – de música e de dança –, proibindo movimentos de golpes que remetessem à luta corporal.
Dprocurou apropriar-se da capoeira como um símbolo de um Brasil “embranquecido”, divulgando-a como fruto de uma cultura popular, apagando as origens africanas.
Eutilizou a capoeira como parte de sua estratégia política para angariar a simpatia das massas e, assim, exercer um maior controle sobre suas manifestações populares.
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GabaritoE — utilizou a capoeira como parte de sua estratégia política para angariar a simpatia das massas e, assim, exercer um maior controle sobre suas manifestações populares.
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Getúlio Vargas e a capoeira
Gabarito: letra E. O fragmento de Munanga e Gomes afirma que a capoeira "volta à cena brasileira de maneira pública, por meio do presidente Getúlio Vargas, na revolução de 1930". Vargas, em sua estratégia populista, buscou aproximar-se das manifestações culturais populares para conquistar a simpatia das massas e, ao mesmo tempo, exercer controle sobre elas — cooptando a capoeira como elemento de identidade nacional, sem deixar de regulamentá-la e vigiá-la. Essa interpretação é a mais alinhada com o papel histórico de Vargas, que incorporou símbolos da cultura popular (como a capoeira, o samba, o futebol) em seu projeto de construção de um Estado forte e de unificação nacional.
Getúlio Vargas e a capoeira
1Contexto anterior
Código Penal de 1890 criminalizava
Prática às escondidas
2Ação de Vargas (1930-1940)
Descriminalizou
Integrou à política cultural
Estratégia populista
Aproximação das massas
Controle estatal
Símbolo de identidade nacional
3Desfecho
Volta à cena pública
Regulamentada e vigiada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que Vargas reprimiu duramente a capoeira, proibindo sua prática em locais públicos ou privados. Isso contraria o fragmento, que diz que a capoeira "volta à cena brasileira de maneira pública" a partir de Vargas. Historicamente, a repressão à capoeira foi mais intensa no período anterior (Código Penal de 1890 criminalizava a prática), e não durante o governo Vargas, que a descriminalizou e a integrou à política cultural.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sustenta que Vargas realizou campanha contra a capoeira com discursos racistas e acusações de marginalidade. O fragmento não menciona nenhuma campanha contra a capoeira por Vargas; ao contrário, indica que ela "volta à cena brasileira de maneira pública" por meio dele. Vargas não a reprimiu, mas a regulamentou, retirando-a da ilegalidade e a transformando em símbolo nacional, ainda que sob controle estatal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que Vargas permitiu a prática livre da capoeira em sua expressão artística (música e dança), mas proibiu movimentos de golpes que remetessem à luta corporal. Embora seja verdade que a capoeira foi descriminalizada e sua dimensão artística valorizada, não há no fragmento nem no contexto histórico — de que Vargas a utilizou como ferramenta política — a informação de que ele teria proibido golpes. Na verdade, a regulamentação da capoeira por Vargas (através do decreto-lei 4.042/1942, que a incluiu na educação física) não distinguiu entre arte e luta de forma tão dicotômica; a capoeira foi reconhecida como prática desportiva, e os movimentos de luta continuaram sendo praticados. A alternativa é incorreta por impor uma limitação que não corresponde à política varguista.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alega que Vargas procurou apropriar-se da capoeira como símbolo de um Brasil "embranquecido", apagando suas origens africanas. O fragmento não sugere tal apagamento; ao contrário, a valorização da capoeira por Vargas ocorreu justamente no contexto de incorporação de elementos da cultura afro-brasileira à identidade nacional (como o samba e a feijoada). A política cultural de Vargas, embora visasse controle, não visava "embranquecer" a capoeira, mas sim utilizá-la como símbolo de uma cultura popular mestiça, sem negar suas raízes africanas. A alternativa é incorreta porque o termo "embranquecido" é anacrônico e não corresponde à prática varguista de incorporação controlada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Está de acordo com o fragmento e com a historiografia: Vargas usou a capoeira como parte de sua estratégia política para angariar a simpatia das massas e, ao mesmo tempo, exercer controle sobre as manifestações populares. A capoeira, antes criminalizada, foi descriminalizada e integrada ao projeto nacional-popular, sendo ensinada nas escolas e exibida em eventos cívicos. Isso permitiu que Vargas se aproximasse dos setores populares e, ao mesmo tempo, disciplinasse a prática, evitando que ela se associasse a resistência política. É a alternativa que melhor sintetiza o papel de Vargas conforme o texto e o contexto histórico.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre o governo Vargas, lembre-se de que ele frequentemente cooptava manifestações culturais populares (capoeira, samba, futebol) como parte de sua estratégia de construir uma identidade nacional unificada e de ampliar o controle sobre os movimentos sociais. A palavra-chave é cooptação: incorporar para controlar.