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Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025

HistóriaHistória do Brasil
Código
vu107254
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História - Promoção do QM 2022
Leia o excerto a seguir:[...] o significado do conceito de escravo, no contexto das realidades africanas, é muito distinto daquele aplicado no Brasil ou em outras culturas, em diferentes épocas. Na África [antes do tráfico europeu], esse conceito seria aplicado a categorias distintas que nada têm ou pouco têm a ver com o conceito de escravo, tal como se deu na realidade escravista do Brasil colonial e das Américas de modo geral.(Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes, O negro no Brasil de hoje)Para a obra em referência, uma dessas diferenças reside no fato de que, na África tradicional,
  1. Ao principal critério para definir a condição de escravizado fora da guerra era a hereditariedade materna, isto é, filhos de mães escravizadas herdariam essa condição.
  2. Bnão havia a constituição de um sistema escravista, pois não se suscitava uma categoria de indivíduos mantida institucionalmente em uma relação de subordinação.
  3. Cexistia um modo de exploração escravista que renovava de forma sistemática uma categoria distinta de indivíduos com um mesmo estatuto social, o de escravizado.
  4. Dembora o comércio de pessoas escravizadas fosse comum, foi somente a partir da intervenção europeia que se instalou o tráfico negreiro em escala internacional.
  5. Ea prática do penhor humano era a principal forma praticada de escravização, em que devedores ou seus familiares tornavam-se propriedade permanente de seus credores.
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GabaritoB — não havia a constituição de um sistema escravista, pois não se suscitava uma categoria de indivíduos mantida institucionalmente em uma relação de subordinação.

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Escravidão na África tradicional vs. Brasil colonial

Gabarito: letra B. O excerto da obra de Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes destaca que o conceito de escravo na África tradicional é distinto do aplicado no Brasil colonial. A diferença central é que, na África, não se constituiu um sistema escravista institucionalizado – ou seja, não havia uma categoria permanente e fechada de indivíduos mantidos em subordinação como mercadoria, ao contrário do que ocorreu no Brasil, onde a escravidão era hereditária, racializada e baseada no tráfico atlântico.

A questão exige identificar qual das alternativas descreve corretamente essa particularidade africana, conforme a obra.

Aspecto

África tradicional (pré-colonial)

Brasil colonial / Américas

Sistema escravista

[-] Não havia sistema institucionalizado e fechado

[+] Sistema escravista institucionalizado, hereditário e racializado

Hereditariedade

Não era o critério principal; condição variava

Partus sequitur ventrem (hereditariedade materna)

Renovação da mão de obra

Fluida, integrada a outras relações sociais

Tráfico atlântico sistemático

Estatuto do escravizado

Categoria não permanente e não fechada

Categoria permanente e fechada de mercadoria

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o critério principal era a hereditariedade materna. Esse princípio (partus sequitur ventrem) era típico do Brasil colonial e das Américas, não da África tradicional. Na África, a condição de escravo nem sempre era hereditária e variava conforme a sociedade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que não havia a constituição de um sistema escravista, pois não se criava uma categoria institucional permanente de subordinados. Na África pré-colonial, existiam relações de dependência e formas de escravidão, mas elas não formavam um sistema fechado, hereditário e racializado como o americano. O excerto enfatiza exatamente essa distinção conceitual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que havia um modo de exploração escravista que renovava sistematicamente uma categoria distinta. Isso descreve o sistema americano, que dependia do tráfico atlântico para repor a mão de obra. Na África, a escravidão era mais fluida e integrada a outras relações sociais, sem essa renovação sistemática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o comércio de pessoas era comum, mas que o tráfico internacional só se instalou com a intervenção europeia. Isso é verdade histórica, mas não corresponde à diferença conceitual apontada no excerto, que trata do significado de “escravo”, e não da origem do tráfico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o penhor humano era a principal forma de escravização e que tornava devedores propriedade permanente. O penhor por dívida era uma das formas, mas não a principal, e nem sempre implicava perda definitiva da condição de pessoa livre. Além disso, o excerto não limita a escravidão africana a essa prática.

Gabarito: letra B – a única alternativa que corresponde à diferença fundamental apontada pela obra.

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